Angola: Nomeação de Júlia Ferreira é ″prenda″ antes do Natal | Angola | DW | 01.12.2017

Angola

Angola: Nomeação de Júlia Ferreira é "prenda" antes do Natal

É o que diz a oposição angolana, em entrevista à DW. O Presidente João Lourenço nomeou, em meados do mês, a ex-porta-voz da CNE, Júlia Ferreira, para o cargo de juíza conselheira do Tribunal Constitucional.

default

Júlia Ferreira, antiga porta-voz da CNE angolana

Durante o processo eleitoral em Angola, Júlia Ferreira foi fortemente contestada pela oposição e por muitos cidadãos por alegadamente divulgar resultados eleitorais "fabricados". A ex-porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) ficou popularmente conhecida pela quantidade de água que bebeu enquanto divulgava os resultados.

Félix Miranda, da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), considera que a nomeação como juíza conselheira do Tribunal Constitucional, este mês, é uma "espécie de pagamento de favores".

"O Presidente da República pecou por nomear alguém que traz consigo uma carga negativa de muitas suspeições", comenta o dirigente do segundo maior partido da oposição.

O deputado Vitorino Nhany, secretário nacional para Assuntos Eleitorais da União Nacional para a Independência de Angola (UNITA), o maior partido da oposição, também acha que se tratou de um presente político.  

"A UNITA não vê que ela reúna condições que lhe permitam levar a cabo o trabalho com isenção. A postura dela como porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral indicou-nos que esteve do lado de uma das equipas", diz.

Julia Ferreira Sprecherin Wahlkommission Angola

Júlia Ferreira divulga resultados eleitorais

É uma prática "recorrente"

Esta situação é recorrente na história dos processos eleitorais em Angola, afirma à DW África Cláudio Fortuna, investigador do recém-criado Centro de Estudos Africanos da Universidade Católica de Angola. Se alguém não é indicado para um tribunal é nomeado para um cargo governamental, diz o académico. 

"O antecessor da Dra. Júlia Ferreira também teve um percurso 'premiado'. O Dr. Adão de Almeida, depois de ter sido porta-voz da CNE, foi secretário de Estado e agora é ministro da Administração do Território", refere Fortuna.

Estas práticas "não são novidade", recorda - há outras figuras que também trabalharam em eleições anteriores e alegadamente foram agraciadas com cargos no aparelho do Estado.

"Já tivemos personalidades como Onofre dos Santos e Caetano de Sousa que tiveram uma passagem por esta instituição [CNE] e depois acabaram por ser também juízes do Tribunal Constitucional", diz o investigador.

Ouvir o áudio 03:18

Nomeação de Júlia Ferreira é "prenda" pré-natalícia

Nova era?

Manuel Aragão é o novo juiz presidente do Tribunal Constitucional. Dele, Vitorino Nhany, deputado da UNITA, espera isenção.

"Esperamos dele uma outra postura. O que nós precisamos é que o órgão seja isento", afirma Nhany. "Mas, independentemente disso, é necessário que possamos evoluir para um tribunal eleitoral, para que se possa dirimir os vários problemas que ocorrem dos processos".

Antes da sua nomeação, Manuel Aragão exercia o cargo de juiz presidente do Tribunal Supremo. Para o investigador Cláudio Fortuna, trata-se, portanto, de "uma espécie de transferência".

"No meu ponto de vista, o atual juiz do Tribunal Constitucional não agirá de forma diferente do anterior", conclui.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados

Albanian Shqip

Amharic አማርኛ

Arabic العربية

Bengali বাংলা

Bosnian B/H/S

Bulgarian Български

Chinese (Simplified) 简

Chinese (Traditional) 繁

Croatian Hrvatski

Dari دری

English English

French Français

German Deutsch

Greek Ελληνικά

Hausa Hausa

Hindi हिन्दी

Indonesian Bahasa Indonesia

Kiswahili Kiswahili

Macedonian Македонски

Pashto پښتو

Persian فارسی

Polish Polski

Portuguese Português para África

Portuguese Português do Brasil

Romanian Română

Russian Русский

Serbian Српски/Srpski

Spanish Español

Turkish Türkçe

Ukrainian Українська

Urdu اردو