Angola: ONG reafirma impactos negativos da exploração diamantífera nas Lundas

Em Angola, um estudo da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) divulgado nesta segunda-feira (11.3) revela que impactos negativos da exploração de diamantes ainda são realidade nas Lundas. Sobas falam em restrições.

O Estudo da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) denominado "Os Impactos da Exploração Diamantífera sobre as Comunidades Locais nas Lundas Norte e Sul", divulgado nesta segunda-feira (11.3), em Luanda, revela que os populares vivendo ao redor das zonas de exploração de diamantes continuam a ser vítimas de violações dos direitos humanos.

A ONG angolana alerta ainda que a falta de compreensão sobre a história, a cultura e as relações entre as comunidades locais e as empresas mineiras pode resultar em conflitos. No acto do lançamento do estudo, a União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) e as autoridades tradicionais das Lundas também denunciaram que habitantes das zonas de exploração diamantífera continuam a enfrentar grandes dificuldades.

Karte Angola mit den 18 Provinzen Portugiesisch

Desenvolvimento limitado

O estudo, que foi apresentado pelo coordenador do projeto, Serra Bango, conclui que as Lundas sempre foram pensadas e geridas como se fossem apenas regiões de concessões mineiras. O investigador explica que o Governo angolano limita o desenvolvimento de outros setores naquela região, por exemplo, a agricultura.

"A cultura do arroz e a produção de gado já mostraram potencial, antes mesmo da exploração diamantífera. Entretanto, o setor mineiro é o primeiro objetivo estratégico. O atual estado das Lundas em termos de indicadores sociais é muito baixo, comparativamente ao de Cabinda", diz Serra Bango.

O relatório revela ainda que os maiores impactos são as restrições de movimentos, que para a organização AJPD significam "violações de livre circulação, que é um direito civil".

Por sua vez, as autoridades tradicionais das Lundas Norte e Sul reclamam a falta de serviços sociais nas duas regiões. Isso porque as empresas de exploração de diamantes não contribuem para o desenvolvimento das comunidades, e muito menos garantem emprego para a população - na sua maioria, desempregada.

 Nem conseguem ir às lavras 

Tais reclamações são de Munenge Sonhi "soba [chefe tradicional] sambaia". "Disseram que fariam alguma coisa para as nossas comunidades. E também garantiram que podiam empregar os nossos jovens", lamentou o soba, que pede ainda a construção de mais escolas nas regiões.

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MEDIATECA | 12.03.2019

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O soba afirma que as populações nem às lavras conseguem ir devido a proibição de circular nas zonas de exploração. "Nós, os donos das terras, não conseguimos sequer andar. Estamos restritos".

Em declarações à imprensa, Adalberto Costa Júnior, presidente o grupo parlamentar da UNITA, o maior partido da oposição, entende que o problema das Lundas poderá ser resolvido com as autarquias. "A minha [última] visita foi há dois anos. Mas, pelo que ouvi aqui, prevalecem essas realidades. Então, mais uma vez, as autarquias provavelmente venham acabar com isso", disse o deputado angolano.

Já o assessor do diretor da sociedade mineira Catoca, uma das empresas que explora diamantes em Angola, Pedro Capumba, afirma que já não há restrições na circulação da população. "Sabemos que existiam situações muito complexas, que anteriormente haviam situações de circulação para toda a população. Mas hoje já não é assim. As empresas deram passos suficientes para a boa vizinhança com os populares", argumenta.

Diamantes: benção e maldição em África

Uma bênção para a Serra Leoa?

Nos seus tempos livres o padre Emmanuel Momoh explora uma mina. Em Março encontrou um diamante de 709 quilates, que entregou às autoridades para que a receita da venda reverta a favor de todos. Num leilão o diamante obteve a oferta recorde de 7,7 milhões de dólares. Mas o Governo de Freetown achou-a muito baixa e organizou um novo leilão que deverá decorrer na Bélgica nas próximas semanas.

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A estrela da Serra Leoa

Já em 1972 foi encontrado um diamante gigantesco na Serra Leoa. Com um peso bruto de 969 quilates, a “estrela da Serra Leoa” foi dividida em 17 partes. Apesar da riqueza em recursos naturais, o país ocupa um dos últimos lugares no Índice de Desenvolvimento da ONU. Durante décadas, o comércio ilegal de diamantes financiou uma guerra civil na qual morreram dezenas de milhares de pessoas.

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Botswana: o sítio dos maiores diamantes

Quando se trata do tamanho e do valor de diamantes, o Botswana ocupa o primeiro lugar. O segundo maior diamante jamais extraído no mundo tem o nome “Lesedi La Rona”, ou “a nossa luz”. É do tamanho de uma bola de ténis e tem 1.109 quilates. Foi encontrado em 2015 com a ajuda de raios-X. A iniciativa valeu a pena: mais tarde foram extraídos mais dois diamantes de muitos quilates no mesmo local.

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A pedra preciosa mais cara é sul-africana

Em Abril o “pink star” foi vendido pela soma recorde de 71 milhões de dólares. O diamante com 132,2 quilates foi encontrado na África do Sul. A lapidação levou dois anos, e produziu o maior diamante rosa do mundo, com quase 60 quilates. A "estrela rosa" foi leiloada uma primeira vez em 2013. Mas o comprador não conseguiu reunir a soma de 83 milhões de dólares e teve que devolver a pedra.

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Diamonds are a girl's best friend

A atriz Elizabeth Taylor era famosa pelo seu amor aos diamantes. Quando morreu, em 2011, as suas jóias foram leiloadas por quase 140 milhões de dólares. Durante muito tempo, os negociantes de pedras preciosas queixaram-se da queda de preços. Mas desde o ano passado, os preços recomeçaram a subir e a procura pelo diamante bruto cresce, alimentando a esperança de muitos prospectores africanos.

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Nem luxo, nem fascínio

Os prospectores no Zimbabué cavam com pás e com as próprias mãos à procura das pedras preciosas, na esperança de encontrarem um diamante que os redima da pobreza. Mas regra geral os grandes diamantes são encontrados em minas de exploração industrial, onde as máquinas têm a capacidade de peneirar grandes quantidades de minério.