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Colômbia manterá negociações de paz com ELN

31 de março de 2016

Com objetivo de por fim a décadas de conflito armado, governo colombiano anuncia início das conversações com o segundo maior grupo guerrilheiro do país. Diálogos devem ocorrer em Brasil, Chile, Cuba, Equador e Venezuela.

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Exército da Liberação Nacional (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia
Foto: picture-alliance/dpa/C. E. Mora

O governo da Colômbia e o Exército da Liberação Nacional (ELN), segundo maior grupo guerrilheiro do país, anunciaram formalmente o início de uma negociação de paz, a fim de encerrar o conflito armado mais antigo da América Latina.

As duas partes "concordaram em estabelecer um diálogo público para abordar os pontos previstos na agenda" das discussões e "chegar a uma Colômbia em paz", afirma a declaração conjunta divulgada por representantes do governo e do ELN.

O anúncio foi feito por Frank Pearl, representante do governo de Bogotá, e pelo comandante do ELN, Antonio García, após uma reunião nesta quarta-feira (30/03) em Caracas, capital da Venezuela.

O primeiro ciclo de conversações pode ser iniciado em menos de dois meses, afirmou García, acrescentando que ambas as partes trabalham com o Equador para definir uma data.

Pearl, por sua vez, indicou que as conversações devem continuar no Brasil, Chile, Cuba, Equador e Venezuela – países que atuarão como "avalistas", juntamente com a Noruega.

"Desde 1991 nos esforçamos para participar de processos de diálogo de paz. A tentativa atual está bem mais madura", disse Pablo Beltrán, porta-voz do ELN. "Conscientes das limitações, estamos dispostos a fazer tudo que for necessário."

Por outro lado, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que as negociações só terão início depois que forem solucionados diversos "temas humanitários", como o fim dos sequestros.

"Para o governo, não é aceitável avançar numa conversação de paz com o ELN enquanto [esse grupo] mantiver pessoas sequestradas", disse o líder em declaração na Casa de Nariño, sede da Presidência em Bogotá.

Frank Pearl declarou que o governo não sabe o número exato de reféns mantidos pelo ELN, mas que a Colômbia trabalha "para resolver esse problema a fim de avançar para a fase pública" dos diálogos de paz.

As conversações com o ELN serão feitas de forma independente das que decorrem há três anos, em Cuba, com a rebelião das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o maior grupo guerrilheiro do país, com cerca de 7 mil combatentes.

Discussões a respeito das conversações de paz entre o ELN e o governo de Juan Manuel Santos foram iniciadas em janeiro de 2014 , mas até então não foi possível chegar a um acordo sobre a agenda de negociações e a logística do processo.

O ELN, inspirado na Revolução Cubana, teve origem em uma insurreição camponesa de 1964, semelhante às Farc, e ainda mobiliza cerca de 1,5 mil combatentes. Ambos grupos guerrilheiros são considerados organizações terroristas pela Europa e Estados Unidos.

O complexo conflito armado colombiano se prolonga há mais de 50 anos e envolve guerrilhas de extrema-esquerda, paramilitares de extrema-direita e forças armadas, além de grupos ligados ao narcotráfico. Acredita-se que tenha deixado, até então, mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,6 milhões de deslocados.

EK/abr/dpa/efe/rtr