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Superlua traz ondas mais altas e mais brilho sobre a Terra

Stefan Bienkowski ca
14 de novembro de 2016

Na Superlua, o satélite chegará quase 30 mil quilômetros mais próximo da Terra do que o habitual. Fenômeno poderá ser observado por vários dias e ser motivo de alegria para os surfistas.

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Astrônomo sugere que fenômeno seja fotografado ao lado de um marco terrestre
Astrônomo sugere que fenômeno seja fotografado ao lado de um marco terrestreFoto: Reuters/R. Naden

Nesta segunda-feira (14/11), a Lua atingirá a menor distância da Terra desde 1948, criando o efeito de uma "Superlua extra". Embora Superluas sejam algo bastante comum – ocorrendo geralmente a cada 14 meses –, o fenômeno desta segunda-feira não se repetirá até 2034.

De acordo com a Nasa, nosso solitário satélite estará a somente 356.509 quilômetros da superfície terrestre, ou seja, 27.891 quilômetros mais perto do que o normal. Se o céu estiver claro, os observadores mais argutos perceberão uma Lua 14% maior e muito mais brilhante do que o habitual, por a Terra estar mais próxima do Sol nesta época do ano.

Embora a maioria não vá notar, já que o corpo celeste estará em seu ponto mais alto no céu noturno, os astrônomos acreditam que a diferença será aparente no horizonte, proporcionando um espetáculo e tanto. "Ao se olhar para Lua ascendente, uma ilusão de ótica a faz parecer maior", explica Mark Bailey, astrônomo e diretor emérito do Observatório Armagh, na Irlanda do Norte.

Muitas oportunidades

Pascal Descamps, astrônomo do Observatório de Paris, aconselha: "Ao tentar fotografá-la, escolha um local com algum objeto terrestre bonito em primeiro plano. Um marco bem-conhecido, como uma torre ou campanário, dará uma boa referência, especialmente ficando-se um pouco para atrás e usando uma lente zoom ou teleobjetiva, que vai ampliar ambos os objetos."

Se o céu estiver nublado, haverá outras oportunidades de observar o espetáculo. Segundo Noah Petro, cientista do projeto da Nasa Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO, na sigla em inglês), a Superlua deverá estar visível por vários dias.

Para que serve a Lua?

"Estou dizendo às pessoas para irem ver a Superlua no domingo ou na segunda-feira à noite. A diferença de distância de uma noite para a outra será muito sutil, por isso, se o céu estiver nublado no domingo, saia na segunda, em qualquer hora depois do pôr do sol", observou.

"Como a Lua está cheia, ela vai aparecer quase simultaneamente ao crepúsculo. Então eu sugeriria sair após o pôr do sol, ou quando anoitecer e a Lua estiver um pouco mais alta no céu. Não é necessário ficar acordado a noite toda para vê-la – a menos que se queira."

Consequências sobre as marés

Uma das características mais notáveis da Lua é seu efeito gravitacional sobre os oceanos da Terra. Devido à característica elíptica da órbita lunar, o nível dos oceanos tende a subir e descer em forma de marés. Assim, conta-se que a Superlua desta segunda-feira provocará marés mais altas, causando algumas pequenas enchentes, e, principalmente, ondas bem maiores em todo o mundo.

Mas enquanto os surfistas desfrutarão de ondas mais altas e um brilho adicional sobre as águas noturnas, os efeitos da Superlua nas marés têm sido responsabilizados por catástrofes naturais.

Em março de 2011 a Nasa teve que descartar a teoria de que o tsunami e o terremoto que atingiu o Japão se deveu a uma Superlua iminente. A guarda costeira do Reino Unido, por sua vez, sugeriu que o evento lunar teria sido responsável pelo encalhamento de cinco navios pesqueiros na costa da ilha de Wight no mesmo mês.

"Os efeitos de uma Superlua sobre a Terra são menores e, de acordo com estudos mais detalhados por sismólogos e vulcanólogos, a combinação entre o satélite estar na posição mais próxima da Terra e na configuração de 'lua cheia' não deverá afetar o equilíbrio interno de energia da Terra, uma vez que marés lunares ocorrem todos os dias", esclarece Jim Garvin, cientista-chefe do Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa.

"A Terra armazenou uma quantidade enorme de energia interna em sua crosta, e as pequenas diferenças nas forças de maré exercidas pela Lua e o Sol não bastam para suplantar fundamentalmente as forças muito maiores dentro do planeta devido à convecção e outros aspectos do equilíbrio energético interno que movimentam as placas tectônicas."