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Paraguai vai transferir embaixada em Israel para Jerusalém

7 de maio de 2018

Governos paraguaio e israelense afirmam que mudança ocorrerá neste mês, com presença do presidente Horacio Cartes. Decisão segue os passos de EUA e Guatemala, que inauguram suas embaixadas na próxima semana.

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Jerusalém
Status de Jerusalém é uma das questões centrais no conflito entre israelenses e palestinosFoto: picture-alliance/Zumapress/S. Qaq

Seguindo os passos de Estados Unidos e Guatemala, o Paraguai decidiu transferir sua embaixada em Israel para Jerusalém, reconhecendo, assim, a cidade como capital do Estado israelense, anunciaram nesta segunda-feira (07/05) o governo paraguaio e o Ministério do Exterior de Israel.

"O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, pretende vir a Israel antes do fim deste mês para abrir a nova embaixada em Jerusalém", afirmou Emmanuel Nahshon, porta-voz do ministério israelense.

Leia tambémPerguntas e respostas sobre o status de Jerusalém

Segundo a agência de notícias Reuters, um porta-voz do governo paraguaio, por sua vez, comunicou que Cartes está agendando uma viagem ao país no Oriente Médio para 21 ou 22 de maio, para participar da inauguração da nova embaixada.

A decisão foi rapidamente condenada por palestinos. "Essa decisão vai contra o direito internacional e apoia a ocupação israelense", afirmou Wasel Abu Youssef, membro do comitê executivo da Organização para Libertação da Palestina.

O presidente paraguaio havia anunciado no mês passado sua intenção de mover a representação diplomática de Tel Aviv para Jerusalém. Com a confirmação, o país sul-americano se torna o terceiro país a aprovar a transferência, após os anúncios de EUA e Guatemala em dezembro passado.

Além disso, a República Tcheca anunciou a abertura de um consulado honorário neste mês como um primeiro passo para a mudança da embaixada; Honduras espera ratificar uma moção parlamentar a esse respeito; e a Romênia também expressou vontade em fazê-lo.

"Notícias maravilhosas como o reconhecimento internacional de Jerusalém como capital de Israel ganham força", comemorou o porta-voz israelense nesta segunda-feira.

Nahshon destacou ainda que "os países latino-americanos desempenharam um papel importante na história do Estado de Israel em 1947" e "agora mostram o caminho no reconhecimento de Jerusalém como a nossa capital". "Obrigado, América Latina, por seu apoio e sua amizade."

O anúncio paraguaio ocorre a uma semana da abertura da embaixada americana em Jerusalém, em 14 de maio. A Casa Branca anunciou nesta segunda-feira que o presidente Donald Trump não estará presente na cerimônia e que o vice-secretário de Estado, John Sullivan, será o líder da delegação.

Ivanka Trump, filha do presidente, e seu marido, Jared Kushner, ambos assessores da Casa Branca, além do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, também farão parte da representação americana em Jerusalém.

Placas de trânsito para a nova embaixada americana foram instaladas na cidade israelense nesta segunda-feira. Os letreiros em preto e branco, escritos em inglês, hebraico e árabe, indicam o caminho para o edifício no sul de Jerusalém que abrigava o consulado americano e, a partir da próxima segunda-feira, será a sede da embaixada.

"Isso não é um sonho. É a realidade. Estou orgulhoso e comovido em ter pendurado nesta manhã as primeiras placas que foram preparadas para a embaixada americana", afirmou o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, em mensagem no Twitter.

Trump anunciou sua decisão de reconhecer a cidade disputada como capital israelense em dezembro do ano passado, gerando condenação internacional e irritando a comunidade palestina. O anúncio da Guatemala veio no mesmo mês, e a cerimônia de inauguração da embaixada deve ocorrer dois dias depois da americana, com a presença do presidente do país, Jimmy Morales.

Jerusalém começou a instalar as placas de trânsito que dão a direção à nova embaixada americana
Jerusalém começou a instalar as placas de trânsito que dão a direção à nova embaixada americanaFoto: Reuters/R. Zvulun

Cidade disputada

Israel ocupou Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexou a cidade em 1980, contra a opinião da comunidade internacional, que se nega a reconhecer a cidade como capital israelense com o argumento de que é um assunto a ser resolvido em negociações de paz com os palestinos.

O status de Jerusalém é uma das questões centrais no conflito entre israelenses e palestinos. Israel capturou a parte oriental, predominantemente árabe, da cidade sagrada durante a Guerra dos Seis Dias (1967). Sua reivindicação de toda a cidade, a qual Israel vê como a antiga capital do povo judeu, nunca foi reconhecida internacionalmente.

Israel considera a Cidade Sagrada a sua capital "eterna e indivisível", enquanto os palestinos defendem que a porção leste de Jerusalém deve ser a capital de seu almejado Estado, sendo este um dos maiores desentendimentos entre as duas partes.

As Nações Unidas estabelecem que o status de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelenses e palestinos, razão pela qual os países com representação diplomática em Israel têm suas embaixadas em Tel Aviv e imediações.

EK/afp/dpa/efe/rtr/dw

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