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Crise na Europa mina êxito da Rio+20, diz representante do Deutsche Bank

18 de junho de 2012

Caio Koch-Weser fez parte do governo alemão e participa da Rio+20 como vice-presidente do banco alemão. Chefes de Estado virão à conferência com a atenção voltada para outro tema: a crise financeira.

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Caio Koch-WeserFoto: AP

As chances de a Rio+20 impor compromissos de impacto são baixas: a crise financeira na Europa é a maior preocupação dos chefes de Estados no momento, acredita Caio Koch-Weser, vice-presidente do grupo Deutsche Bank. Ele participa das discussões no Rio de Janeiro, mas não acredita que os governos façam promessas para atingir as mudanças desejadas.

Nascido no Brasil, Koch-Weser trabalhou no Banco Mundial e foi vice-ministro das Finanças do governo alemão entre 1999 e 2005. Enquanto a discussão na conferência esbarra na definição do conceito de economia verde, a Alemanha aponta o caminho para alcançar a meta de fontes 100% renováveis em sua matriz energética até 2020, diz.

Deutsche Welle: Será possível salvar o mundo a partir do Rio de Janeiro enquanto a Europa trabalha para salvar os bancos?

Caio Koch-Weser:Não se trata de salvar bancos, mas toda a sociedade na Grécia e na Espanha, os jovens sem ocupação, etc. É preciso salvar esses países, e não os bancos.

Ao mesmo tempo, pode-se salvar o futuro do planeta nas negociações da Rio+20?

Não. O problema é que a crise imediata que agora nos abate atrai toda a atenção. Por isso, acredito que é preciso fazer uma ligação inteligente entre a crise imediata por meio de uma transformação para uma economia com oportunidade de crescimento renovada, que seja sustentável e socialmente justa.

Isso quer dizer, uma transição saindo da crise a partir de uma transformação estrutural e crescimento sustentável. E isso pode ser um “combustível” para o crescimento, como foi no passado a revolução de TI (Tecnologia da Informação). Isso pode acontecer com as energias renováveis, tecnologia inovadora, eficiência energética. É preciso encontrar um caminho para sair dessa crise rumo a uma transformação que combata crises futuras.

E esse caminho será encontrado aqui no Rio?

Não. Mas isso pode ser discutido aqui. Só que isso vai durar mais tempo. A Rio+20 pode contribuir para essa discussão. E esse caminho também precisa ser apontado pela sociedade civil e pelo setor privado. Não se pode sobrecarregar a política.

O senhor espera que os líderes mundiais assumam mais responsabilidade em prol do desenvolvimento sustentável?

Eu espero e aguardo que isso aconteça. Mas não está assegurado que isso aconteça. É possível que eles sigam ações [que a conferência irá sugerir no documento final]. A atenção dos chefes de Estado está dedicada a outro tema.

O que seria para a Alemanha o conceito economia verde?

Nós já estamos no caminho [da economia verde]. Com a nossa mudança da matriz energética, já estamos no caminho. E com nossas energias renováveis, que compõem 20% da nossa oferta de energia, ela deve subir para até 40%. Estamos a caminho de sermos uma sociedade e economia mais sustentável. E, nesse sentido, a Alemanha é uma líder mundial.

Entrevista: Nádia Pontes, do Rio de Janeiro
Revisão: Roselaine Wandscheer