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EUA e Rússia chegam a consenso sobre armas químicas sírias

Augusto Valente14 de setembro de 2013

Reunidos em Genebra, secretário de Estado americano, John Kerry, e ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, concordam sobre plano para destruição de armas químicas sírias. Assad tem uma semana para expor seu arsenal.

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John Kerry (e) e Serguei Lavrov falam em coletiva de imprensa, em GenebraFoto: Philippe Desmazes/AFP/Getty Images

Nas conversações sobre o conflito na Síria, os Estados Unidos e a Rússia chegaram a um consenso sobre a destruição do arsenal químico do regime Assad. Segundo este, a Síria teria um prazo de uma semana para prestar informações sobre seus armamentos químicos.

Depois de três dias de negociações, o secretário de Estado americano, John Kerry, e seu homólogo russo, Serguei Lavrov, anunciaram em coletiva de imprensa, neste sábado (14/09) em Genebra, que o governo do presidente Bashar al-Assad deverá apresentar, dentro de uma semana, uma listagem completa da quantidade e do tipo de armas químicas que possui. Além disso, a Síria deverá liberar imediatamente aos inspetores das Nações Unidas o acesso a todos os seus arsenais.

Estados Unidos e Rússia também concordaram sobre como proceder na destruição das armas químicas sírias. Os passos nesse sentido serão acompanhados da preparação de uma segunda conferência sobre a Síria, país há mais de dois anos assolado pela guerra civil.

Medidas de coerção

Todo o arsenal químico sírio deverá ser destruído fora do país até meados de 2014, informou Kerry na coletiva de imprensa, assinalando que a ameaça americana de intervenção militar no país ainda é válida.

Caso o acordo não seja cumprido, medidas coercivas serão aplicadas, disse o secretário de Estado, acrescentando que agora o mundo espera que o regime Assad cumpra imediatamente a promessa de destruição de seu arsenal químico. "Não há mais espaço para joguinhos, só deverá haver a completa obediência por parte do regime Assad."

Kerry informou que não houve ainda nenhum acordo sobre quais medidas o Conselho de Segurança da ONU poderá autorizar, caso a Síria não cumpra sua parte. Tanto ele como Lavrov concordam que uma resolução da ONU deveria conter a possibilidade do emprego da violência, segundo o Capítulo 7° da Carta das Nações Unidas, afirmou.

Esse capítulo prevê medidas que vão de sanções a ataques militares, em caso de ameaça à paz mundial. Kerry e Lavrov salientaram, ao mesmo tempo, que é desejo dos EUA e Rússia darem prioridade a uma solução pacífica para o conflito na Síria.

Serguei Lavrov classificou o acordo como uma "decisão baseada no consenso, compromisso e profissionalismo". Mas é quase certo que Moscou vete qualquer resolução que inclua uma ação militar. O chefe da diplomacia russa indicou os limites do uso de tal ação. "Nada foi dito sobre o uso da força ou sobre quaisquer sanções automáticas. Todas as sanções têm que ser aprovadas pelo Conselho de Segurança."

Conversações "excelentes"

Durante a coletiva, John Kerry agradeceu enfaticamente a disposição do presidente russo, Vladimir Putin, para um acordo sobre a destruição das armas químicas na Síria. Lavrov disse que as negociações alcançaram os objetivos do presidente americano, Barack Obama, e de Putin. Segundo o ministro russo, as conversações com Kerry foram "excelentes".

Alemães e franceses também saudaram o resultado das negociações. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, reagiu com alegria ao acordo entre Kerry e Lavrov. "Se atos sucederem agora às palavras, aumentam bastante as chances para uma solução política." Por sua vez, o chanceler francês, Laurent Fabius, declarou que o acordo para a eliminação das armas químicas sírias seria um "divisor de águas".

No entanto, o Exército Livre da Síria, braço armado dos opositores de Assad, rejeitou o acordo entre os EUA e a Rússia. O único objetivo dessa iniciativa seria ganhar tempo, criticou o principal comandante rebelde, Salim Idriss, em coletiva de imprensa em Istambul. "Nós vamos ignorar completamente a proposta e continuar a lutar, até a queda do regime", assegurou Idriss.

CA/dpa/afp/rtr