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Comissão Europeia abre processo de dumping contra indústria solar chinesa

6 de setembro de 2012

Fabricantes europeus de energia solar abrem processo contra concorrentes chineses, acusados de venderem produtos abaixo do preço de produção. China desaprova a decisão e defende uma saída negociada para a discussão.

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Foto: picture-alliance/dpa

A Comissão Europeia abriu um processo para avaliar a importação, no continente, de módulos de captação de energia solar produzidos na China. Os chineses são acusados pelos fabricantes europeus de praticarem dumping (venda de produtos por preços muito baixos, a fim de dominar o mercado). As importações europeias desses produtos chineses chegam a movimentar 21 bilhões de euros por ano.

Com o processo, os europeus tentam reagir à concorrência que consideram desleal. Segundo a Comissão, as autoridades de defesa da livre concorrência de mercado devem verificar as acusações, e já indicam que há "indícios suficientes" de que este pode ser o caso. Agora, o comissário europeu do Comércio, Karel de Gucht, terá 15 meses para definir uma medida a ser tomada.

China reage com desaprovação

Vinte e cinco empresas europeias de energia solar apresentaram em julho no departamento europeu anticartel uma queixa de dumping contra a indústria solar da China. Para conseguir oferecer preços tão baixos, os comerciantes estariam recebendo robustos subsídios do governo em Pequim. Entre 70% e 80% dos painéis solares na Europa estariam sendo importados da China, segundo levantamento da União Europeia (UE).

Grandes nomes da indústria solar chinesa como Yingli, Suntech, Trina e Canadian Solar ameaçam, em retaliação, com uma guerra comercial. O governo chinês também desaprovou a decisão da Comissão Europeia. O Ministério chinês do Comércio divulgou que o governo "lamenta profundamente" a decisão da Comissão Europeia de ter aceitado o processo "apesar dos repetidos apelos da China de tentar resolver a discussão por meio de consulta e de cooperação".

Chineses teriam uma fatia de até 80% do mercado europeu
Chineses teriam uma fatia de até 80% do mercado europeuFoto: picture-alliance/dpa

O fundador do grupo Solarworld, Frank Asbeck, um dos principais iniciadores do processo desencadeado por empresas europeias, saudou o passo da Comissão Europeia. Ele espera que os chineses retornem a "atividades econômicas razoáveis". Asbeck diz que a China é a principal culpada pelo aumento dos conflitos. "Não se inicia uma guerra comercial com um processo de dumping, mas sim com alguém praticando dumping."

Governo alemão quer solução

O ministro alemão do Meio Ambiente, Peter Altmaier, espera que a discussão chegue a uma solução de comum acordo. Segundo ele, o início do processo não impede que neste "meio-tempo se busque um outro caminho para acabar com as controvérsias", afirmou Altmaier.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, defendeu posição semelhante durante sua recente visita a Pequim. Ela defendeu uma saída política para o problema, para que "os dois lados não se armem novamente". Ela quer que a Comissão Europeia faça uma proposta de negociação.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, os fabricantes de energia solar conseguiram uma vitória preliminar contra os concorrentes chineses. O Departamento de Comércio norte-americano já introduziu taxas de importação antidumping provisórias para os produtos chineses. Uma decisão final está sendo aguardada para os próximos meses.

MSB/dpa/rtr
Revisão: Carlos Albuquerque