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Manifestantes ocupam aeroporto de Acapulco por três horas

11 de novembro de 2014

Onda de protestos se instala no país após o anúncio do provável massacre de 43 estudantes em Guerrero. No aeroporto da maior cidade do estado mexicano, manifestantes chamam presidente de assassino.

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Foto: Reuters

Desde o sumiço de 43 estudantes na cidade mexicana de Iguala, em setembro último, o país latino-americano foi tomado por protestos. Nesta segunda-feira (10/11), centenas de estudantes, professores e familiares dos alunos desaparecidos bloquearam o aeroporto internacional de Acapulco, a principal cidade do estado de Guerrero.

O aeroporto foi ocupado durante três horas. Nas paredes do terminal aéreo, os manifestantes escreveram frases como "Somos todos Ayotzinapa" – cidade próxima a Iguala, em Guerrero, onde os alunos estudavam – e "Peña Nieto assassino", mencionando o nome do presidente mexicano que se encontra, no momento, na China.

Antes da marcha para o aeroporto, foram registrados confrontos entre os manifestantes e a polícia, que deixaram 18 policiais e nove manifestantes feridos, nenhum com gravidade.

Os protestos desta terça-feira se sucedem a violentos confrontos ocorridos no sábado na capital de Guerrero, Chilpacingo, e na Cidade do México, após as autoridades terem anunciado que suspeitos de integrarem uma gangue de tráfico de drogas haviam confessado a morte dos 43 estudantes e a incineração dos cadáveres.

Na noite de domingo, um pequeno grupo de manifestantes tentou invadir o Palácio Nacional da Cidade do México. Os cerca de 20 manifestantes encapuzados atearam fogo à porta principal do edifício histórico do século 16, onde escreveram "Queremo-los de volta vivos". O grupo, no entanto, não conseguiu entrar no palácio.
Nesta segunda-feira, o porta-voz do governo, Eduardo Sanchez, disse que o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, está "verdadeiramente magoado" devido à tragédia dos estudantes de Ayotzinapa, mas que não podia perder a oportunidade de promover os investimentos no país durante a sua viagem à China e Austrália.

Mexiko Protest Flughafen Acapulco
Manifestantes bloqueiam acesso ao aeroporto de AcapulcoFoto: Reuters

"Ya me cansé"

Também nesta segunda-feira, o procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, justificou a polêmica frase "Ya me canse" (eu cansei), que proferiu na última sexta-feira e que tem sido usada pelos manifestantes, como também nas redes sociais, como slogan contra a violência e a impunidade no México.

Visivelmente cansado, Karam utilizou a frase durante uma coletiva de imprensa com a intenção de evitar mais perguntas dos jornalistas, depois de mais de uma hora fazendo a reconstrução dos fatos envolvendo o desaparecimento dos 43 estudantes mexicanos.

"Quando eu disse 'estou cansado', quis dizer que estou cansado disso, dessa violência brutal", disse o procurador-geral em entrevista à TV. Karam afirmou ainda que já perdeu muitas horas de sono e que ficou comovido após um encontro com os pais dos jovens.

Mexikanischer Generalstaatsanwalt Jesus Murillo Karam bei PK zur Ermordung der 43 Studenten in Guerrero
Murillo Karam: "Ya me cansé" ("eu cansei")Foto: picture-alliance/dpa/M. Guzman

"Não tenho por que mentir, sou tão humano como qualquer um e também me canso. Passei 30 dias dormindo quatro horas por noite, e cada dia tinha 40 horas", disse.

Mortos e incinerados

Em 26 de setembro, três estudantes da Escola Normal de Ayotzinapa, no sul do México, e outras três pessoas foram assassinadas a tiros por policiais municipais, possivelmente por ordem do ex-prefeito de Iguala.

No mesmo dia, os policiais detiveram outros 43 jovens, entregando-os posteriormente a membros do grupo criminoso Guerreros Unidos. Estes teriam matado os estudantes e queimado os corpos, mantendo acesa uma fogueira durante mais de 14 horas, segundo o testemunho de um dos autores do crime.

Os investigadores encontraram restos de ossos e cinzas numa lixeira do município de Cocula, vizinho a Iguala, bem como em oito sacos lançados num rio pelos criminosos. O DNA dos restos será agora analisado por um laboratório na Áustria. Enquanto as investigações não forem concluídas, os jovens continuam sendo considerados desaparecidos.

CA/dpa/afp/lusa