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Tiro de PM causou morte da menina Ágatha, aponta inquérito

19 de novembro de 2019

Laudo da Polícia Civil aponta que policial militar, que responderá por homicídio doloso, disparou contra motociclistas, mas projétil bateu num poste, se fragmentou e atingiu a menina de 8 anos no Complexo do Alemão.

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Familiares e amigos carregam cartazes com foto de Ágatha, em protesto em setembro
Familiares e amigos carregam cartazes com foto de Ágatha, em protesto em setembroFoto: picture-alliance/NurPhoto/F. Viera

A Polícia Civil do Rio de Janeiro afirmou nesta terça-feira (19/11) que um cabo da Polícia Militar foi indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar) pela morte de Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão, no dia 20 de setembro.

De acordo com a polícia, houve um erro de um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Fazendinha. O inquérito teve como base depoimentos de testemunhas, de policiais militares em serviço que estavam no local do crime, de perícias e o laudo da reprodução simulada feita no dia 1º de outubro.

Segundo as investigações, o policial tentou atingir dois homens que passavam em uma moto, mas o projétil ricocheteou e atingiu Ágatha dentro da kombi na qual estava. Essa era a versão que havia sido relatada por familiares da menina e pelo próprio motorista do veículo. Inicialmente, os policiais afirmaram que houve troca de tiros, uma versão contestada desde o início pelas testemunhas.

De acordo com o jornal O Globo, testemunhas afirmaram no inquérito que o policial confundiu uma esquadria de janela que o homem sentado na garupa segurava com uma arma. Os depoimentos indicaram que a dupla fugiu de uma blitz dentro da comunidade momentos antes, e que o policial militar estava sob forte tensão após a morte recente de um colega.

A polícia pediu o afastamento do cabo da UPP e a proibição do contato dele com quaisquer testemunhas que não sejam policiais militares. A polícia disse que o relatório com a conclusão foi encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com a PM, que inicialmente afirmou que os policiais da UPP haviam sido atacados por criminosos de diversos pontos da comunidade, o policial militar está afastado de suas atividades nas ruas.

Ágatha Félix estava em uma kombi com a mãe, na Fazendinha, quando foi atingida. De acordo com um laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), enviado à Delegacia de Homicídios da capital, um fragmento de projétil encontrado no corpo de Ágatha tinha ranhuras idênticas à do cano do fuzil usado pelo PM.

Segundo o documento, a bala atingiu um poste, e um estilhaço provocou a morte da menina, perfurando suas costas e saindo pelo tórax. Ela chegou a ser operada no hospital estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu. Ágatha foi uma das seis crianças mortas por tiros no Rio de Janeiro neste ano.

O tio de Ágatha, Danilo Félix, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que essa conclusão já era esperada pela família. "Demorou demais, 60 dias, mas pelo menos a primeira etapa foi concluída." A mãe da menina está "levando a vida" e ainda não conseguiu voltar para casa, afirmou o tio.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que "lamenta o triste episódio da pequena Ágatha e reforça solidariedade à família". A PM disse ainda que está dando apoio à investigação da Polícia Civil e que apura a ocorrência por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM).

FC/abr/ots

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