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Kiev diz que leste do país pode estar "a um passo do abismo"

10 de maio de 2014

Na véspera das consultas populares sobre a separação de regiões ucranianas, Kiev alerta para perigo de divisão. Alemanha e França classificaram votações de "ilegais" e ameaçam ampliar sanções contra Moscou.

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Em Donetsk, urnas são preparadas para consulta popular sobre separação da UcrâniaFoto: Brendan Hoffman/Getty Images

Na véspera das planejadas consultas populares sobre a secessão de regiões no leste ucraniano, Kiev alertou neste sábado (10/05) para o perigo de uma divisão do país. Alemanha e França classificaram de "ilegais" as votações, previstas para o domingo, e ameaçaram novas sanções contra a Rússia, caso as eleições presidenciais ucranianas agendadas para 25 de maio não se realizem.

O presidente interino da Ucrânia, Olexandr Turtchinov, escreveu neste sábado em seu site internet que o voto afirmativo será "um passo em direção ao abismo", com "destruição total" da economia, programas sociais e "da vida em geral" para a maioria da população de Donetsk e Lugansk. Ele renovou sua disposição de participar de uma rodada de negociações sobre mais autonomia para aquelas regiões do leste. No entanto, descartou a participação de "terroristas" nas conversas, referindo-se às milícias armadas que ocuparam prédios administrativos e da polícia.

Cerca de 3 milhões de habitantes das regiões orientais Donetsk e Lugansk foram convocados para optar no domingo se desejam ou não permanecer parte do país. Separatistas pró-russos decidiram manter a data da votação, apesar de o presidente russo, Vladimir Putin, ter pedido um adiamento.

Ameaça de guerra civil

Observadores afirmam que a Ucrânia está ameaçada de entrar numa guerra civil. O leste do país vem sendo nos últimos dias abalado por severos combates entre forças governamentais e milicianos pró-Rússia, com alto número de mortos. Na véspera do referendo, a situação nas principais cidades da região é tensa.

Angela Merkel Francois Hollande Stralsund Deutschland 10.5.2014
Hollande e Merkel em Stralsund: apelo por fim da violência na crise ucranianaFoto: ODD ANDERSEN/AFP/Getty Images

No entanto, não foram registrados novos combates, depois que de sete a 20 pessoas foram mortas na cidade portuária de Mariupol, na sexta-feira. Em Donetsk, os insurgentes libertaram vários funcionários da Cruz Vermelha que haviam sido detidos por cerca de sete horas.

"Referendos são ilegais"

"Os referendos planejados em várias cidades no leste da Ucrânia são ilegais", afirmaram a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, em comunicado conjunto, após encontro na cidade de Stralsund, no norte da Alemanha. Eles apelaram para que, em vez disso, todos os ucranianos se concentrem na eleição presidencial.

"Caso não ocorram eleições presidenciais reconhecidas internacionalmente, o país pode se desestabilizar ainda mais", disseram os dois líderes, ameaçando "consequências" para a Rússia, se a eleição não ocorrer. Eles não definiram que consequências seriam essas, mas fizeram referências à cúpula da União Europeia de 6 de março, onde fora discutida a possibilidade de sanções econômicas.

Os EUA e a EU, que já impuseram sanções específicas contra dezenas de políticos e empresas, acusam Moscou de incitar a crise no leste da Ucrânia. Merkel e Hollande condenaram o que classificaram como "inaceitável perda de vidas" na Ucrânia e exigiram que "todas as partes se abstenham de violência, intimidação ou provocações".

MD/rtr/dpa