Moçambique

Em Lichinga, "lixo é riqueza"

O único Centro de Compostagem do Niassa foi criado para incentivar os camponeses a investir na reciclagem orgânica, reduzindo os custos com adubos químicos e aumentando a produtividade dos campos de cultivo.

Mosambik - Mülltrennung in Lichinga (David, Manuel)

Centro de Demonstração de Compostagem Orgânica do Lichinga.

Na cidade de Lichinga, província de Niassa, jovens apostam na compostagem para minimizar problemas de lixo. Inserido no projeto "Lixo é riqueza”, o Centro de Compostagem pretende incentivar produtores à reciclagem orgânica, diminuindo os custos com adubos químicos e aumentando a produtividade dos solos.

A coleta acontece de forma seletiva. Primeiro, eles escolhem resíduos sólidos e orgânicos. Normalmente, tratam-se de podas de árvores, restos de alimentos, folhas das árvores, restos de serradura, farelo e excremento bovino. O lixo selecionado é então levado a um campo de produção com vários tipos de compostos orgânicos: alguns por baixo da terra, e outros aéreos.

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Em Lichinga, "lixo é riqueza"

Júlio Benesse, membro da iniciativa, contou que, dentro desses compostos, eles fazem a separação dos resíduos, como podas de árvores numa camada, restos de verdura em outra, grãos e restos de alimentos juntos e, por fim, a terra que se usa para a produção de hortícolas. "Nessa fase, é preciso fazer a mistura de tudo que possa influenciar a compostagem de resíduos orgânicos. Depois de dois a quatro meses de decomposição, o resultado desse processo é o adubo orgânico, que acaba sendo utilizado no campo de produção”, explicou Benesse.

Recursos do próprio quintal

O único Centro de Compostagem do Niassa foi criado este ano pelo Comitê de Monitoria de Responsabilização Social. O edil de Lichinga, Saíde Amido, visitou recentemente o Centro de Compostagem e apelou à população para reaproveitar os resíduos. Amido disse que o melhor gestor de resíduos sólidos da cidade é o próprio morador. "Aqui ficou claro que, em vez de pensarmos que tudo é da responsabilidade do Conselho Municipal, nós podemos fazer isso no nosso próprio quintal. Podemos separar vários tipos de resíduos sólidos: plásticos, restos de comida, capim, tudo que acharmos em nossos quintais. E assim reutilizar esses recursos para outros aproveitamentos”, afirmou o edil.

"Lixo é riqueza"

Mosambik - Mülltrennung in Lichinga (David, Manuel)

Camponeses aprendem a preparar o solo para aumentar a produtividade nas áreas de cultivo.

Para Jafar Amado, presidente do Comité de Monitoria e Responsabilização Social em Lichinga, o desafio agora é apelar aos munícipes para que adotem práticas adequadas no tratamento de resíduos sólidos."Temos que difundir essa informação. Depois da entrega desse Centro de Compostagem, começaremos já a trabalhar passando o conhecimento para todos os bairros. Talvez, isso já aconteça no próximo mês”, informou Amado.

Com o Centro de Compostagem, Agostinho Cigarro, diretor da organização não-governamental Concern Universal Moçambique, que também apoia a iniciativa, espera que os munícipes vejam o lixo como uma mais-valia. "Lançámos a campanha Lixo é Riqueza, em outubro do ano passado (2016). O objetivo é fazer com que o cidadão aprenda a valorizar o lixo. Nós verificamos que, de fato, lixo não é lixo, mas um capital. Trata-se de um recurso com potencial para ser transformado em algo que pode garantir uma grande produtividade”, declarou. Agostinho Cigarro concluiu dizendo que o desafio da Organização é acompanhar os produtores na iniciativa em todos os bairros, bem como apoiar os produtores da região. 

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