Angola: Presidente João Lourenço volta a exonerar

Chefe de Estado angolano exonerou, esta sexta-feira (10.05), por decreto, os secretários de Estado da Defesa, Águas e Obras Públicas. Houve saídas também nos governos provinciais, nomeadamente, em Luanda e na Lunda Sul.

Segundo um comunicado da Casa Civil do Presidente angolano, João Lourenço exonerou, a pedido do visado, Gaspar Santos Rufino (secretário de Estado da Defesa), e por "conveniência de serviço", Luís Filipe da Silva (Águas) e Fernando Malheiros José Carlos (Obras Públicas), cargos para que foram nomeados em outubro de 2017.

Para os respetivos lugares, o chefe de Estado angolano nomeou José Maria de Lima (secretário de Estado da Defesa), que deixa a presidência do Instituto de Defesa Nacional, ligado ao ministério homónimo, Lucrécio Alexandre Manuel da Costa (Águas) e Carlos Alberto Gregório dos Santos (Obras Públicas).

Saídas em Luanda e na Lunda Sul

O Presidente de Angola também exonerou quatro vice-governadores provinciais, em Luanda e na Lunda Sul, também por "conveniência de serviço", todos nomeados para as funções a 25 de outubro de 2017.

Vista parcial de Luanda

No Governo Provincial de Luanda, João Lourenço exonerou o vice-governador para o Setor Económico, Júlio Marcelino Vieira Bessa; para os Serviços Técnicos e Infraestruturas, José Paulo Kai, e para o Setor Político e Social, Ana Paula dos Santos Corrêa Victor.

Para os respetivos lugares, o Presidente angolano nomeou Lino Quienda Mateus Sebastião (vice-governador da província de Luanda para o Setor Económico), Elizabeth de Fátima Tavares Matos Rafael (para os Serviços Técnicos e Infraestruturas) e Dionísio Manuel da Fonseca (para o Setor Político e Social).

No Governo provincial da Lunda Sul, João Lourenço exonerou Ofélia Madalena Jeremias Uqueve Xiri do cargo de Vice-Governadora para Setor Político, Social e Económico, nomeando, para o lugar, Cassongo João da Cruz.

Exonerações anteriores recentes

A última mexida no Governo angolano ocorreu a 2 de janeiro deste ano, quando João Lourenço substituiu as ministras das Pescas e do Mar, Victória de Barros Neto, nomeando Maria Antonieta Josefina Sabina Baptista, e da Ação Social, Família e Promoção da Mulher, Victória Francisco Correia da Conceição, colocando no seu lugar Faustina de Almeida Alves.

Na mesma altura, o Presidente angolano exonerou igualmente Carlos Alberto Jaime Pinto do cargo de secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, tendo nomeado, por decreto, para as mesmas funções José Carlos Lopes da Silva Bettencourt.

O Governo angolano, liderado desde setembro de 2017 por João Lourenço, conta com 32 ministros (incluindo três de Estado), mais um do que o último de José Eduardo dos Santos, que foi chefe de Estado entre 1979 e 2017.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Bilionária angolana diz adeus à Sonangol

A 15 de novembro, Isabel dos Santos teve de renunciar à presidência do conselho de administração da Sonangol. Em meados de 2016, o seu pai, o então Presidente José Eduardo dos Santos, nomeou-a para liderar a companhia petrolífera estatal. A nomeação era ilegal aos olhos da lei angolana. O novo Presidente angolano, João Lourenço, estava, por isso, sob pressão para demitir Isabel dos Santos.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Carreira brilhante à sombra do pai

Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos e da sua primeira mulher, a jogadora de xadrez russa Tatiana Kunakova, nasceu em 1973, em Baku. Durante o regime do seu pai, no poder entre 1979 e 2017, Isabel dos Santos conseguiu construir um império empresarial. Em meados de 2016, a liderança da Sonangol, a maior empresa de Angola, entrou para o seu currículo.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Conversão aos princípios "dos Santos"

Isabel dos Santos converteu o grupo Sonangol, sediado em Luanda (foto), às suas ideias. Nomeou cidadãos portugueses da sua confiança para importantes cargos de gestão e foi muito criticada pela ausência de angolanos em posições-chave na empresa.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Presença firme nas telecomunicações

Mesmo após o fim da sua carreira na Sonangol, Isabel dos Santos continua forte no meio empresarial: possui 25% da UNITEL desde o seu lançamento, em 2001, a empresa tornou-se a principal fornecedora de serviços móveis e de internet em Angola. Através da UNITEL, dos Santos conseguiu estabelecer vários contactos comerciais e parcerias com outras empresas internacionais, como a Portugal Telecom.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Redes móveis em Portugal e Cabo Verde

Isabel dos Santos detém a participação maioritária na ZON, a terceira maior empresa de telecomunicações de Portugal, através de uma sociedade com o grupo português Sonae. Também em Cabo Verde, dos Santos - com uma fortuna estimada em 3,1 mil milhões de dólares, segundo a revista Forbes - está presente nas telecomunicações com a subsidiária UNITEL T+.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Expansão com a televisão por satélite

Lançada em 2010 por Isabel dos Santos, a ZAP Angola apresenta-se como o maior fornecedor de televisão por satélite no país. Desde 2011, a ZAP está presente também em Moçambique, onde conquistou uma parcela importante do setor. Em Moçambique, a empresa compete com o antigo líder de mercado, a Multichoice (DSTV), da África do Sul.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Bancos: o segundo pilar do império

Atrás das telecomunicações, o setor financeiro é o segundo pilar do império empresarial de Isabel dos Santos. A empresária detém o banco BIC juntamente com o grupo português Américo Amorim - o empresário português conhecido como "o rei da cortiça" que morreu em julho de 2017. É um dos maiores bancos de Angola, com cerca de 200 agências. É também o único banco angolano com agências em Portugal.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Com a GALP no negócio do petróleo

Também no petróleo, dos Santos fez parceria com Américo Amorim. Através da empresa Esperanza Holding B.V., sedeada em Amesterdão, a empresária angolana está envolvida na Amorim Energia que, por sua vez, é a maior acionista da petrolífera portuguesa GALP. A GALP também administra os postos de gasolina em Moçambique (na foto) e em Angola onde, curiosamente, compete com a Sonangol.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

Supermercado em Luanda

Em 2016, abriu em Luanda o Avennida Shopping, um dos maiores centros comerciais da capital angolana. Várias empresas do império dos Santos operam neste centro comercial, como o Banco BIC, a ZAP e a UNITEL. Assim, a empresária beneficia em várias frentes do crescente mercado de bens de consumo em Luanda.

Mesmo sem a Sonangol, Isabel dos Santos ainda tem um império empresarial

350 milhões de dólares em supermercados

Uma das maiores lojas do Avennida Shopping é o hipermercado Candando. É operado pelo grupo Contidis, controlado por Isabel dos Santos. Nos próximos anos, deverão ser construídos em Angola vários Candando. No total, a Contidis quer investir mais de 350 milhões de dólares nas filiais.