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Morre vítima de estupro que foi incendiada na Índia

7 de dezembro de 2019

Mulher de 23 anos se dirigia à corte para testemunhar contra estupradores quando grupo de homens, incluindo dois dos suspeitos, a atacou e lhe ateou fogo. Ela era ameaçada desde que denunciou a violência.

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Manifestantes seguram cartazes e velas e pedem fim do estupro de mulheres
Manifestantes protestam em Nova Délia após estupro de jovem no início de dezembroFoto: Reuters/A. Fadnavis

Uma mulher de 23 anos vítima de estupro que teve seu corpo incendiado a caminho de um tribunal na cidade de Unnao, no estado de Uttar Pradesh, na Índia, morreu, informaram as autoridades neste sábado (07/12).

A mulher foi atacada por um grupo de homens quando se dirigia a um tribunal para testemunhar contra dois homens suspeitos de a terem estuprado. A polícia prendeu cinco homens, incluindo dois de seus supostos estupradores, sob suspeita do ataque.

Ela foi estuprada em dezembro de 2018 por cinco homens. A polícia prendeu três deles, enquanto outros dois ainda estavam foragidos. Dois deles foram soltos posteriormente após pagar fiança e teriam participado do ataque.

Segundo a imprensa local, ela teria sido espancada e esfaqueada pelo grupo antes de ter sido incendida. Ela teve que andar quase um quilômetro para conseguir ajuda após o ataque.

A jovem sofreu ferimentos graves e foi transportada de avião na quinta-feira de Uttar Pradesh para o Hospital Safdarjung, em Nova Déli, onde morreu na sexta-feira de parada cardíaca, de acordo com o chefe da unidade de queimados do hospital, Shalab Kumar.

O pai da jovem disse que sua família vinha sendo ameaçada pela família de um dos acusados. "Tentamos buscar proteção após o acusado continuar ameaçando minha filha e minha família, mas recebemos pouca ajuda do governo", denunciou.

O governador de Uttar Pradesh, Yogi Adityanath, prometeu que o caso será julgado rapidamente e que os culpados serão punidos rigorosamente.

A morte da jovem ocorreu no mesmo dia em que a polícia do estado de Telangana, no sul do país, matou quatro suspeitos de estuprarem e matarem uma veterinária de 27 anos.

Os quatro homens estavam sob custódia e não haviam sido formalmente condenados. Eles foram mortos pelos policiais na cena do crime, aonde tinham sido levados para a reconstituição do delito. O caso gerou reações adversas no país, com elogios e críticas à ação.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos, um órgão autónomo do parlamento da Índia, anunciou na sexta-feira o envio de uma missão de investigação a Telangana, em resposta a dúvidas de deputados da oposição sobre as circunstâncias das mortes dos suspeitos.

Crimes contra as mulheres têm aumentado no país asiático. Embora o governo tenha duplicado para 20 anos as penas de prisão para estupradores, os ativistas da sociedade civil continuam a exigir uma implementação mais rápida das leis. Cerca de 90% dos processos deste tipo de delito estão parados em tribunais.

De acordo com os mais recentes números oficiais, a polícia indiana registrou 33.658 casos de estupro em 2017 – uma média de 92 por dia. Estima-se, porém, que o número de casos seja bem maior, pois grande parte das vítimas não denuncia a violência por medo.

CN/lusa/rtr/ap

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