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Aumenta a tensão na Gâmbia

Jane Ayeko-Kümmeth | nn | AFP
5 de janeiro de 2017

O chefe das Forças Armadas gambianas acaba de reafirmar a sua lealdade ao Presidente. Yahya Jammeh garante que não deixará o cargo, que ocupa há 22 anos, antes de uma decisão da Justiça. Várias rádios foram encerradas.

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Mandato presidencial de Jammeh (na foto) termina a 19 de janeiro, data prevista para a tomada de posse de Adama Barrow Foto: Reuters/T. Gouegnon

A cada dia que passa, a tensão social aumenta na Gâmbia. Várias rádios foram encerradas e o próprio presidente da comissão eleitoral, Alieu Momar Njie, fugiu do país com receio de ter a vida em risco depois de declarar o líder da oposição vencedor do escrutínio.

O chefe do Exército gambiano, o general Ousman Badjie, reafirmou quarta-feira (04.01) que está do lado do Presidente, depois da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ter ameaçado enviar tropas para a Gâmbia caso Jammeh não saia do poder.

Yahya Jammeh recusa-se a aceitar a derrota nas presidenciais de dezembro. Na próxima semana, a 10 de janeiro, o Supremo Tribunal da Gâmbia vai analisar o requerimento do partido do chefe de Estado para anular as presidenciais ganhas por Adama Barrow.

À espera de 19 de janeiro

Halifa Sallah, porta-voz da coligação da oposição Aliança Nacional pela Democracia e Desenvolvimento, diz que neste momento resta esperar por 19 de Janeiro, data em que termina o último mandato de cinco anos do atual chefe de Estado.

Gambia Oppositionsführer Halifa Sallah
Halifa Sallah, porta-voz da coligação da oposição Foto: Getty Images/AFP/Seyllou

"O Presidente recém-eleito disse a todos os gambianos que o Governo cessante tem um mandato de cinco anos para cumprir. O Presidente cessante Jammeh é ainda o Presidente da República e não se espera que as forças de segurança simplesmente cheguem lá e removam o Presidente do seu cargo. Isso constituiria um golpe de Estado", afirma.

Jammeh, de 51 anos, admitiu inicialmente a derrota no sufrágio, mas uma semana depois voltou atrás e recusou aceitar o resultado, alegando irregularidades na votação. Entretanto, o partido do Governo pediu ao Supremo Tribunal para anular o sufrágio, ganho por 19 mil votos de diferença.

A CEDEAO já enviou uma missão de quatro chefes de Estado a Banjul para convencer Jammeh a deixar o poder, mas sem sucesso. Também o representante da ONU na África Ocidental, Mohamed Chambas, defende que o Presidente gambiano deve ceder o poder a 19 de janeiro.

Já a União Africana (UA) considera que as eleições foram "livres e transparentes" e defende a transferência de poderes rápida e pacífica para preservar a estabilidade e a democracia na Gâmbia.

"Jammeh ficará sozinho"

Halifa Sallah acredita que a 19 de janeiro as rédeas do país passarão a estar nas mãos de Adama Barrow, ainda que Yahya Jammeh teime em não abandonar o poder. "Neste momento, ele está protegido pela Constituição, porque está no poder. Mas, no dia 19, ele não será apoiado pela Constituição e acreditamos que todas as instituições vão ser transferidas para estarem sob a alçada do Presidente eleito Barrow", diz em entrevista à DW África.

05.01.2017 Gâmbia - MP3-Stereo

O porta-voz da coligação da oposição acredita que, então, "Yahya Jammeh ficará sozinho". "Não sei o que é que ele vai dizer nesse momento, mas não acho que ele seja capaz de continuar a dizer que vai continuar no poder", afirma.

Yahya Jammeh, de 51 anos, tornou-se Presidente da Gâmbia em 1994 através de um golpe de Estado e é há muito acusado por organizações de defesa dos direitos humanos de torturar e assassinar opositores.