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Alemanha perde competitividade econômica

av5 de maio de 2004

O instituto IMD de Lausanne divulgou o índice de competitividade mundial de 2004. O desempenho da Alemanha vem caindo sem cessar desde 2000. Encargos salariais elevados demais estão entre seus problemas principais.

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À espera de trabalhoFoto: AP

As recentes iniciativas de reforma econômica não contribuíram para a competitividade da Alemanha. Pelo contrário: no ranking do World Competitiveness Yearbook, o país caiu do 20º, em 2003, para o 21º lugar este ano. Considerando os anos anteriores, a queda é ainda mais dramática: em 2002 a Alemanha ainda ocupava o 17º lugar, e em 2000 e 2001, o 13º.

Em seu relatório, o International Institute for Management Development (IMD), sediado em Lausanne, compara 60 nações, à luz de 323 critérios, baseados sobretudo em fatos estatísticos. O índice vem sendo publicado desde 1989, sem interrupção. Como no ano passado, o último lugar da lista coube à Venezuela. O Brasil caiu no 52º para o 53º. Desde 1994 o topo da lista é ocupado pelos Estados Unidos, apesar de seu alto déficit na balança comercial.

Piora à vista

O índice global de competitividade é composto por quatro indicadores parciais. O quesito Eficiência Política denota a situação das finanças públicas, política fiscal, condições básicas e disposições legais para as empresas. Aqui a Alemanha desceu rapidamente entre 2003 e 2004, da 30ª para a 34ª colocação.

Em termos da regulamentação do mercado de trabalho, o país ocupa o último lugar da lista. Segundo o IMD, continuam faltando incentivos para que os desempregados encontrem ocupação. No tocante à tributação de empresas, os alemães têm o antepenúltimo (58º) lugar. Seu imposto de renda é também elevado demais, assim como seus encargos salariais.

O IMD estima que a situação das finanças públicas alemãs continuará se agravando nos próximos dois anos. A seu ver falta ao governo capacidade de reagir rapidamente aos novos desafios econômicos. O número exagerado de subvenções também dificulta a necessária transformação estrutural.

O desempenho da Alemanha no índice Eficiência Econômica caiu do 27º para o 34º posto. Jornadas de trabalho muito curtas e salários altos demais são sua grande desvantagem.

Novas potências em ascensão

Salários altos são uma constante entre os países industrializados. O diretor do projeto World Competitiveness Yearbooks, Stephane Garelli, mencionou que na maioria deles a hora de trabalho custa em torno de 20 dólares, contra apenas um dólar na China, Índia e Rússia. A seu ver, estas novas potências globais poderão assumir o papel ocupado pelo Japão na década de 80.

Um outro problema da Alemanha é a falta de senso empreendedor. O IMD sublinha que o sistema germânico de valores não apóia o espírito de competição e a cultura nacional impõe barreiras às idéias de fora.

Apesar de todas as suas deficiências, a Alemanha ainda alcançou a 4ª colocação em termos da performance geral (6ª em 2003), e a 10ª em relação à infra-estrutura.