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E-Call acionará resgate em caso de acidente

tj14 de fevereiro de 2005

A Comissão Européia e representantes da indústria elaboram um projeto para ser posto em prática já no ano que vem nas estradas européias. Trata-se de um sistema que aciona o resgate imediatamente após uma colisão.

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Sistema pode evitar mortes ao agilizar o atendimento à vítimaFoto: AP

Futuramente todos os veículos saídos de fábrica poderão ter um sistema integrado, que permitirá acionar o serviço de salvamento automaticamente após uma colisão. A idéia é que os passageiros acidentados possam ser socorridos no menor tempo possível, aumentando suas chances de sobrevivência. Uma pesquisa de campo de dois anos do RAAC, clube automobilístico espanhol, mostrou que o resgate feito de maneira ágil produziu uma queda de 11% no número de mortos no trânsito.

A implementação deste sistema é o que a Comissão Européia, a Associação da Indústria Automobilistica Européia (ACEA) e a Organização Ertico (uma parceria público-privada para a introdução de sistemas inteligentes no trânsito) planejam para reduzir o número de mortes nas estradas.

A proposta é que, a partir de 2009, todos os automóveis produzidos na Europa saiam de fábrica já equipados com o sistema de emergência, denominado E-Call. "Esta tecnologia permitirá que seu carro salve sua vida", afirma Viviane Reding, comissária responsável pela Sociedade da Informação na União Européia.

Funcionamento do E-Call

Rettungshubschrauber von ADAC
Helicóptero de resgate do ADAC: quanto mais ágeis as ações de salvamento, maiores as chances de evitar mortesFoto: ADAC

Segundo dados da UE, anualmente cerca de 50 mil pessoas perdem a vida em estradas de toda a Europa, sendo que duas mil delas – assim os cálculos de especialistas – poderiam ter sobrevivido, se tivessem o E-Call instalado. Isso porque seu funcionamento permite três ações de emergência simultâneas, o que poupa um precioso tempo no resgate.

Imediatamente após a colisão, a base de resgate mais próxima do veículo é acionada, recebendo a exata localização do acidente. Desta forma, uma unidade de salvamento poderá ser enviada mesmo sem receber o contato da vítima ou de testemunhas. Outro fator importante é que o E-Call permitirá que o acidentado entre pessoalmente em contato com a unidade, podendo passar-lhe informações importantes para agilizar ainda mais seu atendimento.

Conforme o planejamento, o sistema deverá ser desenvolvido até o final deste ano, para ser testado em 2006. Nos dois anos seguintes, as unidades de resgate serão equipadas com o E-Call, podendo receber as primeiras chamadas a partir de 2009.

A Comissão Européia ainda não divulgou os custos do projeto, mas calcula-se que a instalação do aparelho em cada veículo novo deverá custar entre 500 e 1000 euros. Já as adaptações nas unidades de resgate de toda a Europa deverão custar entre 200 e 800 milhões de euros. Na Alemanha, os Estados é que bancarão as modificações, uma vez que são eles os responsáveis pela defesa civil no país.

Considerações e dúvidas

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De acordo com o ADAC, um dos problemas é que a implementação do sistema levará anos, pois a cada ano somente 4,4% dos automóveis nas ruas são novosFoto: AP

Para especialistas existe um certo ceticismo em torno do E-Call. "Aprovamos qualquer sistema que ajude pessoas em perigo a conseguir ajuda", afirma Peter Hemschik, do ADAC de Munique, "mas é necessário que a relação custo/benefício esteja correta", conclui ele. Neste aspecto, o Automóvel Clube da Alemanha vê algumas questões ainda em aberto, como a maneira que o alarme será disparado – através do acionamento do airbag ou pela intensidade da batida.

Outra questão levantada pelo ADAC é que a instalação do equipamento é um processo que poderá levar anos, já que na Alemanha aproximadamente 45 milhões de veículos são liberados para rodar nas estradas do país anualmente, mas somente entre 3 e 3,5 milhões deles saem novos das fábricas. Com relação ao sigilo dos dados armazenados, o ADAC não vê grandes problemas, já que o E-Call só é ativado em casos de emergência.

O eurodeputado Markus Ferber também vê o projeto com certa desconfiança. Apesar do acordo entre a Comissão Européia e representantes da indústria ainda não estar oficialmente assinado, essa discussão faz com que haja uma "grande pressão moral sobre os países-membros" para que façam parte da iniciativa, segundo Ferber.