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Ameaça terrorista interrompe viagem do presidente alemão

Neusa Soliz24 de março de 2004

Advertências de que poderia ser vítima de um atentado de terroristas islâmicos levaram Johannes Rau a antecipar seu retorno da África. Ataque estava sendo preparado em Djibuti, onde ele visitaria soldados alemães.

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Johannes Rau (d) na TanzâniaFoto: AP

A viagem à África que o presidente alemão Johannes Rau iniciou dia 16 de março na Nigéria não estava sob boa estrela. Depois de visitar também a Tanzânia, Rau decidiu seguir as recomendações das forças de segurança alemãs e retornar a Berlim. Estas consideraram confiáveis as informações de que estava sendo planejado um atentado contra a sua pessoa ou os carros de sua comitiva.

Atentado seria no Chifre da África

O presidente alemão ainda pretendia visitar as tropas alemãs em Djibuti, que participam da missão internacional contra o terrorismo, Enduring Freedom. Sua função no Chifre da África é controlar o tráfego marítimo na região, para impedir contrabando de armas, explosivos e material que possa ser usado em ataques terroristas. São principalmente unidades da Marinha alemã que ali se encontram e Johannes Rau visitaria a fragata Augsburg.

"Eu não vou admitir que os terroristas ditem meus planos de viagem", declarou Rau em Daressalem, a capital da Tanzânia. No entanto, ele se convenceu de "teria exposto muitas pessoas a um alto perigo", se cumprisse sua agenda como previsto. Diante da missão, em si perigosa, dos soldados que ele iria visitar, não seria sensato assumir esse risco.

O serviço secreto alemão recebeu informações, em Djibuti, de que terroristas islâmicos queriam atingir "um alto representante dos países ocidentais" e preparavam um atentado contra Rau e sua comitiva. E foi preciso insistir com o presidente alemão para que cancelasse a última etapa da viagem. Rau foi informado que corria pessoalmente um alto risco e também não poderia ser garantida a segurança da sua delegação e dos soldados que ele pretendia visitar.

Ameaças atrapalharam agenda de Rau

Há três dias as forças de segurança obtiveram as primeiras informações dos planos terroristas. Por isso, em Arusha, no norte da Tanzânia, o presidente foi alojado em um hotel diferente do previsto. Em vez de sair do hotel, Rau recebeu seus interlocutores ali mesmo, entre eles o presidente do Tribunal Penal Internacional para a Ruanda, com sede nessa cidade. A Tanzânia recebeu milhares de refugiados do genocídio na Ruanda, pelo que o presidente alemão ressaltou o papel do país para a estabilidade da região.

Na véspera da visita de Rau a Zanzibar, ilha que faz parte da Tanzânia, houve dois pequenos atentados, sem vítimas e feridos. Uma granada foi atirada na casa do secretário dos Transportes e outra num restaurante freqüentado por turistas do ocidente. Há tensões políticas e religiosas entre o governo central a ilha de Zanzibar, onde a população islâmica é maioria absoluta.

Na terça-feira (23), as advertências foram reforçadas. Não se sabe ainda que grupo estaria por trás do atentado. Nem as autoridades em Djibuti nem o comando das tropas norte-americanas no país sabiam dos planos terroristas.

Concentração de tropas em Djibuti

Horn von Afrika Fregatte Lübeck wird gegen die Augsburg getauscht
Marinha alemã ao trocar a fragata Lübeck pela Augusburg, em Djibuti, em fevereiro de 2004Foto: AP

Alguns observadores consideram improvável um atentado justamente no Chifre da África, que consideram um lugar seguro justamente pela maciça presença militar. Mas essa concentração, tratando-se das forças armadas norte-americanas e de outros países ocidentais, no marco da luta contra o terrorismo, poderia justamente atrair terroristas.

Calcula-se que estejam estacionados em Djibuti 2.500 soldados franceses e 1.500 americanos. O contingente alemão, que já foi de 1.200 homens, ficou reduzido agora a 250.

A visita de Rau à África é sua penúltima viagem ao exterior no exercício do cargo. Em 23 de maio, será eleito seu sucessor na presidência, cargo de caráter mais representativo na Alemanha, onde os negócios de governo são da alçada do chanceler federal.

Nova política de cooperação com a África

Na Nigéria, o segundo principal parceiro comercial da Alemanha na África, Johannes Rau ressaltou o engajamento do país nas missões de paz no continente. E discursou perante a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS), com sede na capital nigeriana.

Na ocasião, elogiou a restruturação da Organização da Unidade Africana e o estabelecimento de estruturas regionais, baseadas em parcerias. Quanto mais os países africanos tomarem a iniciativa de resolver seus problemas, maior será a disposição em apoiar a África - essa a posição defendida por Rau, que expressa a nova visão da ajuda alemã para o continente.