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Momade quer "justiça eleitoral" antes das eleições gerais

21 de outubro de 2023

Em entrevista exclusiva à DW, presidente da RENAMO diz-se "encorajado" pelo povo para "assegurar vitória" e garantir "justiça" após autárquicas de 11 de outubro e "evitar problemas" nas eleições gerais de 2024.

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Foto: Amos Fernando/DW

O líder da RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, recusa-se a falar em prevenção de fraude nas eleições gerais de 2024.

Ossufo Momade diz que o seu partido está focado na reposição da verdade eleitoral nas autárquicas deste ano justamente "para evitar problemas" nas eleições do próximo ano.

Momade, que já avisou que a RENAMO se prepara para processar a CNE, considera que as eleições autárquicas foram um "golpe".

Nesta segunda parte da sua entrevista exclusiva à DW África, o líder da oposição moçambicana diz que tem sido "encorajado" pelo povo para "assegurar vitória" nas eleições autárquicas do passado dia 11 de outubro.

DW África: A anulação da votação nalguns lugares reflete a real vontade de se fazer justiça ou não passa de uma medida para "mostrar serviço"?

Ossufo Momade (OM): Esses juízes que têm a consciência no lugar conseguem dar razão à RENAMO e ao povo moçambicano. Há outros juízes que continuam amarrados ao regime e não conseguem dizer a verdade. Mas todo o mundo sabe o que é que aconteceu em Moçambique, por isso queremos uma justiça eleitoral.

Momade: "Dizem-me 'presidente, assegura a tua vitória'"

DW África: Para a RENAMO, a comunidade internacional alheou-se da crise pós-eleitoral que se vive em Moçambique?

OM: Não. Na verdade, nós queremos agradecer à embaixada dos Estados Unidos da América, que fez um comunicadoque encoraja os moçambicanos, porque denuncia aquilo que aconteceu no dia 11 de outubro [dia das eleições autárquicas]. Além da embaixada dos EUA, [queremos agradecer] também à sociedade civil, CIP, Sala da Paz. Também o doutor [Brazão] Mazula - que foi o primeiro presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), depois do Acordo Geral de Paz de 1992 - condenou [o sucedido nas eleições autárquicas].

Muitos estão a aparecer a condenar esse comportamento da FRELIMO. São muitos. Em todas as ruas, quando eu passo, dizem-me 'presidente, assegura a tua vitória' e isto encoraja-me, porque não foi a RENAMO que votou, foi o povo, foram os eleitores de todas as cidades autárquicas que votaram na RENAMO.

DW África: A credibilidade da justiça em Moçambique é muito baixa. Como é que a RENAMO se pretende preparar para o próximo escrutínio, tendo em conta este fator?

OM: Minha irmã, primeiro nós temos de resolver esta questão [das autárquicas], porque não podemos ir para as eleições [gerais] de 2024 enquanto temos esta situação, visto que isto vai criar muitos problemas, na medida em que em 2024 nenhum moçambicano terá coragem de ir votar. É o momento de resolvermos este problema com a cabeça firme para não termos problemas no próximo ano. Os moçambicanos estão desmoralizados em relação ao comportamento da FRELIMO no dia 11 de outubro.

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Nádia Issufo
Nádia Issufo Jornalista da DW África
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