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Marina Silva anuncia apoio a Aécio Neves na corrida presidencial

Mariana Santos12 de outubro de 2014

Ao declarar seu voto ao candidato tucano, a ambientalista destaca compromissos assumidos por Aécio um dia antes com pontos "mais relevantes" de seu programa e defende a alternância de poder.

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Foto: Miguel Schincariol/AFP/Getty Images

A ambientalista Marina Silva (PSB) anunciou neste domingo (12/10), em São Paulo, seu apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência da República. O anúncio vinha sendo aguardado com muita expectativa. Marina é considerada um cabo eleitoral de peso que poderá desequilibrar o resultado nas urnas no segundo turno da disputa presidencial.

Ao anunciar seu voto no candidato tucano, Marina comparou o atual momento político no país com a situação de 2002, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva representava uma alternância política, com a garantia de que as conquistas econômicas obtidas durante os anos do governo Fernando Henrique seriam mantidas.

"A alternância de poder agora fará bem ao Brasil", afirmou Marina, ressaltando que as conquistas sociais do governo Lula precisam ser mantidas. Durante o anúncio, a ambientalista destacou o compromisso de Aécio com os "aspectos mais relevantes" do programa defendido por ela ao longo de sua campanha, e que fora discutido em audiências públicas.

Esses compromissos foram incluídos na carta "Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável", apresentada neste sábado por Aécio Neves durante evento político no Recife.

"Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o Brasil pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro", afirmou a ex-ministra, defendendo que é preciso deixar de lado a "política destrutiva" e discutir "temas estratégicos para o desenvolvimento do país". Marina, no entanto, fez questão de ressaltar que Aécio assume esses compromissos com "os brasileiros" e não com ela em troca de apoio.

Entre os compromissos destacados por Marina estão o fim da reeleição para cargos no Executivo, considerada por ela como "fonte de corrupção e de mau uso das instituições do Estado", a instituição do ensino integral, a aceleração da reforma agrária, a transformação do Bolsa Família em programa de Estado e a elaboração de uma agenda estratégica para a política energética do Brasil.

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Aécio e Dilma disputam os 22 milhões de votos de Marina SilvaFoto: picture-alliance/dpa

Marina ainda criticou o atual governo, afirmando que a estabilidade econômica está "abalada com a volta da inflação e pela insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas" – sem se referir diretamente, porém, aos recentes escândalos envolvendo a Petrobras.

"Não estou fazendo nenhum acordo ou aliança para governar, o que me move é a minha consciência", garantiu a ambientalista. "Assumo minha posição com a responsabilidade de quem sabe que teve mais de 20 milhões de votos", disse.

Disputa pelo legado de Marina

Configurando durante boa parte da campanha eleitoral em segundo lugar nas pesquisas de opinião, Marina Silva acabou perdendo o fôlego na reta final e foi ultrapassada por Aécio Neves, ficando em terceiro lugar com 21% dos votos no dia 5 de outubro e, portanto, fora da disputa do segundo turno com a candidata petista, Dilma Rousseff.

Os tucanos esperam que, com o apoio de Marina, Aécio possa atrair a maior parte dos 22 milhões de eleitores que votaram na ex-senadora. Aliados da ambientalista afirmavam, ainda no sábado, que os compromissos feitos por Aécio iriam abrir caminho para que ela declarasse apoio ao tucano. As apostas eram que, caso não apoiasse o candidato do PSDB, Marina iria se declarar neutra neste segundo turno, como fez em 2010.

Aécio declarou que concordava em parte com as condições colocadas por Marina durante um evento de campanha no Recife, no qual apareceu ao lado dos filhos e da mulher de Eduardo Campos, ex-candidato do PSB à presidência morto em um acidente aéreo no dia 13 de agosto. Por meio de uma carta, lida pelo filho mais velho de Campos, a viúva do político reafirmou o apoio da família ao tucano.

Luiz Inacio Lula da Silva und Dilma Rousseff
Lula ao lado da sucessora Dilma Rousseff: para Marina, alternância de poder "fará bem ao Brasil"Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images

Em entrevista coletiva em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff minimizou o apoio de Marina a seu adversário nas urnas. Para Dilma, o anúncio não implica na transferência automática dos votos da candidata derrotada no primeiro turno para Aécio. A candidata à reeleição afirmou ainda ser "compreensível" que Marina tenha apoiado o tucano, por conta, segundo ela, da afinidade dos programas de governo dos dois.

"Ela (Marina) é a favor da independência do Banco Central, eles são a favor de reduzir o papel dos bancos públicos, nós não somos. Isso significaria acabar com o Minha Casa, Minha Vida, reduzir toda política de conteúdo local. Tem coisa que eu não incorporo nem que a vaca tussa", disse Dilma.

De olho no nordeste

Em outro evento, na cidade pernambucana de Sinharém, Aécio garantiu se for eleito será lembrado como "o melhor presidente do Nordeste". Os estrategistas do PSDB esperam que o apoio de Marina e da família Campos possa ajudar a alavancar a votação de Aécio na região, onde o desempenho do tucano foi bem inferior ao de Dilma Rousseff – ele não conseguiu vencer em nenhum estado.

Na Bahia, um dos maiores colégios eleitorais do país, Dilma obteve 61% dos votos válidos no primeiro turno. Aécio e Marina alcançaram, cada um, 18% dos votos. Em Pernambuco, Aécio amargou um terceiro lugar com apenas 5% dos votos, atrás de Dilma (44%), e Marina (48%), que venceu no estado de origem de Eduardo Campos.

Rede neutra

No sábado, a Rede Sustentabilidade, grupo de Marina dentro do PSB, divulgou uma nota na qual "reconhece a legitimidade de Marina Silva, nossa ex-candidata, de se posicionar conforme sua consciência".

A Rede, no entanto, reafirmou que "nenhum dos projetos em disputa" representa as ideias do grupo, e que seguiria independente, "seja qual for o governo que emergir neste segundo turno". Mas que consideraria legítimos os votos de seus militantes em branco, nulo ou em Aécio Neves.