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Angola: "Superlotação nas morgues dos hospitais pode voltar"

Ana Tereza May
17 de setembro de 2021

Presidente do Sindicato dos Médicos adverte que acumulação de corpos em morgues pode repetir-se na época das chuvas. Adriano Manuel diz que foco no combate à Covid-19 não travou a malária, a doença que mais mata no país.

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Angola I Luanda I Flut in Krankenhaus
Foto: Borralho Ndomba/DW

O presidente do Sindicato dos Médicos Angolanos (SMA), Adriano Manuel, acredita que a acumulação de cadáveres nas morgues dos hospitais pode voltar a acontecer na época das chuvas.

O responsável considera que a superlotação destes espaços deve-se ao descuido do Governo no combate à malária. Neste momento, as morgues dos hospitais registam uma redução da procura em comparação com os últimos três meses.

Angola Luanda Krankenhaus
Hospital Josina Machel, em LuandaFoto: DW/V. T.

"Foram milhões de dólares à Covid-19, mas aquilo não curou as doenças que mais matam em Angola – uma delas é a malária. Houve um elevado índice de mortalidade por malária, primeiro porque houve um investimento maior no combate à Covid-19", explica o médico.

Atendimento desfasado

Para além do foco alegadamente equivocado dos recursos, Adriano Manuel destaca que a falta de profissionais nos hospitais também agravou a situação.

Apesar do grande investimento do Governo nas escolas de medicina, segundo o dirigente médico, a população não vê o retorno. Isso porque, apesar de um número grande de formados, não há vagas para todos os graduados.

Adriano Manuel também assinala que a prioridade do Ministério da Saúde tem sido formar médicos de família e não especialistas em emergências, que são os responsáveis pelo tratamento dos casos de Covid-19.

Angola Luanda Malaria-Patienten vor Krankenhaus
Fila para atendimento em unidade hospitalar de malária em Luanda em 2018Foto: AMPE ROGERIO/AFP

Formação em mais áreas

Na sua opinião, isso é motivo de preocupação para a classe médica angolana, porque não haveria um projeto estruturado por parte do Governo de Angola no sentido de formar médicos noutras áreas, não somente de cuidados intensivos. "Não estão bem organizados para formar quadro, há um déficit", conclui.

Segundo Manuel, o fim da cerca sanitária fez voltar a subir o número de casos de Covid-19. O maior número de infeções combinado com a falta de especialistas deve voltar a agravar a situação da pandemia em Angola.

Angola registou, entre janeiro e maio de 2021, mais de 3,7 milhões de casos de malária e 5.573 óbitos. Os dados mostram um acréscimo de casos, mas uma redução de mortes face ao período homólogo, segundo o Ministério da Saúde.

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