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Coalizão de Scholz é castigada em eleições estaduais alemãs

8 de outubro de 2023

Social-democratas, liberais e verdes que compõem o governo Olaf Scholz registraram perdas nas eleições dos estados da Baviera e Hessen. Oposição conservadora e ultradireita, por outro lado, tiveram ganhos.

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Eleição na Baviera
Eleição na Baviera confirmou domínio do conservador Söder na política local, mas também mostrou avanço da ultradireitaFoto: Wolfgang Maria Weber/picture alliance

Os três partidos que compõem a coalizão nacional liderada pelo chanceler federal Olaf Scholz foram castigados pelos eleitores em duas eleições estaduais neste domingo (08/10), que eram encaradas como um termômetro da confiança dos alemães no atual governo alemão.

As primeiras estimativas, divulgadas pela rede ARD, mostram que verdes, liberais e social-democratas perderam terreno nas eleições da Baviera e de Hessen, dois estados que estão entre os mais ricos da Alemanha e somam cerca de um quinto da população do país.

Já os conservadores e a ultradireita, que estão na oposição no plano federal, registraram ganhos neste domingo e podem ser considerados os principais beneficiários da crescente reprovação do governo Scholz, que enfrenta críticas de parte do eleitorado sobre como vem lidando com problemas como aumento de custo de vida, imigração ilegal e uma recessão econômica que afeta o país. No final de agosto, uma pesquisa mostrou que apenas 25% dos eleitores alemães aprovam a gestão do chanceler federal.

Hessen: conservadores ganham terreno significativo

Em Hessen, sede da capital financeira da Alemanha, Frankfurt, a previsão é que os conservadores da União Democrata-Cristão (CDU) conquistem 34,5% dos votos, um ganho de 7,5 pontos percentuais em relação ao último pleito estadual, em 2018. Já o Partido Social-Democrata (SPD), do chanceler federal Olaf Scholz, deve conquistar 15,1%, quase cinco pontos a menos do que em 2018.

As sondagens indicam que o atual governador, Boris Rhine (CDU), deve continuar a liderar o governo de Hessen. Atualmente, Rhine comanda uma coalizão que conta com os verdes, que devem obter 14,8% dos votos – cinco pontos a menos do que em 2018.

O resultado em Hessen foi especialmente duro para Nancy Faeser (SPD), atual ministra do Interior do chanceler Scholz, que concorria ao governo no pleito estadual e sofreu em debates quando o tema da imigração ilegal se tornou uma questão importante na eleição. O SPD está há mais de duas décadas na oposição em Hessen.

"Tivemos muitos ventos contrários, vimos isso nas sondagens. É por isso que não é tão surpreendente, mas ainda assim muito decepcionante", disse Faeser, comentando o fraco desempenho do seu partido.

O Partido Liberal-Democrático (FDP, na sigla em alemão), que no plano federal controla o crucial ministério das Finanças do governo Scholz, também perdeu terreno no pleito em Hessen. As sondagens indicam que os liberais devem obter 5% dos votos no estado, batendo por pouco na cláusula de barreira de 5% que permite contar com assentos no legislativo.

A ministra Nancy Faeser e o chanceler Scholz
A ministra Nancy Faeser e o chanceler Scholz. Social-democratas sofreram derrota amarga em HessenFoto: Andreas Arnold/dpa/picture alliance

Além da CDU do governador Rhine, a ultradireita ganhou terreno em Hessen. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) deve obter 18,4% dos votos no estado, tornando-se a segunda maior força política de Hessen, ultrapassando os verdes e os social-democratas.

O desempenho da AfD em Hessen reflete recentes sondagens nacionais colocam o partido em segundo lugar na preferência do eleitorado da Alemanha, com pouco mais de 20% das intenções de voto na próxima eleição federal, apenas atrás da CDU.

Resultados em Hessen:

  • CDU (conservadora): 34,5% (+7,5 pontos percentuais em relação ao pleito de 2018)
  • Afd (ultradireita): 18,4% (+5,3)
  • SPD (centro-esquerda): 15,1% (-4,7)
  • Verdes (centro-esquerda): 14,8% (-5)
  • FDP (liberais): 5% (-2,5)
  • FW (independentes): 3,5% (+0,5)
  • A Esquerda (esquerda): 3,1% (-3,2)
  • Outros: 5,6% (+2,1)

Baviera: conservador Söder se mantém no poder, mas vê ultradireita avançar

Na Baviera, o maior estado da Alemanha em área e um dos mais ricos do país, o partido irmão da CDU, a União Social Cristã (CSU), que governa a Baviera desde 1957, permaneceu mais uma vez no topo neste domingo. Segundo sondagens, a CSU caminha para obter 36,4% dos votos. É o pior resultado da sigla no estado desde 1950, mas ainda assim apenas ligeiramente atrás dos votos recebidos em 2018, no que pode ser considerado uma vitória num momento em que várias legendas tradicionais da política alemã perdem terreno.

Com o resultado, o governador Markus Söder, uma figura de projeção nacional, que costuma criticar o governo do chanceler federal Olaf Scholz, especialmente em questões de imigração e política climática, deve continuar no poder. Söder governa em coalizão com a federação Eleitores Livres (FW), de tendência populista conservadora, que devem obter 15,3% dos votos. Juntos, a CSU e os FW devem contar com deputados suficientes para manter o mesmo governo,

Para verdes, liberais e social-democratas, os resultados na Baviera foram amargados. Atualmente na segunda posição entre os maiores partidos no estado, os verdes devem cair para o quarto lugar, obtendo 14,7% dos votos, contra 17,6% em 2018.

Já o SPD de Scholz, que é tradicionalmente fraco na Baviera, deve receber apenas 8%, 1,7 ponto percentual a menos que no último pleito.  

Mas o maior derrotado da eleição estadual bávara deve ser o FDP, que também está no governo federal. As sondagens indicam que o partido deve obter menos de 3% dos votos, 2,2 pontos percentuais abaixo do seu resultado de 2018, ficando abaixo da clausula de barreira de 5% para garantir assentos no Parlamento estadual. Dessa forma, os liberais não devem mais contar comn deputados estaduais na Baviera.,

Já a AfD, que de certa forma disputa o mesmo eleitorado de Söder em temas como migração e críticas à política climática de Scholz, deve receber 16% dos votos, 5,8 pontos percentuais a mais do que em 2018, o que deve colocar o partido na posição de maior força opositora ao governo liderado pela CSU. Söder, um conservador tradicional, advertiu durante a campanha que a AfD era “destrutiva para a democracia” e fez pesadas críticas ao partido, afirmando que os ultradireitistas eram “vassalos de Putin”.  

Markus Söder CSU
O governador bávaro Markus Söder, que é crítico tanto do governo federal quanto dos ultradireitistas da AfDFoto: TOBIAS SCHWARZ/AFP

Resultados na Baviera

  • CSU (conservadora): 36,4% (-0,8 ponto percentual em relação ao pleito de 2018)
  • Afd (ultradireita): 16% (+5,8)
  • FW (independentes): 15,3% (+3,7)
  • Verdes (centro-esquerda): 14,7% (-2,9)
  • SPD (centro-esquerda): 8% (-1,7)
  • FDP (liberais): 2,9% (-2,2)
  • Outros: 6,7% (-1,9)

AfD celebra resultados

A liderança da AfD celebrou neste domingo o seu cresciemtno em Hessen e na Baviera.  °Ao longo dos anos, conseguimos convencer cada vez mais pessoas da nossa política baseada na liberdade”, disse a colíder da AfD, Alice Weidel, à emissora pública ZDF. “Os cidadãos de Hessen e da Baviera deixaram claro que estão fartos da privação de direitos, da desapropriação e de uma política de migração que não pode ser justificada por nada."

Alice Weidel AfD
Alice Weidel, colíder da AfD, celebrou ganhos do seu partido neste domingoFoto: WOLFGANG RATTAY/REUTERS

No entanto, apesar dos ganhos, o resultado deve ter pouca ultilidade prática imediata para a AfD, que não deve ser convidada para compor nenhum dos dois governos estaduais. E os resultados, embora demonstrem crescimento, também estão atrás do desempenho mais forte que a AfD costuma registrar em estados no leste alemão, onde a porcentagem de votos recebidas pelo partido tem dificultado a formação de governos locais.