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Relações entre Alemanha e Angola ainda podem melhorar

António Rocha / António Carlos Moura / Lusa26 de março de 2014

O chefe da diplomacia alemã terminou o seu périplo africano em Luanda. Frank-Walter Steinmeier disse que as relações germano-angolanas são boas, mas frisou que existe “um enorme potencial” para o seu desenvolvimento.

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O ministro da Economia de Angola, Abraão Gourgel e o chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter SteinmeierFoto: picture-alliance/dpa

Depois de ter passado pela Etiópia e pela Tanzânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha concluiu esta quarta-feira (26.03), na capital angolana, a última etapa da sua deslocação a África.

No final de um encontro com o seu homólogo angolano, Georges Chikoti, Frank-Walter Steinmeier sublinhou que as relações germano-angolanas são "longas e próximas, mas com espaço para melhorias, porque há ainda um enorme potencial para as desenvolver.

“Tenho a certeza que não devemos apenas contemplar as relações antigas e tradicionais e estreitas entre a Alemanha e Angola. A situação nesta região exige a continuação de uma cooperação estreita”, defendeu o chefe da diplomacia alemã.

“Angola assume neste momento a presidência da conferência dos Grandes Lagos, passando também pela experiência de quanto é difícil fazer prevalecer a sensatez e impedir os conflitos violentos. E como é difícil chegar a um acordo entre estados com interesses diversos que possa evitar a violência”, afirmou.

O ministro disse ainda acreditar que existem “pontos de partida, sobretudo a política externa, para um aprofundamento das relações. Steinmeier aproveitou a ocasião para convidar o seu homólogo angolano para uma visita a Berlim dentro em breve.

Ucrânia na agenda

Segundo Frank-Walter Steinmeier, o diálogo com o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e com o seu homólogo angolano, Georges Chikoti, centrou-se principalmente em questões internacionais.

“Falamos sobretudo sobre conflitos internacionais. Não falamos apenas de conflitos africanos. O senhor Presidente [José Eduardo dos Santos] informou-se minuciosamente sobre a situação e as razões do conflito na Ucrânia”, disse.

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O ministro alemão sublinhou que registou com muita satisfação o grande interesse que existe sobre o que se passa na Ucrânia. “Também nós, na Europa, volvidas sete décadas sobre a II Guerra Mundial e 25 anos depois da Guerra Fria, não pensávamos que regressassem os conflitos violentos ao continente”, disse Steinmeier a José Eduardo dos Santos.

“Este é um conflito muito sério, que contém o risco de uma divisão da Europa. Por isso, temos que envidar grandes esforços para impedir que a crise se agrave. É algo em que se empenha o Governo alemão. O acordo a que chegamos com a Rússia e a Ucrânia na sexta-feira passada sobre o envio de uma missão de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) é um primeiro pequeno passo”, defendeu o governante.

Frank-Walter Steinmeier disse ainda ter registado igualmente “com grande satisfação” o empenho de Angola na resolução dos problemas na região dos Grandes Lagos e pelo facto de “passar a ser exportador de estabilidade para toda a região.”

Nova percepção de África

Sobre o seu périplo aos três países africanos, Etiópia, Tanzânia e Angola, o ministro alemão afirmou que Berlim está neste momento num processo de actualização da percepção de África na política externa alemã.

“Com a Tanzânia, a Alemanha tem uma longa história de relações muito estreitas e intensivas que datam da era colonial. A Etiópia não só é um país que está a emergir, mas também acolhe a União Africana (UA)”, lembrou Frank-Walter Steinmeier, assumindo ainda ter “grande respeito pelas conquistas feitas pela UA nos útlimos anos, como relevo para a capacidade de assumir responsabilidades por toda a África em questões financeira, cooperação económica, mas sobretudo de manutenção de paz e segurança.”

Frank-Walter Steinmeier auf Afrika-Reise Äthiopien
Frank-Walter Steinmeier regressa esta noite à AlemanhaFoto: picture alliance

Quanto a Angola, é “a economia que mais fortemente cresce em África, não só em África, mas também em todo o mundo” salientou que Frank-Walter Steinmeier.

“Angola é interessante na perspectiva da política externa, porque temos iniciativas parecidas na tentativa de estabilizar toda a região. E numa perspectiva de política económica é interessante, porque a situação económica abre possibilidades de cooperação também para as empresas alemãs e nós viemos em busca dessas oportunidades”, assumiu o governante.

Por sua vez, o ministro das Relações Externas de Angola, Georges Chikoti, considerou "um bom encontro" o que manteve com o seu homólogo da Alemanha, salientando que dominou a conversa a possibilidade de reforço da cooperação e a realização de consultas constantes a um nível alto. A supressão de vistos em passaportes e um esquema de facilitação de vistos para empresários dos dois países foram igualmente abordados no encontro.

O ministro alemão, que regressa esta noite à Alemanha, participou na manhã desta quarta-feira num fórum económico germano-angolano com o objetivo de potenciar as relações económicas entre os dois países.

Relações intensificam-se

Esta visita de Frank-Walter Steinmeier a África ocorre a poucos dias da realização da IV Cimeira UE-África, marcada para os dias 2 e 3 de abril em Bruxelas, que segundo observadores visa mostrar o empenho alemão em África nas áreas política, económica e social.

Nos últimos anos, as relações entre Alemanha e Angola intensificaram-se, nomeadamente no sector económico. Angola é atualmente o terceiro parceiro económico mais importante da Alemanha na África subsaariana.

Em julho de 2011, a chanceler Angela Merkel visitou Angola e no mesmo ano os dois países assinaram em Luanda um Memorando de Entendimento para o aprofundamento do diálogo bilateral, através da criação de uma parceria política abrangente.

Frank-Walter Steinmeier in Angola
Antes de chegar a Angola, Steinmeier visitou a Tanzânia (na foto, aeroporto de Dar Es Salaam)Foto: picture-alliance/dpa
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