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Rio+20 busca compromisso político

13 de junho de 2012

Conferência inicia maratona para redação de documento final, chamado de “O futuro que queremos”. Em vez de metas obrigatórias, Rio+20 conta com a boa vontade política dos países em assumir compromissos.

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Foto: Europeaid

Vinte anos depois da Eco 92, diplomatas do mundo inteiro voltam ao Rio de Janeiro para assumir metas em busca de um futuro que todos dizem querer. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começou nesta quarta-feira (13/06) com a fase final das negociações do documento a ser levado aos chefes de governo. A reunião de cúpula será entre 20 e 22 de junho, com a presença esperada de 130 líderes mundiais.

A conferência de 2012 funciona como um grande divã da humanidade: os países buscam respostas para crescer economicamente sem esgotar os recursos naturais e, ainda, promover a inclusão social. No entanto, a Rio+20 não irá impor acordos ou tratados com metas obrigatórias – do documento final não sairá nada parecido com o Tratado de Kyoto, por exemplo.

É justamente esse aspecto que faz da Rio+20 uma ocasião especial, defendeu Sha Zukang, secretário-geral da conferência. "Ela não é focada em estabelecimento de novos tratados ou acordos legais. É focada em ações tangíveis, em registrar compromissos políticos."

Sha Zukang entre Stelio Marcos Amarante e Luiz Alberto Figueiredo
Sha Zukang entre Stelio Marcos Amarante e Luiz Alberto FigueiredoFoto: Cleide Kloxk

Segundo Zukang, isso não faz da Rio+20 uma reunião menos importante. Pedindo mais velocidade e vontade das delegações, ele apelou: "Vamos transformar esses últimos dias para transformar em realidade as nossas visões de prosperidade, igualdade, inclusão e responsabilidade social".

O otimismo não é compartilhado por muitos. Diversas organizações internacionais, como a Green Cross, presidida pelo ex-presidente da antiga União Soviética Mikhail Gorbatchev, dizem que não há o mesmo entusiasmo de 1992. “Hoje, 20 anos depois, estamos rodeados por cinismo e desespero”, diz a carta assinada pelo político. A Green Cross foi fundada na Eco 92 e está presente no evento de 2012.

Como chegar até lá

A ONU acredita que a economia verde, cujo conceito concreto ainda está em discussão, seja o caminho. E esse percurso de mudanças globais esperadas para as próximas décadas deve acontecer segundo uma estrutura de ações, com dinheiro para implementação e transferência de tecnologia. Esse mapa, espera-se, deve ser desenhado na Rio+20.

Os compromissos que os Estados irão assumir ao assinar o documento final da conferência se assemelharão às Metas do Milênio da ONU, lançadas em 2000, com os objetivos a serem alcançados até 2015. Membros do grupo de negociadores brasileiros dizem que, nesse primeiro dia de Rio+20, cerca de 25% do documento final já estaria acordado entre os países.

Luiz Alberto Figueiredo, que chefia as conversas representando o Brasil, disse que as chances de sucesso em 2012 são até maiores do que há 20 anos. "Nós temos mais informações dadas pela prática e pela ciência do que tínhamos naquela época. E, portanto, temos condições melhores de agir."

Figueiredo se juntou a Zukang para reforçar que o mundo, nesse momento, não precisa de novos tratados com metas obrigatórias, mas de mais implementação. O dinheiro, no entanto, está mais escasso: os tradicionais doadores sentem ainda os impactos da crise financeira e estão menos generosos, reconheceu o próprio embaixador.

Rio de Janeiro preparado para Rio+20

São aguardados 50 mil participantes durante os dez dias de conferência no Rio de Janeiro. A programação principal acontece nos cinco pavilhões do complexo Riocentro, atividades paralelas estão espalhadas por toda a cidade. Soldados do Exército com armas à mostra vigiam as principais rotas, e a Marinha também patrulha a orla. O plano de segurança conta com cerca de 7 mil policiais militares por dia.

Nesse primeiro dia de conferência, delegações enfrentaram congestionamento para chegar até o Riocentro. Para evitar maiores problemas, a prefeitura do Rio decretou feriado nos dias da reunião de cúpula. Essa foi a maneira encontrada pelas autoridades para desafogar o trânsito e facilitar a movimentação dos chefes de Estado com mais tranquilidade.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Augusto Valente