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Independência militar da UE ainda é ilusão

ef9 de dezembro de 2003

Ministro alemão da Defesa, Peter Struck, defende papel mais forte da União Européia frente à Otan e aos EUA. Mas adverte que a segurança da Europa ainda vai depender da aliança transatlântica durante muito tempo.

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Struck (centro): UE vai levar anos para superar déficitsFoto: AP

Apesar dos esforços europeus por mais independência da política de segurança e militar dos Estados Unidos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de supremacia americana, manterá sua importância fundamental como garantia da segurança na Europa. Esta a previsão do ministro da Defesa da Alemanha, na abertura de uma conferência internacional sobre segurança em Berlim. Ciente das limitações militares da União Européia em relação aos EUA na Otan, Peter Struck advertiu expressamente os europeus a não terem ilusões de uma rápida independência militar. A UE planeja uma tropa de reação rápida para até 2007, no mais tardar.

Struck calcula que a UE vai levar anos para superar os problemas de vontade política e dos déficits na capacidade militar dos países membros. As relações transatlânticas implicam divisão de encargos e de responsabilidades entre os parceiros com valores e interesses iguais, destacou o ministro. Seria necessário também disposição para aceitar que uma Europa forte não tem nem terá uma opinião igual ao do parceiro americano. Mas teria de valer sempre o lema "América e Europa permanecem a primeira opção de um para o outro".

Ações européias autônomas

- Struck manifestou a expectativa de que a proposta conjunta da Alemanha, França, Bélgica e Luxemburgo para melhoria da capacidade de planejamento e comando de ações autônomas da UE seja logo aceita por todos os lados. Conforme o plano dos quatro aliados, a Otan permaneceria a primeira opção para operações em casos de conflito, com participação de aliados europeus e americanos. Mas no caso de a Otan não poder ou não querer se engajar, um comando militar da União Européia em Bruxelas criaria uma capacidade própria para planejamento estratégico. E, neste caso, seria escolhido um quartel-general para o comando de operações da tropa de reação rápida européia. Na Alemanha, por exemplo, seria o quartel-general em Potsdam.

NATO Außenministertreffen - Powell
Colin Powell mostra compreensão com plano europeu de independência militarFoto: AP

Sem concorrência desnecessária

- Com esta solução poderiam ser criadas as condições básicas para a UE atuar militarmente também sem os meios e as capacidades da Otan. Não se trataria de uma concorrência desnecessária com a aliança transatlântica, mas de um complemento necessário para a UE e a Otan na política de segurança. O chefe do Departamento de Estado americano, Colin Powell, reconheceu há poucos dias, pelo menos para a imprensa, que a o plano europeu não implicaria uma duplicação das estruturas da Otan, como acusou o seu colega da Defesa, Donald Rumsfeld.

Plano alterado e aceito por Washington

- Há anos que os Estados Unidos manifestam o desejo de que cada membro da Otan se engajasse mais em crises. Alguns membros da UE querem contribuir para isto, mas não sob o comando americano e sim com uma política de defesa e de segurança européia. Por isto a Alemanha, França, Bélgica e Luxemburgo apresentaram o plano de independência militar da UE em abril, que se deparou, inicialmente, com resistência na Otan, sobretudo dos EUA. No final de novembro a UE chegou a um consenso, em Nápoles, sobre um plano aceito por Washington, que não duplicaria as estruturas da Otan nem seria uma concorrência para a aliança transatlântica.

O plano prevê que em 2007, no mais tardar, a UE estará em condição de colocar em ação uma tropa de reação rápida, no espaço de poucos dias, em regiões em crise. O contingente deve ser de 1500 a 5 mil soldados. A primeira condição para cada país membro contribuir com soldados e equipamentos é disposição política para ajudar a criar as capacidades e estruturas necessárias, segundo o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer. Alguns países pequenos receiam, porém, que seja criado na UE um núcleo em torno da Alemanha e da França.