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Facebook desativa "rede de desinformação" no Brasil

25 de julho de 2018

Dezenas de páginas e perfis destinados a propagar notícias falsas na rede social são tirados do ar após "rigorosa investigação", segundo a empresa. Contas seriam operadas pelo MBL, que critica medida como censura.

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Facebook
Facebook denunciou rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas Foto: picture-alliance/PA Wire/D. Lipinski

O Facebook informou nesta quarta-feira (25/07) que desativou 196 páginas e 87 perfis da rede social no Brasil. Em nota, a empresa afirma que as contas excluídas formavam uma "rede de desinformação", destinada a divulgar notícias falsas.

A plataforma não identificou as páginas ou usuários punidos. No entanto, fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters afirmam que a rede que foi alvo do Facebook era operada por membros do Movimento Brasil Livre (MBL).

O comunicado, assinado por Nathaniel Gleicher, líder de Cibersegurança do Facebook, explica que as remoções foram feitas após "rigorosa investigação" e que as páginas punidas fazem parte "de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação".

Páginas como Jornalivre e O Diário Nacional, ligadas ao MBL, estão entre as que foram retiradas do ar, segundo a Reuters. De acordo com as fontes ouvidas pela agência sob condição de anonimato, as páginas desativadas juntas somam mais de meio milhão de seguidores.

Um dos líderes do grupo MBL, Kim Kataguiri, usou a sua página pessoal na rede social na tarde desta quarta-feira para criticar a punição. Ele diz que a rede social está "censurando páginas de direita". Kataguiri também divulgou uma nota oficial do MBL com críticas à ação do Facebook e ao que o movimento chama de "viés político e ideológico" da empresa.

Fundado em 2014 na esteira de protestos que ocorreram no país, o MBL se declara apartidário e afirma ter sido criado para combater a corrupção. O movimento acabou se tornando uma das principais vozes a favor do afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff e organizou diversos protestos a favor do impeachment pelo país.

Após o anúncio do Facebook, o procurador da República Ailton Benedito, do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás, encaminhou um ofício para o escritório da empresa em São Paulo pedindo detalhes sobre a remoção das 196 páginas e 87 perfis da rede social. De acordo com nota publicada no portal do MPF, a procuradoria cobra a lista de todas as contas removidas e a "justificativa fática específica" para cada página ou perfil punido. O ofício estabelece prazo de 48 horas para a resposta.

O pedido foi feito através de um inquérito civil aberto pelo mesmo procurador em outubro do ano passado contra a rede social. O procedimento investiga uma denúncia de possível censura do Facebook contra usuários que protestaram contra a "Exposição Queer", em Porto Alegre (RS). A exposição foi cancelada na época após críticas nas redes sociais, muitas partindo do próprio MBL. 

Pressão internacional

Em 2017, o Facebook reconheceu que perfis falsos na plataforma e outros métodos foram usados para influenciar a opinião pública durante a eleição presidencial americana de 2016. Após grande pressão internacional, a direção da empresa prometeu combater a propagação de notícias falsas na rede social.

Como não cair em "fake news"?

No primeiro semestre deste ano, o presidente da empresa, Mark Zuckerberg, foi convocado para prestar esclarecimentos no Senado dos EUA e no Parlamento Europeu sobre como o uso da rede social pode afetar eleições.

Além das eleições de 2016, em que Donald Trump foi eleito presidente dos EUA, há indícios de que informações coletadas através da rede social serviram para a campanha a favor do Brexit antes dor referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia.

A ação do Facebook no Brasil ocorre um dia após a rede social anunciar que vai aplicar mudanças no Brasil para as eleições de outubro. A principal é a necessidade dos candidatos e partidos se cadastrarem para fazer anúncios eleitorais na rede social. Os usuários poderão ver o valor pago e dados de quem efetuou o pagamento do anúncio do político ou partido. O Brasil é o segundo país a receber essa alteração, o primeiro foi os EUA.

HP/rtr/ots

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