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Aconteceu, e agora?

(ms)24 de julho de 2003

O número de adolescentes que engravidam na Alemanha cresce a cada ano. Qual seria a causa dessa tendência? Falta de esclarecimento ou descaso em relação ao assunto?

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Foto: Bilderbox

Com todo o acesso à informação que o mundo moderno oferece é difícil imaginar que os jovens sejam leigos quando o assunto é sexo, um tema de interesse comum especialmente na adolescência e puberdade. Na Alemanha, há anos a disciplina sobre sexualidade já faz parte do currículo escolar. Além disso, as pesquisas realizadas no país apontam que as novas gerações são bem mais esclarecidas do que as de 20 anos atrás.

Apesar de toda esta abertura, a realidade não condiz com o suposto grau de esclarecimento dos jovens em relação ao sexo, ou melhor, à própria sexualidade. A primeira relação sexual acontece cada vez mais cedo e na maioria das vezes de forma não planejada e sem qualquer preocupação com o uso de um método contraceptivo.

De acordo com um estudo realizado pela Central Alemã de Esclarecimento sobre Saúde, cerca de 34% dos jovens entrevistados revelaram que foram surpreendidos pelo desenrolar dos fatos, ou seja, praticaram sexo espontaneamente. Com isso não é de admirar o número cada vez maior de garotas que engravidam sem desejar.

É claro que os jovens sabem das implicações decorrentes de uma relação sexual, que não se restringe apenas à gravidez indesejada mas inclui também a proliferação de doenças venérias.

O que acontece, segundo explicou a pedagoga social Claudia Kitte, é que eles não conseguem relacionar teoria e prática. "A juventude não sabe transferir para si o que aprendeu nos livros".

Realidade que preocupa

Boa parte dos adolescentes conhece métodos anticoncepcionais, como a camisinha ou a pílula. Na teoria, pois na hora de fazer uso a situação muda totalmente e poucos conseguem apoio dos pais. "Para um melhor esclarecimento, eles precisam de pessoas com quem possam conversar abertamente", acredita o sexólogo Martin Gnieka.

Em 2001, o Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha registrou 12.401 casos de gravidez em menores de idade. Mais da metade, 7605, optou pelo aborto. Desse total, 696 tinham idade inferior a 15 anos. No ano de 2002, o número oficial de abortos entre adolescentes subiu para 7443.

Em comparação com outros países da Europa, a situação na Alemanha não é tão grave quanto na Inglaterra, onde 22 entre mil garotas com idade entre 15 e 19 anos ficam grávidas, enquanto na Alemanha são 16 em mil. Mesmo assim, a realidade alemã é preocupante.

Solução?

A partir de 2004, as farmácias alemãs poderão vender sem a obrigatoriedade da receita médica a chamada "pílula do dia seguinte", eficaz para coibir uma gravidez se ingerida até 48 horas após o ato sexual. A decisão, tomada por uma comissão formada por representantes da indústria farmacêutica, médicos, cientistas e farmacêuticos, ainda precisa ser aprovada pelo Ministério da Saúde.

Seria esta, entretanto, a saída ideal para que as jovens, movidas pelo turbilhão de sentimentos e espontaneidade típicas da idade, evitem uma gravidez indesejada?

A ginecologista Claudia Mlynek-Luhr, por exemplo, defende a necessidade do diálogo. Junto com alguns colegas, ela costuma organizar visitas de turmas de alunos em seu consultório para uma rodada de perguntas. O objetivo não é apenas esclarecer dúvidas, mas mostrar que uma ida ao ginecologista não é nenhum bicho-de-sete-cabeças.

O governo alemão, por sua vez, criou uma página na internet voltada para o público adolescente, com dicas, por exemplo, sobre sexualidade, sentimentos e métodos contraceptivos. Os exemplos são louváveis mas ainda ínfimos em relação à dimensão do problema.