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Inspeção de armas químicas na Síria pode ser demorada, afirma ex-inspetor

Christian Ignatzi (rc)19 de setembro de 2013

Controle efetivo de armas químicas da Síria é tarefa difícil, mas pode trazer bons resultados, avalia o ex-inspetor da ONU Robert Schmucker, que participou de uma missão no Iraque.

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Inspetores da ONU avaliam o uso de gás sarin na SíriaFoto: Reuters

O acordo para a destruição das armas químicas da Síria, acertado entre EUA e Rússia, prevê que inspetores internacionais tenham acesso a instalações no país árabe.

Uma inspeção desse porte não é tarefa simples. Ainda assim, se bem conduzida, pode levar à destruição de uma boa parte dos armamentos, afirma o professor de engenharia aeroespacial Robert Schmucker, da Universidade Técnica de Munique.

Entre 1995 e 1998, ele participou de inspeções da ONU no Iraque, então governado pelo ditador Saddam Hussein. Na ocasião, examinou fábricas no país e encontrou evidências de um amplo programa de mísseis.

Deutsche Welle: O senhor trabalhou como inspetor de armas da ONU no Iraque entre 1995 e 1998. Lá esteve em várias fábricas suspeitas de produzir tecnologia para a fabricação de mísseis. Como o senhor sabia onde procurar?

Robert Schmucker: O governo iraquiano nos deu essas informações. Estivemos em diversos centros e comparamos as condições com os dados fornecidos pelo governo.

Nas fábricas, como o senhor identificava sinais de onde as armas poderiam estar armazenadas?

Recebíamos indicações dos próprios trabalhadores. Tínhamos que ver onde poderia haver algo. É um trabalho de detetive. Deve-se buscar informações e avaliá-las para depois incluí-las no contexto que se tem da situação. É um trabalho árduo, mas se podemos contar com pessoas que o desempenham com o cuidado necessário, é possível esclarecer de maneira bem ampla a questão das armas proibidas.

Como transcorre uma inspeção numa fábrica?

Robert Schmucker Raketenexperte
Schmucker participou de missão no Iraque governado por Saddam HusseinFoto: picture-alliance/dpa

Ao chegarmos numa fábrica, examinávamos as instalações e tomávamos conhecimento do que se fazia no local. Dependíamos principalmente do que nos diziam os trabalhadores.

Que liberdade vocês tinham para escolher os locais a serem inspecionados?

Chegávamos de surpresa nas fábricas, para que os trabalhadores não tivessem muito tempo para esconder alguma coisa. Muitas vezes mudávamos a nossa rota em cima da hora. Eles não tinham como esconder muita coisa.

Uma vez aconteceu de eu encontrar peças suspeitas numa fábrica. Eu retornei para alertar a nossa equipe. Quando voltamos ao local, as peças já haviam sumido. Naquela época, no Iraque, até aviões foram enterrados na areia do deserto para serem escondidos de nós. Esse tipo de coisa só é possível saber por meio de indicações.

É possível acreditar nas informações fornecidas por um ditador?

Não. Mas quando se consegue estabelecer boas relações com o pessoal dele, pode surgir um relacionamento interpessoal que ajuda a obter mais informações.

Quando será possível haver um controle efetivo dos armamentos na Síria?

Isso certamente levará muito tempo. Algumas armas devem estar escondidas. Além disso, o regime de Assad vai mais uma vez impor condições. Não devemos esquecer também que existe a mão protetora da Rússia. No entanto, acredito que poderemos avançar até o ponto de destruir boa parte dos armamentos.