Violência na Líbia leva a colapso do sistema de saúde

Aumentam os ataques a unidades de saúde na Líbia. Alguns médicos e enfermeiros chegam a abandonar o país com medo de serem raptados ou mortos. Organização Mundial de Saúde pede ajuda.

A violência na Líbia está a pôr em causa a prestação de cuidados de saúde aos cidadãos. As Nações Unidas têm registado ataques a profissionais de saúde e pacientes. De maio de 2017 a maio de 2018, houve 36 ataques a unidades médicas, trabalhadores e pacientes. Mas acredita-se que haja muito mais casos do que os reportados.

"São atacados, intimidados, ameaçados e feridos, normalmente por membros de grupos armados", afirma Matilda Bogner, chefe da Divisão de Direitos Humanos da Missão de Apoio da ONU na Líbia.

Um relatório da organização fala ainda em detenções e raptos de pessoal médico - às vezes, por prestarem ajuda a alegados combatentes inimigos.

"Ataques diretos a unidades e pessoal médico são proibidos. Fazer reféns e matar doentes e feridos são crimes muito sérios que podem constituir crimes de guerra", acrescenta Bogner.

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Ataque junto a hospital em Benghazi, em maio de 2013. Pelo menos três pessoas morreram e 17 ficaram feridas.

Fuga do país

O conflito na Líbia arrasta-se desde a queda do regime de Mouammar Kadhafi em 2011, e há médicos e enfermeiros que abandonam o país, o que contribui ainda mais para o colapso do sistema de saúde.

Osama Sharif, coordenador de emergência da Organização Mundial de Saúde, lembra que toda a população é afetada quando as unidades de saúde são alvo de ataques.

"É um serviço que é garantido a qualquer paciente. Mesmo as pessoas envolvidas no conflito têm familiares que são pacientes com doenças crónicas, como diabetes, e precisam destas instalações de saúde que servem todos os residentes da área, seja em Sabha, Benghazi ou qualquer outra área na Líbia."

Apelo

Para resolver este problema, o chefe de missão da Organização Mundial de Saúde na Líbia, Jaffar Hussein, sugere que se envolva líderes locais e religiosos.

"Não podemos controlar ou parar os combates, mas podemos deixar um forte apelo: Por favor, poupem as unidades médicas e os profissionais de saúde."

De acordo com a Cruz Vermelha, só nos últimos dois anos, ocorreram 1.200 incidentes violentos contra hospitais e profissionais de saúde em 16 países. Já um relatório recente da organização internacional "Aliança para a Proteção da Saúde nos Conflitos" fala em 700 ataques em 23 países do mundo, só em 2017. Síria, territórios palestinianos e Afeganistão representam mais de metade dos casos.

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