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Imprensa alemã destaca audiência de Kenyatta, "o intocável"

Guilherme Correia da Silva10 de outubro de 2014

Além da presença silenciosa do Presidente queniano no Tribunal Penal Internacional, os jornais falaram também sobre os investimentos de empresas alemãs em África e a entrada da mulher de Robert Mugabe para a política.

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Foto: Fotolia

Uhuru Kenyatta é "um Presidente que não cede a imposições", escreve esta semana o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

O líder queniano foi esta semana a uma audiência no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, onde é acusado de crimes contra a humanidade. Kenyatta esteve na sala e ouviu a acusação queixar-se que o Governo queniano não está a disponibilizar ao tribunal registos telefónicos e bancários importantes para o processo. Uhuru Kenyatta manteve-se em silêncio e delegou todas as declarações para os seus advogados.

O Süddeutsche Zeitung conta que, durante a audiência, volta e meia, Uhuru Kenyatta "digitava algo no telemóvel". Além disso, "nem sequer estava a olhar quanto a juíza disse, pela primeira vez, o seu nome."

Kenyatta tentou ao máximo adiar a audiência em Haia. O jornal alemão diz, por exemplo, que "foi com muita relutância que o Governo queniano cumpriu a obrigação de entregar documentos aos investigadores do tribunal. Mas, segundo os investigadores, a maioria do material enviado não tinha nada a ver com o que fora pedido."

Uhuru Kenyatta Kenia Präsident
Uhuru Kenyatta no Tribunal Penal InternacionalFoto: Reuters/Peter Dejong

A propósito da audiência no TPI, o Tagesspiegel escreve que Kenyatta "é intocável". O jornal conta que a abertura do processo de Kenyatta foi adiada pela primeira vez há cerca de um ano, quando o centro comercial de Westgate foi atacado por militantes shebab. Desde então, sete testemunhas retiraram os seus depoimentos ou desapareceram.

A procuradora do Tribunal Penal Internacional, Fatou Bensouda, viu, com este caso, que "ninguém é suicida ao ponto de testemunhar contra um Presidente no poder", escreve o diário alemão.

Quem não arrisca...

"A economia alemã não sonha com África", conclui esta semana um artigo do Frankfurter Allgemeine Zeitung. O jornal cita um estudo de uma consultora onde fica claro que são raras as empresas alemãs que planeiam expandir-se para o continente africano. Por outro lado, os empresários alemães que já estão em África têm tido experiências positivas.

Um dos especialistas da consultora que fez o estudo, Tim Löbig, diz que "as oportunidades económicas em África continuam a ser subestimadas". Por isso, "há muitas oportunidades perdidas."

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Sobre este tema, o economista-chefe do Instituto de Pesquisa do jornal alemão Handelsblatt, Dirk Heilmann, argumenta, num artigo de opinião, que "quem só vê riscos, não conquista mercados. […] Seria desastroso se a economia alemã cedesse [as oportunidades] naquele que é o continente que mais deverá crescer nas próximas décadas aos seus concorrentes da China ou dos Estados Unidos da América."

Angola e Moçambique são apontados como centros de crescimento, entre outros países africanos, incluindo a Nigéria.

Grace Mugabe na política

O Frankfurter Allgemeine Zeitung dedicou um artigo a Grace Mugabe, a mulher do Presidente zimbabueano, Robert Mugabe. O jornal fala sobre a entrada de Grace para a política.

Grace aceitou recentemente a nomeação para a presidência da ala feminina do partido no poder, o ZANU-PF. O Frankfurter Allgemeine Zeitung diz que a nomeação é vista como uma mera formalidade. Assim, Grace Mugabe terá "um assento permanente no bureau político do partido e poderá exercer diretamente influência em todas as decisões".

Grace Mugabe
Grace MugabeFoto: picture-alliance/dpa

O diário alemão nota que a entrada de Grace na política é, provavelmente, uma tentativa de estabelecer uma dinastia Mugabe. O jornal cita observadores em Harare que dizem que, talvez, o papel de Grace Mugabe seja "continuar a criar divisões no seio do partido, com a sua presença, assegurando assim ao marido a nomeação para as próximas presidenciais, em 2018. Nessa altura, Mugabe teria 94 anos."

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