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Morre Paul Allen, cofundador da Microsoft

16 de outubro de 2018

Empresário de 65 anos lutava contra um câncer. Bilionário, comprou clubes esportivos e era conhecido pela filantropia. "Computador pessoal não teria existido sem ele", diz Bill Gates, com quem fundou a Microsoft.

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Paul Allen, cofundador da Microsoft
Bilionário, tecnológo, filantropo e amante da música e do esporte, Paul Allen morre após luta contra um câncerFoto: picture-alliance/AP Photo/E. Thompson

O empresário americano Paul Allen, que fundou a gigante Microsoft nos anos 1970 ao lado de seu amigo de infância Bill Gates, morreu nesta segunda-feira (15/10), aos 65 anos, nos Estados Unidos. Ele vinha lutando contra um tipo de câncer conhecido como linfoma não-Hodgkin.

O anúncio foi feito pela empresa Vulcan, também fundada por ele. "É com profunda tristeza que anunciamos a morte de nosso fundador Paul G. Allen, cofundador da Microsoft e notório tecnológo, filantropo, construtor comunitário, conservacionista, músico e defensor das artes."

A irmã dele, Jody Allen, também se pronunciou: "Meu irmão era um indivíduo notável em todos os níveis. Enquanto a maioria conhecia Paul Allen como tecnólogo e filantropo, para nós ele era um irmão e tio muito querido, além de um amigo excepcional."

"A família e os amigos de Paul foram abençoados por vivenciarem sua inteligência, carinho, generosidade e profunda preocupação. Neste momento de perda e dor para nós – e para tantos outros –, estamos profundamente gratos pelo cuidado e preocupação que ele demonstrou todos os dias", acrescentou Jody em comunicado.

Bill Gates, por sua vez, afirmou estar "com o coração partido pelo falecimento de um dos meus amigos mais antigos e queridos". "Paul era um verdadeiro parceiro e um amigo querido. O computador pessoal não teria existido sem ele", disse em nota.

Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft, descreveu as contribuições de Allen como "indispensáveis". "Como cofundador da Microsoft, ele criou, com seu jeito silencioso e persistente, produtos, experiências e instituições mágicas. E, ao fazê-lo, mudou o mundo."

Allen morreu em Seattle, no estado de Washington, apenas duas semanas depois de revelar publicamente que o linfoma pelo qual fora tratado em 2009 havia retornado.

"Comecei o tratamento, e meus médicos estão otimistas de que terei um bom resultado. Agradeço o apoio que tenho recebido e conto com ele enquanto luto contra este desafio", afirmou o empresário em 1º de outubro. "Planejo lutar contra ele agressivamente."

O linfoma não-Hodgkin, que abrange mais de 20 tipos diferentes de linfomas, é um câncer que se origina no sistema linfático, importante componente do sistema imunológico. No início dos anos 1980, antes de deixar a Microsoft, ele já havia tratado um linfoma Hodgkin, menos comum que o não-Hodgkin, mas também um tipo de câncer.

De startup a gigante da tecnologia

Allen conheceu Bill Gates durante a infância, tendo ambos frequentado a mesma escola particular no norte de Seattle. Mais tarde, os dois amigos abandonariam a faculdade para perseguir o futuro que idealizavam: um mundo com um computador em cada residência.

Gates deixou a Universidade de Harvard em seu primeiro ano para se dedicar em tempo integral à startup criada por ele e seu amigo, então chamada Micro-Soft. Allen, por sua vez, passou dois anos na Universidade do Estado de Washington, antes de também desistir.

Eles fundaram a empresa em abril de 1975, em Albuquerque, no Novo México, mas o grande sucesso veio em 1980, quando a IBM decidiu investir em computadores pessoais e pediu à Microsoft que fornecesse o sistema operacional das máquinas.

Paul Allen e Bill Gates, em 1981, ao lado dos primeiros computadores pessoais
Allen (à esq.) e Gates em foto de 1981Foto: picture-alliance/dpa/Microsoft

A primeira versão de seus dois produtos mais clássicos, o programa de texto Microsoft Word e o sistema operacional Windows, foi lançada em 1983. Em 1991, os sistemas operacionais da Microsoft já estavam presentes em 93% dos computadores pessoais de todo o mundo.

A companhia passou a ser uma das mais importantes do setor de tecnologia, e logo Allen e Gates se tornaram bilionários. Em 2018, a Microsoft voltou a ultrapassar a Google, outra gigante tecnológica, em valor de mercado, chegando a valer 749 bilhões de dólares.

Allen foi vice-presidente executivo da Microsoft para pesquisa e desenvolvimento de novos produtos até 1983, quando renunciou ao cargo após ser diagnosticado com câncer.

Além da Microsoft

Com sua irmã Jody, Allen fundou a Vulcan em 1986, uma empresa de investimentos que supervisiona seus negócios e esforços filantrópicos.

O empresário também foi fundador do Allen Institute for Brain Science, uma organização sem fins lucrativos de incentivo à pesquisa médica, e da empresa do setor aeroespacial Stratolaunch, que construiu um avião destinado a lançar satélites em órbita. Ele também financiou pesquisas em energia gerada por fusão nuclear.

Estima-se que Allen, cuja fortuna é avaliada em 20,3 bilhões de dólares, segundo a Forbes, tenha doado mais de dois bilhões de dólares para caridade. Em 2010, disse acreditar que "aqueles afortunados por alcançarem grande riqueza deveriam investi-la para o bem da humanidade".

Amante do esporte, ele comprou o time profissional de basquete Portland Trail Blazers, aos 35 anos, e o de futebol americano Seattle Seahawks. É também um dos proprietários do clube de futebol Seattle Sounders FC. Allen costumava assistir a jogos de seus times e, às vezes, era visto conversando com jogadores no vestiário.

O bilionário era também um aficionado da música. Tinha uma banda de plantão para tocar com ele sempre que quisesse, e gastou mais de 250 milhões de dólares na criação de um museu totalmente dedicado a seu herói, Jimi Hendrix.

EK/afp/ap/rtr/ots

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