Como os israelenses veem a vitória de Trump

Como os israelenses veem a vitória de Trump

Direita de Israel vê um parceiro ideológico no futuro presidente americano e prefere fazer vista grossa para os recentes incidentes antissemitas registrados entre os seus apoiadores.

A conferência do movimento "alt-right" no fim de semana passado deixou claro: há um espírito de otimismo entre os radicais de direita dos Estados Unidos. Após gritos de heil Trump! e declarações antissemitas, seguiu-se na plateia a saudação nazista.

Enquanto, nos Estados Unidos, judeus liberais se mostraram chocados com a eleição de Donald Trump e a nova onda de crimes antissemitas, poucas reações foram registradas em Israel.

Mas agora políticos de oposição reagiram. A ex-ministra do Exterior Tzipi Livni, do partido de centro-esquerda União Sionista, afirmou estar profundamente perturbada e acrescentou que políticos de todo mundo precisam dizer que "não há lugar para isso" nas suas sociedades.

Já o presidente do partido liberal Yesh Atid, Yair Lapid, apelou aos políticos americanos para que condenem tais "expressões de simpatia por nazistas".

Situação tensa

Trump se distanciou do movimento de extrema direita "alt-right", ao qual seu futuro conselheiro-chefe, Steve Bannon, ofereceu uma plataforma com seu site Breitbart News. Mas a nomeação de Bannon é apenas um exemplo de uma série de incidentes com conotações antissemitas. Eles incluem, por exemplo, a publicação de uma ilustração contra Hillary Clinton durante a campanha, trazendo notas de dólar e uma estrela semelhante à de Davi.

O clima político e social nos Estados Unidos é tenso. "Desde os anos 30 que a comunidade judaica americana não experimentava tamanho grau de antissemitismo no discurso político e público", alertou a influente Anti-Defamation League, organização ativa na luta contra a discriminação dos judeus.

USA Wahlen Proteste gegen Donald Trump

Cartaz de manifestante compara bilionário a Hitler: clima tenso nos EUA

Mas entre os políticos em Israel predomina uma compreensão tácita de que se deve aceitar o resultado das eleições democráticas nos EUA e que não se deve melindrar o maior parceiro estratégico do país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu saudou oficialmente a eleição de Trump. Na coalizão de direita de Netanyahu há pessoas que veem um parceiro ideológico no novo presidente dos Estados Unidos. Nacionalistas esperam obter agora sinal verde dos americanos para a continuação dos assentamentos na Cisjordânia.

Um ministro do partido nacional-religioso Casa Judaica até mesmo expressou seu apoio explícito a Bannon. E Naftali Bennett, ministro da Educação e presidente do mesmo partido, reuniu-se recentemente com assessores de Trump para discutir alternativas para a solução de dois Estados. Netanyahu respondeu com uma repreensão considerada atípica, afirmando que nenhum membro de seu gabinete deve fazer contato com assessores de Trump antes que as linhas políticas do futuro governo dos EUA estejam claras.

Bom para Israel, ruim para os judeus nos EUA?

O próprio Trump até agora se mostrou ao lado de Israel. Por isso, ele goza da aprovação da direita do país. Para ela, é mais importante o apoio do presidente dos Estados Unidos, por exemplo, em questões de segurança – tais como a prevenção de um Irã com tecnologia nuclear – do que as preocupações dos judeus nos Estados Unidos. E isso inclui fazer vista grossa para o antissemitismo nos EUA.

A jornalista Tal Shalev, da editoria de política do site de notícias israelense Walla, vê essa situação com preocupação, temendo que as relações entre Israel e os judeus americanos sejam prejudicadas. "É um dilema para Israel: o que é bom para o país pode ser ruim para os judeus nos EUA. É importante que Israel demonstre mais solidariedade com a comunidade judaica americana", afirma.

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O jornal de esquerda Haaretz também vê nessa situação como uma ameaça, mas também uma oportunidade. "Nunca houve tamanha oportunidade, para os judeus liberais em ambos os países, de se entenderem e terem uma causa comum, de apoiarem uns aos outros em tempos difíceis", escreve a publicação.

Política

Chefe de gabinete

Reince Priebus, líder do Partido Republicano, vai chefiar o gabinete da Casa Branca. Ele, que atualmente preside o Comitê Nacional Republicano, foi o principal aliado de Trump durante a corrida presidencial. Ao nomear Priebus, o magnata volta-se para um veterano de Washington, muito próximo dos caciques republicanos.

Política

Estrategista

Stephen Bannon, ex-diretor do portal de notícias da extrema direita "Breitbart News", será o chefe estrategista do governo Trump. Ele também trabalhou na campanha presidencial. A nomeação de Bannon foi denunciada por grupos de defesa e democratas, que o acusam de opiniões racistas, antissemitas e misóginas.

Política

Segurança Nacional

O general reformado Mike Flynn foi apontado como assessor de segurança nacional da Casa Branca. Flynn tem em seu registro uma série de declarações polêmicas sobre muçulmanos. Segundo a imprensa americana, a escolha é uma mescla de experiência e controvérsia. Como vice, Trump nomeou Kathleen Troia McFarland, conhecida como K.T. McFarland, analista da Fox News sobre segurança nacional.

Política

Inteligência Nacional

Como novo diretor de Inteligência Nacional (DNI), o ex-senador Dan Coats será o principal assessor presidencial em temas de inteligência e vai supervisionar todos os serviços de informação e espionagem. Coats já trabalhou nos comitês de Inteligência e das Forças Armadas no Senado e também foi embaixador dos EUA na Alemanha.

Política

Secretário de Justiça

Jeff Sessions, senador conservador do estado do Alabama, será o secretário de Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos. Sessions tem discurso linha-dura e muitas vezes inflamatório sobre imigração. Em 1986, ele foi indicado para juiz federal pelo então presidente Ronald Regan, mas teve nomeação suspensa por comitê do Senado, sob acusação de racismo.

Política

CIA

O deputado republicano Mike Pompeo foi apontado para dirigir a agência de inteligência dos Estados Unidos – a CIA. Pompeo, que é membro do Comitê de Inteligência da Câmara, ganhou destaque por seu papel na investigação do Congresso sobre o ataque de 2012 ao consulado americano em Benghazi, na Líbia. Durante a campanha presidencial, o republicano foi um crítico ferrenho de Hillary Clinton.

Política

Representante na ONU

Nikki Haley, governadora da Carolina do Sul, ocupará o cargo de embaixadora nas Nações Unidas. Primeira mulher a ser nomeada para um cargo importante do futuro governo Trump, ela teve sua indicação criticada pela falta de experiência anterior com política externa. Filha de imigrantes indianos, Haley chegou a trocar farpas com o magnata durante a campanha, dado o tom racista do colega de partido.

Política

Secretária de Educação

Betsy DeVos será secretária de Educação. A bilionária foi presidente do Partido Republicano no Michigan e preside a organização American Federation for Children, que propõe que os pais possam recorrer a fundos públicos para escolher a escola que seus filhos vão frequentar, seja particular ou religiosa. É também opositora declarada dos sindicatos de professores, chegando a chamá-los de "inimigos".

Política

Secretário do Tesouro

Steven Mnuchin foi indicado para ser secretário do Tesouro. Chefe financeiro da campanha do magnata, ele já trabalhou para o grupo bancário Goldman Sachs e foi presidente da empresa Dune Capital Managment, que financiou filmes como "Avatar". Em entrevista à imprensa americana, afirmou que sua prioridade será diminuir os impostos de empresas, como Trump havia prometido durante a campanha eleitoral.

Política

Secretária de Transportes

A americana de origem chinesa Elaine Chao deve comandar a Secretaria de Transportes do país. Ela terá um papel fundamental no cumprimento da promessa eleitoral de Trump de reformar a infraestrutura de transporte dos Estados Unidos. Chao foi vice-secretária da pasta durante o governo George Bush, de 1989 a 1991, e secretária de Trabalho de 2001 a 2009, com George W. Bush.

Política

Secretário de Comércio

O bilionário Wilbur Ross, conhecido por investir e retomar o lucro de empresas falidas, é a escolha de Donald Trump para chefiar o Departamento do Comércio no seu governo. O empresário ajudou a moldar as propostas econômicas da campanha do presidente eleito dos Estados Unidos.

Política

Secretário de Defesa

O general reformado da Marinha, James Mattis, deverá comandar o Departamento de Defesa americano. Considerado um militar "linha-dura", Mattis liderou operações em todo o Oriente Médio, como a que invadiu o Iraque em 2003. Ele é conhecido pelo apelido "Cachorro Louco" (Mad Dog).

Política

Secretário de Saúde e Serviços Humanos

O deputado republicano e cirurgião Tom Price foi escolhido por Trump para a pasta de Saúde e Serviços Humanos e para administrar os programas de seguro de saúde do governo, entre eles o Affordable Care Act, que ficou conhecido como ObamaCare. Nos planos do secretário está a redefinição desses programas.

Política

Conselheiro da Casa Branca

Donald McGahn, conselheiro geral da equipe de transição de Donald Trump, foi escolhido para servir como advogado da Casa Branca. Segundo especialistas, a prevenção de escândalos está entre as tarefas principais deste cargo.

Política

Pequenas Empresas

A magnata Linda McMahon foi a escolha de Trump para o posto de secretária de Pequenas Empresas. McMahon entrou para o mundo da política ao se candidatar para o Senado pelo estado de Connecticut, sem sucesso, em 2010. Desde o início ela apoiou a campanha presidencial de Trump.

Política

Habitação

O neurocirurgião aposentado Ben Carson foi nomeado para o posto de secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Carson, que concorreu com Trump na lista de candidatos presidenciais republicanos, nunca ocupou um cargo público. Até agora, ele é o afro-americano mais bem posicionado no novo governo dos EUA.

Política

Segurança Interna

O general aposentado da Marinha John F. Kelly foi a escolha de Trump para chefiar o Departamento de Segurança Interna, o terceiro maior departamento do governo americano, com mais de 240 mil funcionários. Dentre as funções do novo secretário está o combate ao terrorismo e a proteção do presidente.

Política

Proteção Ambiental

O procurador-geral do estado de Oklahoma, Scott Pruitt, será o chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA). Pruitt é criticado por negar a mudança climática e por ser um defensor dos combustíveis fósseis. O procurador interpôs várias ações judiciais contra a regulamentação da administração Obama, implementada pela EPA, para reduzir as emissões pela indústria do carvão.

Política

Ministério do Trabalho

Andrew Puzder, chefe da rede de fast foods CKE, foi apontado como o próximo ministro do Trabalho. Segundo Trump, o empresário de 66 anos é ideal para o cargo por ter criado milhares de postos de trabalho. Puzder, contudo, também ficou conhecido por ser contra a fixação de um salário mínimo de nove dólares a hora. Ele alega que isso prejudica os lucros.

Política

Secretário de Estado

O CEO da multinacional de gás e petróleo ExxonMobil, Rex Tillerson, foi escolhido para o cargo de secretário de estado. Tillerson, de 64 anos, não tem experiência no setor público. Ele começou na ExxonMobil em 1975 e, em 2006, tornou-se o CEO da companhia. A relação estreita que o novo secretário de Estado mantém com o presidente russo, Vladimir Putin, foi apontada como motivo de preocupação.

Política

Energia

O ex-governador do Texas Rick Perry foi escolhido como secretário de Energia. Segundo analistas, é provável que ele adote uma política distante das energias renováveis e favorável aos combustíveis fósseis, cuja produção ele defendeu como governador por 14 anos. Nas duas últimas eleições presidenciais, Perry foi pré-candidato pelo Partido Republicano, sem sucesso.

Política

Exército

O bilionário Vincent Viola foi escolhido para o cargo de secretário do Exército. Aos 60 anos e filho de imigrantes italianos, ele é dono de um time de hóquei e da Virtu Financial. Seu único vínculo com a carreira militar vem de quando era jovem: Viola se graduou na prestigiada academia militar de West Point.

Política

Conselho Nacional de Comércio

O economista linha-dura em relação à China, Peter Navarro chefiará o recém-formado Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca. Navarro é autor de livros incluindo "Death by China: How America Lost its Manufacturing Base" (Morte pela China: como os EUA perderam a sua base industrial, em tradução livre). Professor da Universidade da Califórnia, ele tem sugerido intensificar as relações com Taiwan.

Política

Interior

Ryan Zinke, 55, republicano de Montana e membro do subcomitê da Casa Branca para recursos naturais, votou a favor de leis que enfraqueceriam as salvaguardas ambientais em terras públicas. Ele tomou posições favoráveis à indústria do carvão, a qual foi prejudicada durante o governo Obama.

Política

Comércio

Robert Lighthizer, 69, serviu como vice-representante comercial dos EUA durante o governo Reagan nos anos 80 e, desde então, atuou por quase três décadas como advogado na defesa de empresas americanas em processos anti-dumping e anti-subvenções. Crítico ferrenho da política comercial chinesa, Lighthizer defende medidas mais agressivas ao lidar com o país asiático.

Política

Agricultura

O ex-governador da Geórgia Sonny Perdue, de 70 anos, serviu no comitê consultivo agrícola da campanha de Trump. Republicano, ele serviu no Senado estadual e cumpriu dois mandatos como governador, de 2003 a 2011. Posteriormente, fundou a Perdue Partners, uma empresa global de comércio que presta consultoria e serviços para empresas interessadas em exportar produtos.