Angola: Presidente JLO visita Malanje num clima de contestação ao governador local

Presidente João Lourenço visita província de Malanje (norte de Angola), numa altura em que a população, principalmente os jovens, exige a exoneração do governador Norberto dos Santos "kwata Kanawa".

No seu primeiro dia da visita de trabalho (21.05.) à província de Malanje, o Presidente angolano João Lourenço, orientou a primeira reunião deste ano do Conselho da Governação Local, um órgão auxiliar e colegial da Presidência da República para a formulação e acompanhamento da execução das políticas de governação e administração do Estado a nível local.

Temas como "ponto de situação dos programas de reforço da desconcentração administrativa, desenvolvimento integrado dos municípios, balanço de implementação do regime de financiamento local" entre outros foram debatidos.

Mais energia e água potável

Norberto dos Santos "kwata Kanawa", governador de Malanje aproveitou a deslocação à província do Presidente angolano para anunciar a extensão de energia eléctrica e água potável a todos os municípios da região.

Quedas de água de Kalandula (Malanje)

"Estender a energia para os restantes municípios particularmente viradas para as áreas em que nós queremos produzir, refiro-me à região de Songo que com a asfaltagem dos três municípios (Luquembo, Cambundo Catembo e Quirima) poderemos iniciar a produção do arroz que no passado era muito forte na província de Malanje. Iniciou já a transportação de energia de Cacuso para Kalandula e depois vai sair daqui de Malanje para Kangandala".

Protesto contra o governador

De notar que o governador de Malanje é fortemente contestado por um número considerável da população local sobretudo os jovens, que preparam um novo protesto para o dia 25 deste mês.

Recorde-se, que em abril de 2018, três jovens foram presos e condenados dias depois por exigirem a emissão de Norberto dos Santos, durante a cerimónia de comemoração do Dia da Paz cerimónia que foi orientada pelo vice-presidente da República Bornito de Sousa.

Para o jornalista angolano Ilídio Manuel, os jovens locais protestam contra a governação por não encontrarem soluções para os seus problemas.

"Os jovens de Malanje estão numa situação, à semelhança daquilo que se regista um pouco por todo país. E depois há uma outra questão: é uma província onde não se regista a concentração monetária, e onde praticamente os jovens fazem a sua formação académica ou profissional mas depois não encontram mercado de trabalho".

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MEDIATECA | 21.05.2019

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Antes do termo da sua visita de 24 horas a Malanje, o Presidente angolano vai desenvolver outras atividades como a constatação do grau de execução de algumas obras sociais e conceder audiências a membros da sociedade civil preocupados com a situação na sua província.

De recordar que de acordo com o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano sobre o comportamento da inflação, divulgado recentemente, Malanje, foi uma das cinco províncias juntamente com Uíge, Cuanza Sul, Cuanza Norte e Moxico que registaram maior aumento.

Desemprego e delinquência

Entretanto, uma reportagem publicada esta terça-feira pelo Jornal de Angola intitulada "Malanje clama por soluções urgentes para os problemas", espelha o alto nível de desemprego, da delinquência e do "velho problema de energia elétrica e água potável".

A nova governação liderada por João Lourenço deve resolver os problemas de forma concreta, diz Ilídio Manuel.

"Penso que a visita de João Lourenço será mais ou menos um paliativo no sentido de poder esbater, diminuir as tensões, mas que não vai resolver o problema fundamental. O MPLA, tem que dar respostas concretas e não renovar as promessas. Isso de não resolver problema nenhum antes pelo contrário só adia as crises", concluiu Ilídio Manuel.

Angola: Jovens desempregados marcham em Luanda

Caminhar por mais emprego

Onde estão os 500 mil empregos que o Presidente da República, João Lourenço, prometeu durante a campanha eleitoral de 2017? Foi uma das questões colocadas pelos jovens desempregados que marcharam nas ruas de Luanda. A marcha decorreu sob o lema "Emprego é um direito, desemprego criminaliza".

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Apoio popular

Populares e vendedores ambulantes apoiaram o protesto deste sábado, que foi também acompanhado pelas forças de segurança. Participaram na marcha algumas associações como o Movimento Estudantil de Angola (MEA) e a Associação Nova Aliança dos Taxistas. Os angolanos que exigem criação de mais postos de trabalho marcharam do Cemitério da Sant Ana até ao Largo das Heroínas, na Avenida Ho Chi Minh.

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Níveis alarmantes

O Governo angolano reconhece que o nível de desemprego é preocupante no país. 20% da população em idade ativa está desempregada, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados no ano passado. Os jovens em Angola são os mais afetados - 46% não têm emprego.

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Palavras de ordem

Os manifestantes exibiram vários cartazes com mensagens dirigidas ao Presidente e ao Governo: "João Lourenço mentiroso, onde estão os 500 mil empregos?", "Ser cobrador de táxi não é minha vontade" e "Por kunangar perdi respeito em casa”, foram algumas das questões levantadas.

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Estágios, inclusão e subsídios

Além de empregos, os manifestantes exigem políticas de estágio - para que os recém formados tenham a experiência exigida pelas empresas – e programas que beneficiem pessoas com deficiência física. Este sábado, pediram também ao Governo que atribua subsídio de desemprego aos angolanos que não trabalham.

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Sem perspetivas de trabalho

O índice do desemprego piorou com a crise económica e financeira em Angola, desde 2015. O preço do crude caiu no mercado internacional, e, como o país está dependente das exportações de petróleo, entraram menos divisas. Muitas empresas foram obrigadas a fechar as portas e milhares de cidadãos ficaram desempregados.

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Formados e desempregados

Entre os manifestantes ouvidos pela DW África em Luanda, histórias como a de Joice Zau, técnica de refinação de petróleo, repetem-se. Concluiu a sua formação em 2015 e, desde então, não teve quaisquer oportunidades de emprego: "Já entreguei currículos em várias empresas no ramo petrolífero e nunca fui convocada", conta. Gostaria de continuar a estudar, mas, sem emprego, são muitas as dificuldades.

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É preciso fazer mais

Para a ativista Cecília Quitomebe, o Executivo está a "trabalhar pouco para aquilo que é o acesso ao emprego para os jovens". No final da marcha, a organização leu um "manifesto" lembrando que a contestação à política de João Lourenço começou a 21 de julho, quando o mesmo grupo de jovens exigiu mais políticas de emprego. Na altura, a marcha realizou-se em seis cidades. Este sábado, ocorreu em 12.