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Quénia: Líder da oposição quer novas eleições em 90 dias

AP | Lusa | Reuters | mjp
29 de outubro de 2017

Raila Odinga defende a realização de uma nova eleição no prazo de três meses, sublinhando que a repetição da votação a 26 de outubro foi uma farsa. Ambiente continua tenso no país.

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Kenia Raila Odinga, Oppositionsführer | Interview in London, Großbritannien
Foto: Reuters/P. Nicholls

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, este domingo, Raila Odinga afirmou que está aberto ao diálogo com o grupo do Presidente Uhuru Kenyatta para discutir a realização de "eleições livres e justas", num prazo de 90 dias, mas avisou também que o Quénia está em "grave perigo".

Odinga declarou que houve uma baixa participação nas eleições realizadas na quinta-feira (26.10), em substituição ao sufrágio de 8 de agosto, e que Uhuru Kenyatta (o Presidente cessante) está a tentar "destruir outras instituições de governação" do país, incluindo o Supremo Tribunal.

Raila Odinga, que lidera uma coligação de partidos e movimentos da oposição, boicotou a repetição das eleições presidenciais de quinta-feira, face à ausência de reformas na Comissão Eleitoral, que responsabiliza pelas irregularidades nas presidenciais de 8 de agosto, anuladas pelo Supremo Tribunal de Justiça queniano a 1 de setembro.

Kenia Wahlwiederholung Raila Odinga
Raila Odinga num comício em Kibera, Nairobi, na sexta-feira (27.10)Foto: Reuters

Cerca de 19,6 milhões de quenianos foram chamados a votar na quinta-feira, mas a adesão foi reduzida, abaixo dos 35%, em contraste com a agitação das eleições de 8 de agosto, posteriormente anuladas pela justiça por "irregularidades". Odinga afirmou que é necessária uma grande reforma eleitoral.

Este domingo, em Nairobi, perante centenas de apoiantes, o líder da oposição lançou o alerta: "os quenianos não se deixarão governar por tiros”. A capital do Quénia foi palco de confrontos violentos entre os apoiantes da oposição e a polícia e Odinga aponta o dedo às autoridades: "não podem matar pessoas porque não foram votar”. O líder da oposição refere-se a quatrro bastiões da oposição onde as presidenciais ainda não tiveram lugar devido a problemas de segurança. Pelo menos nove pessoas foram mortas desde quinta-feira.

Tensão étnica

O clima no Quénia mantém-se tenso e continuam a registar-se confrontos entre manifestantes e a polícia. As autoridades quenianas falam em 49 mortos e centenas de feridos desde agosto, mas as organizações Human Right Watch e Amnistia Internacional acusaram a polícia queniana da morte de 67 pessoas em protestos neste mesmo período.

Entretanto, este domingo, foi descoberto na aldeia de Kogutam, no oeste do Quénia, o corpo de um homem de 60 anos com três setas nas costas e vários ferimentos na cabeça, um dia depois de uma visita de altos membros do Governo à localidade numa tentativa de acalmar as tensões étnicas agravadas com a repetição das eleições presidenciais.

Kenia Kisumu Proteste
Protestos em Kisumu, na véspera da repetição das eleiçõesFoto: picture-alliance/dpa

Ainda não são conhecidos os responsáveis pelo homicídio, mas o caso tem lugar um dia após confrontos armados entre as comunidades Luo e Kalenjin. "Há um desejo de vingança nos Luo. Estou a tentar pedir-lhes que tenham calma, mas eles estão muito zangados”, disse Gordon Onyango, um membro da comunidade Luo, à agência de notícias Reuters.

A maioria da comunidade Luo boicotou as eleições de quinta-feira que deveriam ter colocado frente-a-frente Raila Odinga, um Luo, e Uhuru Kennyatta, um Kikuyu com um vice-Presidente Kalenjin.

Com Odinga fora da corrida, nos bastiões da oposição – áreas que há muito se dizem excluídas do poder político e económico – os manifestantes impediram a abertura das assembleias de voto em quatro municípios.

Em todo o Quénia, cerca de 10% das assembleias não abriram portas, embora não se tenham registado problemas nas áreas favoráveis a Kenyatta. Em algumas partes do país, como Koguta e Kisumu, os protestos no dia da repetição das presidenciais não agradaram às comunidades que pretendiam votar em Kenyatta.

Perante esta tensão, teme-se o regresso da violência étnica que, em 2007, após umas presidenciais polémicas, levou à morte de mil e 200 pessoas.

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