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Necessário, mas adequado?

Marion Andrea Strüssmann2 de junho de 2003

A imprensa alemã elogiou a aprovação dos planos de reforma do chanceler Gerhard Schröder na convenção extraordinária do SPD, embora tenha feito ressalvas quanto à eficiência da Agenda 2010.

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Chanceler Gerhard Schröder defende seu plano de reformas sociaisFoto: AP

O plano de reforma do chanceler federal da Alemanha, a chamada Agenda 2010, foi aprovado por 90% dos 524 delegados presentes à convenção extraordinária do Partido Social Democrata (SPD), realizada no último domingo (01/06). As reações da imprensa foram as mais diversas, ainda que todos os jornais concordem que o resultado favorável da votação tenha sido importante por definir a diretriz de atuação do partido de governo e conseqüente implementação de mudanças no sistema social do país.

"Foi um primeiro passo", definiu o Märkische Oderzeitung, jornal de Frankfurt do Oder, lembrando que Gerhard Schröder só poderá respirar aliviado quando suas propostas forem aprovadas pelo Parlamento. "A aprovação de 90% por parte dos correligionários não terá nenhum valor se o chanceler não conseguir maioria também no Bundestag".

"O que Schröder ganhou além do que ele já tinha, ou seja, a aprovação de dois terços dos social-democratas por um lado e um pequeno grupo de contrários por outro?" questionou o Die Welt, salientando que o desenrolar da reunião extraordinária era previsível mas que serviu, pelo menos, para impor uma certa disciplina dentro do SPD que será benéfica na luta pela aprovação das propostas no Parlamento.

Sem ele não dá

A coalizão formada pelos social-democratas e verdes possui uma maioria de apenas quatro votos. A aprovação da Agenda 2010 não é tida como certa justamente porque os parlamentares não tem o compromisso de acatar a decisão de seus partidos. O resultado de domingo mostrou que ainda não existe uma unanimidade de pensamento dentro do partido mas indicou que os social-democratas não querem perder o poder.

"Ficou claro que sem ele (Schröder) não dá. Acima de tudo, a votação girou em torno disto" publicou o Stuttgart Nachrichten. O chefe de governo por diversas vezes atrelou a aceitação de suas propostas de reforma social à sua permanência como chanceler, embora em seu último discurso não tenha feito nenhuma pressão explícita neste sentido.

Duras críticas

Alguns jornais foram mais críticos em seus comentários. Com certa ironia, o Frankfurter Allgemeine Zeitung escreveu que "Schröder tinha razão: A Alemanha precisa de uma outra mentalidade, da consciência de sua própria responsabilidade. O quão difícil é para o próprio partido do governo conseguir esta mudança é demonstrado pelo número de pessoas que se desligam do SPD(...)."

Para o Financial Times Deutschland, na reunião extraordinária dos social-democratas, Schröder se apresentou como o grande reformista que conseguiu o apoio à Agenda 2010 apesar da resistência dos sindicatos e da ala esquerda de seu partido. O jornal, entretanto, ressaltou que Schröder comete o erro de achar que a crise na Alemanha será solucionada apenas com a implementação de reformas estruturais.

"Os problemas mais graves que a Alemanha enfrenta no momento são a fraca conjuntura e a ameaça de deflação. Até agora o chanceler tem preferido ignorar esses perigos em vez de apresentar um plano que vise contornar esta situação".

Já o Berliner Zeitung analisou que a maioria da população alemã confia mais na oposição do que no atual governo justamente pela postura de Schröder, que "cansou de mudar de opinião da noite para o dia", complementando que "as coisas estão em curso. A Agenda 2010 pode ser apenas um começo, no final serão realizadas novas eleições".