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Urna verde-amarela

26 de setembro de 2009

Brasileiros que vivem na Alemanha e têm direito de voto falam a DW-WORLD.DE sobre os candidatos de sua preferência e as expectativas diante das eleições parlamentares.

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Brasileiros com passaporte alemão têm direito de votoFoto: DW

Mais de 31 mil brasileiros vivem hoje na Alemanha, segundo dados oficiais do Departamento Federal de Estatística alemão. Boa parte deles tem dupla nacionalidade e, com isso, estão aptos a votar nas eleições parlamentares de domingo (27/09).

O voto na Alemanha não é obrigatório. Mesmo assim, muitos brasileiros fazem questão de ir às urnas e suas preferências políticas são um tanto diversificadas. Grande parte simpatiza com o Partido Verde, mas também há quem vote em liberais e conservadores, cada um com suas próprias razões.

Eleitores estreantes

Darci Weihs vive há 22 anos na Alemanha e vai votar para chanceler federal pela primeira vez. Filiada ao Partido Verde, a empresária e presidente do Círculo Brasileiro de Colônia conquistou a dupla nacionalidade em 2007 e se diz muito satisfeita em poder participar da escolha dos governantes do país em que de fato vive.

Leiterin des Circulo Brasileiro de Colonia
Darci Weihs é filiada ao Partido VerdeFoto: DW / Brandao

As eleições do próximo domingo também representam a estreia na vida política alemã de João de Oliveira, designer gráfico. Ele representa uma minoria de brasileiros que vai votar em um partido conservador, a União Democrática Cristã (CDU), da atual premiê Angela Merkel. Por simpatizar com as propostas do partido para a integração de estrangeiros na sociedade, explica.

Voto no partido

Diferente do sistema político brasileiro, na Alemanha o eleitor vota num partido, sem escolher um candidato. Para o músico Clóvis Alessandri, isso torna mais fácil decidir o voto. "Além do mais, aqui os candidatos não têm tanto peso individualmente", diz ele, que se identifica com o Partido Social Democrata (SPD) e o Partido Verde, apesar de simpatizar com Merkel.

"Ela está no partido errado e é a mais social-democrata da CDU. Acho que se estivesse no SPD, seria a candidata mais votada de todos os tempos", opina.

Mas votar em partidos e não em pessoas nem sempre é visto como uma vantagem. Selma Peine, presidente e fundadora do Clube Alemão-Brasileiro da cidade de Essen, pensa justamente o contrário.

Segundo ela, no Brasil o eleitor se sente mais próximo do candidato e de seus projetos. "Já na Alemanha o cidadão pode até se identificar com o candidato, mesmo que o partido deixe a desejar, o que torna a decisão mais difícil", justifica ela, que se identifica com o Partido Liberal Democrata (FDP) e seus projetos em relação aos aposentados, ao sistema de saúde e à redução de impostos.

O que mais lhe chama a atenção é a forma como as eleições são divulgadas nos dois países. "No Brasil, a propaganda eleitoral gratuita é motivo de deboche, muita gente desliga a TV. Na Alemanha, pelo contrário, pouco se ouve sobre os políticos, tem alguns debates na televisão, em algumas cidades acontecem comícios, mas não há uma propaganda massiva", compara.

Há também quem baseie suas escolhas políticas na tradição histórica dos partidos. A estudante de Ciências Políticas Maíra de Aguiar Schmidt ressalta que vota no partido de personalidades importantes como Willi Brandt e Helmut Schmidt. "Me identifico com o SPD, apesar de certas decepções nos últimos tempos. É um partido de esquerda liberal e com forte tradição política na Alemanha", argumenta.

Visão sobre a política alemã

Depois de quatro anos vivendo na Alemanha, Tiago Buckup, PhD em Física, reparou que os alemães se empolgam na hora de dar palpites sobre a composição das coligações, mas não discutem seriamente sobre o assunto. "Eu acredito que ainda falta um debate amplo sobre a viabilidade das propostas de cada partido", observa o eleitor do Partido Social Democrata (SPD).

Brasilianische Dermatologin in Deutschland
Dermatologista Luise Maria Splieth vota em prol do meio ambienteFoto: DW

A médica dermatologista Luise Maria Splieth acredita que os eleitores, tanto no Brasil quanto na Alemanha, precisam participar mais das decisões, em vez de ficar só observando. "O brasileiro, por exemplo, só sabe criticar o governo, mas a responsabilidade de mudar é de cada um", diz.

Ela vota no Partido Verde desde que chegou à Alemanha há 20 anos por se identificar com suas iniciativas. que vão além das questões ambientais e tratam também da integração de estrangeiros, por exemplo.

No geral, o Partido Verde é bem visto pelo eleitorado brasileiro na Alemanha. Para o professor de Português Ricardo Alves de Barros, ele trouxe "mais cor às discussões políticas nos últimos anos".

Autor: Erika Andrade Brandão

Revisão: Rodrigo Rimon