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Sequestro em Sydney choca sociedade australiana

Jack Fisher, de Sydney (msb)15 de dezembro de 2014

Comunidade islâmica repudia ato, enquanto especialista em terrorismo diz que chance de ataque a muçulmanos agora é real. Recentemente, temores de uma possível ação terrorista elevaram alerta ao nível 'alto'.

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Foto: Getty Images/M. Metcalfe

Após meses de tensão provocada por ameaças de terrorismo à Austrália, um homem invadiu um café em Sydney e fez dezenas de reféns nesta segunda-feira (15/12). Com o incidente, é provável que o nível da Alerta Pública de Terrorismo volte a ser elevado nos próximos dias, após ter sido classificado como "alto" recentemente.

A polícia ainda não confirmou se o sequestro foi um ato de terrorismo, embora o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, já tenha afirmado que o homem armado teve "motivações políticas".

A principal preocupação das forças de segurança nos últimos meses é a possibilidade de que combatentes estrangeiros estejam retornando à Austrália com novas habilidades e ideias extremistas.

Em setembro deste ano, cerca de 800 policiais armados participaram de uma grande operação antiterrorismo, entrando em residências em Sydney e nos subúrbios de Brisbane. Ao final, apenas uma pessoa foi indiciada.

Em outubro, o ministro australiano do Exterior, Julie Bishop, afirmou diante do Parlamento que 70 cidadãos do país estavam lutando nas fileiras de grupos radicais, inclusive do "Estado Islâmico" (EI).

Ataque premeditado?

O especialista em terrorismo Nick O'Brien, da Universidade Charles Sturt, na Austrália, afirmou, antes do desfecho do sequestro, não ser possível dizer exatamente quais motivos levaram o homem a realizar a ação no café até que a polícia o interrogasse. O caso, porém, tem todas as características de um plano premeditado.

"Se você olha o lugar, há algumas vantagens ali. Fica no centro, então, você sabe que vai fechar toda a cidade. É também um alvo fácil, não há policiais por perto e talvez nem circuito fechado de televisão nas instalações", avalia O'Brien.

Ele ressalta que do outro lado da rua funciona um canal de televisão, que pode facilmente filmar tudo através das janelas, o que significa "ganhar publicidade". "Para mim, parece que alguém já olhava aquele lugar como um possível alvo, e não apenas entrou quando passava diante da porta."

A revista do "Estado Islâmico" Dabiq declarou recentemente que a morte a facadas de um policial australiano em Melbourne, em setembro, foi resultado de uma provocação por parte do líder do do grupo extremista, Abu Bakr al-Baghdadi. Comparações têm sido feitas com a morte brutal do soldado britânico Lee Rigby no bairro londrino de Woolchich, em 2013.

Geiselnahme in Sydney 15.12.2014
Sequestro em café no centro de Sydney chamou atenção da imprensa internacionalFoto: picture-alliance/dpa/J. Carrett

Sinal de solidariedade

A comunidade islâmica da Austrália foi rápida ao se mostrar chocada e condenar as notícias de que o sequestrador exibiu ostensivamente a crença islâmica.

Mais de 40 grupos islâmicos australianos soltaram uma nota condenando o ataque ao café, enquanto procissões com velas foram realizadas na maioria das mesquitas em todo o país, rezando pela saúde das vítimas.

O grande mufti da Austrália expressou apoio às vítimas e disse que as ações do sequestrador são completamente condenadas pelo Islã.

Usuários do Twitter na Austrália usaram o hashtag #Illridewithyou para divulgar uma campanha de solidariedade aos muçulmanos australianos que temem ataques, oferecendo caronas ou providenciando companhia no transporte público no caminho para o trabalho.

O'Brien, no entanto, afirma que as possibilidade de ataques contra a comunidade islâmica é "muito real".

Desdobramentos do incidente podem influenciar o apoio ao governo australiano nos próximos dias e semanas. Nesta semana, eleitores desiludidos com o orçamento levaram a popularidade do primeiro-ministro a seu patamar mais baixo até agora.