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Schröder ou Merkel? Dia de decisão em Berlim

(sv)9 de outubro de 2005

Tudo indica que Merkel deve se tornar chanceler federal, mas SPD e CDU continuam negociando cargos, repartindo ministérios e definindo a aritimética do poder de uma próxima grande coalizão de governo.

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Quem vai governar o país?Foto: Montage/AP/DW

"Não vai haver uma decisão definitiva", afirmou o porta-voz do Partido Social Democrata (SPD), em Berlim, pouco antes de um segundo encontro, na noite deste domingo (09/10), entre o atual premiê, Gerhard Schröder, a democrata-cristã Angela Merkel, o presidente da União Social Cristã (CSU), Edmund Stoiber, e o presidente do SPD, Franz Müntefering.

Os sinais são de que os social-democratas terão que engolir Merkel como chanceler federal. E, justamente por isso, fazem de tudo para obter outras vantagens nas negociações. Já para a própria Merkel, governar dividindo o poder com um partido adversário não será tão simples quanto a tranqüila aliança com os liberais, imaginada pelos democrata-cristãos antes das eleições.

Mínimo denominador comum?

O grande medo é o de que a coalizão seja formada com base "num mínimo denominador comum", fazendo com que as reformas necessárias no país emperrem mais uma vez. Voltando tudo "ao prólogo da peça", quando o premiê Gerhard Schröder anunciou a antecipação das eleições, exatamente por não contar com a retaguarda necessária do Parlamento.

Os boatos que circulam no momento são vários. Alguns dizem que o SPD de Schröder deve receber um ministério a mais, como recompensa por "entregar" o cargo de chanceler federal à democrata-cristã Angela Merkel. Outros já afirmam que os dois partidos, por estarem representados de forma praticamente igualitária no Bundestag (a diferença é de quatro cadeiras), devem dividir o bolo "meio a meio".

Visita sintomática a Putin

Rußland: Schröder gratuliert Putin zum 53. Geburtstag
Schröder em visita a PutinFoto: dpa

Fazendo com que o único consolo dos social-democratas seja a pasta das Relações Exteriores. Para "dar continuidade à atual política externa do país", vista com bons olhos tanto pela mídia quanto pela população. Um sinal de que esta suspeita pode fazer sentido foi a visita de Schröder ao "amigo" Vladimir Putin na última sexta-feira (07/10), por ocasião do aniversário deste.

Uma prova de competência em política externa, dada na última hora, antes de passar a bola para Merkel? E sem dúvida já com um olho voltado para o próximo pleito, daqui a quatro anos, quando o então ministro social-democrata do Exterior puder sair na corrida ao posto de chefe de governo em Berlim.

Dois anos para cada um?

Bundesinnenminister Otto Schily
Otto Schily: Merkel pode "treinar" como ministra nos primeiros dois anosFoto: AP

Em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine am Sonntag, o ministro do Interior, Otto Schily, afirmou que "pode muito bem imaginar" uma divisão de tempo de governo entre Schröder e Merkel. Sendo que o atual premiê continuaria no cargo por mais dois anos, passando então o poder a Merkel, que até lá assumiria a pasta do Exterior. Para que ela tenha tempo de "fazer contatos"´até então, segundo Schily.

Solução na segunda-feira?

Kaspertheater mit Schröder und Merkel
Fantoches de Merkel e Schröder: teatro ainda deve renderFoto: dpa

A ladainha está prevista para se encerrar nesta segunda-feira (10/10), depois que Schröder, Merkel, Stoiber e Müntefering tiverem chegado a uma conclusão. E seus respectivos partidos tiverem tomado conhecimento das decisões e dado o necessário aval.

A "grande coalizão" entre CDU e SPD, como é chamada na Alemanha, por ser uma cooperação entre as duas maiores facções, não será inédita na história do país (entre 1966 e 1969, os dois partidos dividiram o poder). Na esfera estadual, tanto em Bremen quanto em Brandemburgo SPD e CDU compartilham o governo. Em coalizões, diga-se de passagem, não isentas de conflitos.

Divergências básicas

BA Arbeitslose Arbeitslosengeld II
Alto desemprego: um dos principais problemasFoto: AP

O país acredita – e espera – que os últimos parafusos da política sejam ajustados o mais breve possível. Mesmo que em questões primoridiais as duas facções ainda continuem defendendo posturas diferentes. Como em relação ao mercado de trabalho, por exemplo.

Enquanto para os social-democratas os direitos dos trabalhadores – inclusive a garantia de estabilidade no emprego – continuam sendo sagrados, a CDU foi às ruas durante a campanha eleitoral em defesa de uma maior liberalização e flexibilização das leis trabalhistas.

Déjà vu remete à República de Weimar

Logo após o 18 de setembro último, quando os resultados da eleição provocaram uma avalanche de previsões políticas para o futuro do país, o historiador norte-americano David Abrahan alertou em texto publicado pelo semanário Die Zeit para um certo déjà vu: "Os resultados fragmentados me lembram muito a história da República de Weimar", escreveu Abrahan.

A sorte, segundo o historiador, que compara a situação atual na Alemanha ao contexto político em 1928 (ou seja, cinco anos antes da tomada do poder pelos nazistas), é que "à direita dos democrata-cristãos não há hoje muitas forças no país". E, ao contrário dos anos 20, "não há movimentos políticos ou sociais atualmente que façam uso da crise para minar as instituições democráticas". Uma lição que, espera-se, tenha sido realmente aprendida.