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Há razões para se reclamar da economia alemã?

jam (sm)13 de dezembro de 2004

Os alemães deviam estar felizes com o desempenho econômico do país em 2004. Após três anos de estagnação, a economia cresceu 1,8%. Mas mesmo assim as pessoas não param de reclamar. Quais os motivos?

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Os indicadores econômicos seriam motivo de otimismo, mas os alemães continuam reclamandoFoto: AP

Quem ouve os alemães falando da própria economia pensa que o apocalipse não vai tardar. Mas, na realidade, o ano de 2004 foi bastante bem-sucedido. Embora a economia não tenha crescido notavelmente, rompeu-se uma estagnação de três anos. O DAX, índice das maiores empresas alemãs na bolsa de Frankfurt, teve um crescimento lento, mas contínuo. As exportações atingiram volumes recordes, superando as previsões econômicas.

Apesar de o DAX ter tido um desempenho satisfatório durante pelo menos 18 meses, ainda se nota uma certa relutância em investir no mercado. Os alemães já têm tradicionalmente maior aversão ao risco do que outras nacionalidades. Além disso, o fato de uma série de ofertas públicas iniciais (IPOs) não ter tido o desempenho esperado ocasionou ainda maior cautela no mercado financeiro.

"As pessoas estão observando o desenvolvimento com muito, muito cuidado", constata Klaus Nieding, de uma associação alemã de proteção aos pequenos acionistas. Esta postura ainda foi legitimada de certa forma pela trajetória das ações da provedora de internet T-Online, subsidiária da Deutsche Telekom, que estão sendo oferecidas por uma quantia inferior a nove euros, exatamente um terço da cotação inicial no começo de 2000.

Consumidores tímidos

Não só as bolsas de valores, mas também as caixas registradoras estão esperando em vão pelo dinheiro saído do bolso dos alemães. As maiores reclamações partem do comércio varejista, o setor que mais reclama da estagnação do consumo. O lamento seguiu ininterrupto ao longo de todo o ano de 2004.

DW-TV Made in Germany 20.02.2003 Interview Gustav Horn
Gustav Horn

"Os gastos privados continuam sendo o calcanhar de Aquiles da economia alemã", afirma Gustav Horn, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW). "E o aumento dos rendimentos familiares é fraco demais para se poder esperar uma reversão do quadro."

Os economistas dizem que os fundamentos de uma verdadeira recuperação econômica já estão aí. Só o consumidor é que não ajuda, impossibilitando que a situação melhore visivelmente.

"Já atravessamos o Vale das Lágrimas", disse o ministro alemão da Economia, soando como um pregador que tenta persuadir sua congregação desconfiada. "A Alemanha está se levantando. Estou dizendo a vocês, as coisas estão indo bem de novo na Alemanha."

Explosão de exportações

A razão de otimismo no quadro econômico alemão se deve basicamente às exportações. Este segmento sempre foi um componente importante do motor econômico do país, mas em 2004 parece ter sido o único.

Os exportadores tiveram um superávit recorde de 160 bilhões de euros este ano, um volume que ultrapassou de longe as expectativas. Este êxito foi suficiente para compensar a estagnação no setor de construção e a fraca demanda interna.

No entanto, a festa das exportações não promete durar muito tempo, segundo previu Horn em um relatório recente. As exportações alemãs vão acompanhar a desaceleração do crescimento econômico mundial no próximo ano, de acordo com diversas análises econômicas.

Também há quem tema que a alta do euro venha a prejudicar os exportadores, caso continue em ascensão meteórica, encarecendo os produtos alemães no exterior. O euro teve mais uma valorização recorde em relação à moeda norte-americana na semana passada, chegando a 1,34 dólar. O mercado indica que o dólar promete cair ainda mais num futuro próximo. E os exportadores já começam a sentir a tendência.

Trabalho demais ou trabalho nenhum

Mais um motivo de reclamação entre os alemães este ano foi o debate sobre um possível aumento da jornada de trabalho. Os contratos de trabalho em certos setores estipulam o limite de 35 horas semanais. Sob a alegação de que a indústria corre o risco de perder em competitividade, os empregadores exigiram que a jornada de trabalho fosse estendida para 40 horas semanais, em parte sem nenhum aumento de remuneração.

Michael Rogowski
Michael RogowskiFoto: AP

"Se a jornada semanal fosse de 40, em vez de 35 horas, isso implicaria uma redução de 15% nos gastos com salários", avaliou Michael Rogowski, presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI).

A alternativa de recorrer à mão-de-obra barata de países asiáticos ou até mesmo na vizinhança, no Leste Europeu, é um trunfo dos empregadores que enfraquece as reivindicações de trabalhadores e sindicatos. E os empregadores estão dispostos a usar este trunfo: ou os sindicatos fazem concessões quanto à jornada de trabalho e à política salarial, ou a produção pode ser transferida de Stuttgart para a Eslováquia, de Essen para a Estônia.

Este, sim, seria um verdadeiro motivo para reclamar.