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História

Moçambique e a memória da queda do muro de Berlim

7 de novembro de 2014

Quem assistiu à queda do muro de Berlim, nunca esqueceu esse momento memorável. Mas para os antigos trabalhadores moçambicanos na Alemanha do Leste, à alegria mistura-se a nostalgia.

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Manifestação de "madgermanes" em Maputo (2008)Foto: Ismael Miquidade

Na capital, Maputo, os antigos trabalhadores da ex-República Democrática da Alemanha (RDA) não esquecem o dia em que o muro de Berlim desmoronou. Partilharam a alegria pelo fim do socialismo. Mas sentiram também a tristeza pelo regresso compulsivo à terra natal. Hoje, as condições em que se encontram a viver não são agradáveis, apesar de terem beneficiado de formação profissional na Alemanha do Leste.

Arnaldo Mendes - Anführer ehemalige DDR-Vertragsarbeiter aus Mosambik
Arnaldo Mendes diz que o Governo não quer resolver os problemas dos ex-trabalhadores moçambicanos na RDAFoto: DW/Romeu da Silva

Hermínio Matavele, eletrotécnico, assistiu à queda do muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, a partir de Berlim oriental. Estava com outros moçambicanos e alemães, e lembra-se de ver uma multidão a atravessar para a parte ocidental de Berlim: “Foi um momento muito impressionante, porque já atravessavam para lá em busca de melhores condições. Nós éramos estrangeiros e não podíamos entrar lá com facilidade. Mas a partir daqueles dias, nós participámos na mudança do mundo”.

O futuro incerto

A queda do muro trouxe momentos de alegria a Matavele e outros “madgermanes”, nome pelo qual são conhecidos os antigos trabalhadores da extinta RDA. Era o fim do socialismo. Por outro lado, quando o muro caiu, houve também tristeza, porque o futuro era incerto, lembra Juma Madeira, um mecânico, com formação profissional completada, mas só que aplicou por pouco tempo. Porque, de repente: “Fomos mandados voltar de forma compulsiva , porque nós já tínhamos assinado contrato para ficar até ao ano 2000. E aí encontrámo-nos na situação, todos nós, de ter que regressar obrigatoriamente para Moçambique”.

Improvisiertes Denkmal der Madjermane in Mosambik Herminio Matavel
Hermínio Matavele viveu a queda do muro de Berlim com grande emoçãoFoto: DW/R. da Silva

De regresso à sua terra natal, outro "madgermane", Arnaldo Mendes, comerciante, diz que hoje o grupo vive momentos de muita frustração: “Chegámos aqui e fomos altamente enganados, roubados, fomos excluídos da sociedade moçambicana, vivíamos à margem da sociedade. Portanto é um problema que nós trouxemos para aqui, e ainda continuamos a gerir o problema. Vivemos neste problema de injustiça até hoje. É um problema que não se resolve, porque há falta de vontade política do Governo para resolver o problema”.

Problemas dos "madgermanes" continuam por resolver

Manuel Adamo, eletricista, hoje desempregado, lembra o que significou, para ele, a queda do muro e o que mais tarde poderia acontecer com os moçambicanos: “Sabíamos que seria o fim das nossas vidas, ou o reinício de nova vida. Para mim foi uma noção um pouco pesada”.

Pesada torna-se a vida que os "madgermanes" levam hoje. Hermínio Matavele diz que os momentos são indescritíveis: ”Fomos chamados continuadores de uma nação, continuadores da revolução moçambicana. Mas acabámos numa mendicidade provocada pelo Governo, que se chamava de independentista. Pelo que sei, um independentista é para salvar, não para matar”.

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A luta dos “madgermanes” continua, já que estão a batalhar para que lhes sejam pagos os direitos sociais que acumularam durante o tempo em que trabalharam na extinta RDA.

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