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10 milhões de dólares "não foram" suborno

Thuso Khumalo (Joanesburgo) / gcs1 de junho de 2015

Responsável local pela organização do Mundial 2010 diz que a Associação de Futebol da África do Sul pagou 10 milhões de dólares à CONCACAF - mas esse não foi um suborno, como acusam investigadores norte-americanos.

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Danny Jordaan, presidente da Associação de Futebol da África do SulFoto: picture-alliance/Pressefoto ULMER/M. Ulmer

O atual presidente da Associação de Futebol da África do Sul (SAFA), Danny Jordaan, que foi diretor executivo do Comité Organizador do Mundial 2010, disse este domingo (31.05) à imprensa sul-africana que a SAFA transferiu, antes do campeonato, 10 milhões de dólares para a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF). A confederação era liderada na altura por Jack Warner, ex-vice-presidente da FIFA, que foi detido e está a ser investigado por corrupção.

No entanto, Jordaan nega que esse dinheiro tenha sido um suborno para garantir a realização do Mundial na África do Sul.

"Nunca subornei ninguém nem nunca fui subornado na minha vida", disse em entrevista à publicação Sunday Independent. "Como poderíamos ter pago um suborno quatro anos depois de a nossa candidatura ter ganho?"

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Presidente da FIFA, Joseph Blatter, e Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, na abertura do Mundial 2010Foto: AP

Danny Jordaan sublinha que a África do Sul foi escolhida para realizar o Mundial em maio de 2004 e o pagamento de 10 milhões de dólares à CONCACAF só foi feito em 2008. Segundo o dirigente, esse dinheiro foi uma contribuição para desenvolver o futebol na região.

Acabar com especulação

Entretanto, o Governo sul-africano pede à imprensa e aos cidadãos para se absterem de especular mais sobre a matéria.

O ministro do Desporto, Fikile Mbalula, insiste que a África do Sul tem as mãos limpas. Nota também que as informações avançadas por Jordaan não contrariam as declarações anteriores do Governo, que negou que o país tenha pago subornos para garantir a organização do Mundial.

"Todos os financiamentos do Governo sul-africano foram transferidos através do Tesouro Nacional para o Departamento sul-africano do Desporto e Atividades Recreativas e esse Departamento e o Governo da África do Sul não fizeram pagamentos a nenhum indivíduo", afirmou.

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Ceticismo

Ainda assim, há quem pergunte por que razão o montante foi deduzido dos 100 milhões de dólares pagos à SAFA pela FIFA para ajudar o país a financiar o Mundial de 2010, como avançou o jornal Sunday Independent.

Siyabonga Mhambi é um dos cidadãos que pede ao Governo sul-africano que conduza a sua própria investigação, para evitar possíveis embaraços: "Onde há fumo costuma haver fogo, mas será preciso esperar pelo resultado das investigações. Porque, como as coisas estão, o país fica mal visto como organizador do Mundial. Estraga tudo o que foi feito pela SAFA e por todos os que estiveram envolvidos, incluindo Mandela."

Outros cidadãos acusam as autoridades norte-americanas de querer prejudicar a imagem do país. Lesedi Mohomane, por exemplo, diz que os investigadores do FBI devem apresentar à África do Sul os factos relacionados com este caso, que provem as alegações.