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"Trump não sabe o que faz"

7 de dezembro de 2017

Decisão do presidente dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel viola direito internacional, diz especialista em entrevista à DW. Ele destaca que medida pode gerar agitação e ataques terroristas.

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Trump (primeiro plano) fez, na Casa Branca, o comunicado da transferência da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém.
Na Casa Branca, Trump anunciou transferência da embaixada americana de Tel Aviv para JerusalémFoto: Reuters/K. Lamarque

O presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (06/12) Jerusalém como capital de Israel. Para Christian Tomuschat, membro emérito da Faculdade de Direito da Universidade Humboldt, em Berlim, a decisão poderá gerar agitação e ataques terroristas que tornarão improvável o sucesso de negociações de paz num futuro próximo.

Leia também: Opinião: De propósito, Trump atiça conflito no Oriente Médio

"Não se sabe como o resto do mundo árabe reagirá. Um embargo de petróleo ou outras consequências drásticas não podem ser excluídas", afirma Tomuschat, que também foi membro do Comitê de Direitos Humanos da ONU e presidente da Comissão de Direito Internacional da ONU. "Trump não sabe o que faz."

DW: Trump viola o direito internacional ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel?

Christian Tomuschat: Sim, isso é uma violação de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU, que afirma que a anexação de Jerusalém Oriental por Israel é incompatível com o status vigente de Jerusalém como parte dos territórios palestinos. Assim, é uma violação, por parte dos EUA, de uma decisão que eles mesmos apoiaram. Foi uma anexação violenta, e é indispensável no direito internacional que Estados terceiros não reconheçam isso.

Há diferença entre reconhecer Jerusalém como capital e transferir a embaixada americana para a cidade?

Essa é apenas a execução do que os EUA decidiram em um primeiro passo. A transferência da embaixada é a consequência natural. O primeiro passo é mais decisivo: a determinação dos EUA de que Jerusalém é a capital de Israel. A transferência da embaixada é apenas uma confirmação.

Existe alguma mudança legal para os habitantes de Jerusalém?

Legalmente, permanece tudo na mesma. A incorporação de Jerusalém ao território israelense já está completa. Até agora, os israelenses respeitam a presença dos palestinos no leste de Jerusalém. Mas Israel talvez aproveite a oportunidade para limitar ainda mais os direitos de permanência e residência dos palestinos em Jerusalém Oriental. Eu receio que essa possa ser a consequência. Tentou-se diversas vezes nos últimos anos expulsar os palestinos de Jerusalém Oriental, privando-os do direito de residência após uma curta ausência e, ainda, não emitindo novas licenças de construção.

Quais são as consequências políticas da decisão de Trump?

Eu não sei o que os EUA pensaram. Claro que essa decisão poderá gerar agitação e ataques terroristas. Assim, são criados fatos que tornam improvável o sucesso das negociações [de paz] num futuro próximo. Isso continua sendo uma ferida e causará agitação eternamente, com muitas consequências violentas. Não se sabe como o resto do mundo árabe reagirá. Um embargo de petróleo ou outras consequências drásticas não podem ser excluídas. Trump não sabe o que faz.

Uma solução pacífica para o conflito do Oriente Médio fica cada vez mais distante?

Naturalmente isso [a decisão de Trump] torna menos provável a solução de dois Estados – que todos apoiaram. O governo israelense sempre foi muito cauteloso, mas, agora, isso parece ser completamente inútil. Os palestinos não desistirão de Jerusalém devido aos símbolos religiosos que estão localizados na cidade.

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