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África do Sul: Progressos na luta contra o HIV/SIDA

Subry Govender / vr / Lusa / AFP18 de julho de 2016

A 21.ª Conferência Internacional sobre SIDA arrancou hoje (18.07) em Durban, África do Sul. Especialistas reúnem-se para discutir os avanços feitos, num dos países onde existem mais pessoas afetadas pela doença.

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Foto: Getty Images/AFP/T. Kitamura

Com quase sete milhões de pessoas portadoras do vírus da SIDA, a África do Sul é um dos países do mundo mais afetado pela doença. No Vale das Mil Colinas, uma zona rural a cerca de 20 quilómetros da cidade de Durban, opera o Centro de Combate à SIDA Hillcrest, que desempenha um papel fundamental na prevenção e educação acerca da doença há 26 anos.

O Vale das Mil Colinas é considerado o epicentro da pandemia não só na província de KwaZulu Natal, como em toda a África do Sul. Estima-se que centenas de milhares de pessoas sejam portadoras do vírus nesta região.

“Estamos a educar os jovens para que levem um estilo de vida mais saudável e positivo, com mais conhecimento sobre o HIV”, explica Sibusiso Mthetwa, responsável pela educação no Centro. “É muito importante e crucial que os eduquemos e ensinemos sobre o HIV/SIDA, para que eles possam prevenir possíveis infeções. Esperamos conseguir ter uma geração livre do HIV, um dia.”

Apesar dos largos esforços levados a cabo nos últimos dez anos para introduzir tratamento antirretroviral e programas educacionais acerca da importância do uso do preservativo, circuncisão e sexo seguro, as estatísticas indicam que existem cerca de 6,8 milhões de pessoas portadoras do vírus na África do Sul.

Trabalho para além da prevenção

O Centro de Combate à SIDA Hillcrest é uma das organizações não-governamentais (ONG) e movimentos que operam lado a lado com o Governo sul-africano para providenciar tratamento aos seropositivos.

Para além dos programas de prevenção e educação, contam ainda com programas como o Gogo, que pretende dar todo o apoio necessário a mulheres cujos filhos sucumbiram à doença e que, agora, têm de tomar conta dos netos.

Com reformas, muitas vezes, baixas, não conseguem ter dinheiro suficiente para fazer face às despesas. “As avós sofrem muito porque têm um rendimento muito baixo. Não conseguem tomar conta dos seus netos”, explica Phindiwe Mashiloane, assistente administriva do projeto Gogo. “Nós apoiamos estas avós com atividades que elas podem fazer, como artesanato, de modo a aumentar o seu rendimento.”

“Erradicação é possível, mas vai levar algum tempo”

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Na África do Sul, a prevenção é feita sobretudo junto dos jovens

Para discutir estratégias que possam acelerar a erradicação da doença, a cidade de Durban recebe a 21.ª Conferência Internacional da SIDA . Até 22 de julho, mais de 18 mil participantes discutem de que forma será possível erradicar a doença até 2030, um dos objetivos da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Como comunidade global, devemos atuar de forma rápida e decidida para alcançar os objetivos que nos ajudem a pôr fim a esta epidemia”, disse Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU durante a inauguração da conferência.

Ban Ki-moon relembrou que, apesar dos progressos significativos alcançados até ao momento, mais de metade dos seropositivos não têm acesso aos tratamentos adequados.

Para Michel Sidibe, diretor executivo da ONUSIDA, programa da ONU de combate à SIDA, é urgente “mais financiamento”, para conseguir erradicar a doença até 2030. “Estou assustado porque estou a ver, pela primeira vez, uma diminuição do financiamento dos países doadores”, afirmou Sidibe. “Não posso ser desonesto convosco – vamos ter resistência, vamos perder investimento e teremos de pagar mais no fim. Se pararmos agora vamos, com certeza, arrepender-nos, porque vamos ver esta epidemia aumentar de novo.”

Jerry Coovadia, diretor científico no Centro de Pesquisa Médica Doris Duke, na Universidade de Natal, na África do Sul, afirma que o país e o mundo fizeram “enormes progressos e, sem dúvida, iremos continuar a fazê-los”.

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Ban Ki-moon, secretário-geral da ONUFoto: Reuters/O. Orsal

Para Coovadia, a erradicação da doença não é impossível. “Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas não é impossível”, afirma, destacando os avanços que têm sido feitos “na medicina, nas formas de tratamento e no conhecimento nos genes e de que forma é que eles podem afetar o vírus”.

“A prevenção também é muito importante: a circuncisão previne, os preservativos previnem e as mudanças no comportamento sexual também”, diz Coovadia. “Por isso, penso que [a erradicação da SIDA] é possível, mas ainda vai demorar muito tempo."

Desde a última Conferência Internacional sobre SIDA em Durban, em 2000, que a África do Sul mudou substancialmente os seus programas de tratamento e prevenção. Há 16 anos, o tratamento era negado a milhões de sul-africanos e 300 mil mortes causadas pelo vírus poderiam ter sido evitadas. Hoje, o país tem o maior programa de tratamento antirretroviral do mundo.

No entanto, na região da África subsariana mais de dois mil jovens com menos de 24 anos são infetados todos os dias e mais de metade dos seropositivos desconhecem ser portadores do vírus.

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Bill Gates, empresário e filantropo, num discurso feito na véspera do arranque da conferência (17.07), relembrou que “se falharmos a agir, todos os avanços que fizemos até agora em relação ao combate do HIV/SIDA na África subsariana nos últimos 15 anos poderão retroceder”.

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