Angola vai reforçar combate ao garimpo diamantífero e imigração ilegal

O Governo angolano comprometeu-se a combater a imigração ilegal, exploração e tráfico ilícito de diamantes até 2020, através da "Operação Transparência", assumida pelos órgãos de segurança e ordem interna.

Citado hoje pela agência noticiosa angolana Angop, o governador da Lunda Norte, Ernesto Muangala, precisou que se vão encerrar as casas de vendas de diamantes e prender os seus mentores, assim como expulsar imigrantes ilegais "endémicos" nas províncias da Lunda Norte, Lunda Sul, Cuando Cubango, Moxico, Malanje, Uíge e Bié. A medida foi anunciada no sábado (13.10) numa conferência de imprensa de balanço preliminar da "Operação Transparência” iniciada a 25 de setembro.

O governador justificou a realização da operação, que já prendeu mais de 200 mil imigrantes estrangeiros ilegais, com a necessidade de se reorganizar a exploração semi-industrial de diamantes no país.

50 mil desempregados na Lunda Norte

Iniciativa do Presidente de Angola, João Lourenço, a "Operação Transparência" prevê expulsar todo o estrangeiro em situação irregular no país e que financia a exploração ilegal de diamantes, além de punir os cidadãos nacionais que auxiliam a imigração ilegal, pondo em risco a soberania angolana e a economia nacional. Depois de se reorganizar a exploração semi-industrial, "cujos prejuízos são intangíveis até ao momento", acrescentou Ernesto Muangala, o Governo passará o processo aos angolanos para diminuir o desemprego na província, estimado em cerca de 50 mil pessoas, maioritariamente jovens.

Até agora, o processo levou ao encerramento de mais de 100 casas de comercialização ilegal de diamantes na Lunda Norte, nos municípios do Lucapa, Cuango, Cangulo e Xá Muteba. Cerca de 200 mil imigrantes ilegais deixaram voluntariamente o país, enquanto outros sete mil foram repatriados, maioritariamente para a República Democrático do Congo (RDC), e, com menor expressão, para a República do Congo, Mali, Eritreia e Mauritânia.

Em Foco
Economia | 08.10.2018

Três mil diamantes recuperados

Os meios apreendidos durante a "Operação Transparência" serão penhorados pelo Estado angolano, com exceção dos que se provem legais. Enquanto durar o processo de reposição da ordem no setor da extração artesanal dos diamantes, dominado por congoleses oriundos da RDC, país vizinho que partilha uma fronteira de 770 quilómetros, o governo provincial cessa a cedência de licenças quando, até ao final de 2017, tinham sido emitidas cerca de uma centena.

Entre o início da operação, a 25 de setembro, até 4 deste mês, foram recuperados três mil diamantes de vários quilates, 80 mil dólares e 2,5 milhões de kwanzas, além da apreensão de 150 viaturas de diversas marcas usadas nas áreas de garimpo.

Diamantes: benção e maldição em África

Uma bênção para a Serra Leoa?

Nos seus tempos livres o padre Emmanuel Momoh explora uma mina. Em Março encontrou um diamante de 709 quilates, que entregou às autoridades para que a receita da venda reverta a favor de todos. Num leilão o diamante obteve a oferta recorde de 7,7 milhões de dólares. Mas o Governo de Freetown achou-a muito baixa e organizou um novo leilão que deverá decorrer na Bélgica nas próximas semanas.

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A estrela da Serra Leoa

Já em 1972 foi encontrado um diamante gigantesco na Serra Leoa. Com um peso bruto de 969 quilates, a “estrela da Serra Leoa” foi dividida em 17 partes. Apesar da riqueza em recursos naturais, o país ocupa um dos últimos lugares no Índice de Desenvolvimento da ONU. Durante décadas, o comércio ilegal de diamantes financiou uma guerra civil na qual morreram dezenas de milhares de pessoas.

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Botswana: o sítio dos maiores diamantes

Quando se trata do tamanho e do valor de diamantes, o Botswana ocupa o primeiro lugar. O segundo maior diamante jamais extraído no mundo tem o nome “Lesedi La Rona”, ou “a nossa luz”. É do tamanho de uma bola de ténis e tem 1.109 quilates. Foi encontrado em 2015 com a ajuda de raios-X. A iniciativa valeu a pena: mais tarde foram extraídos mais dois diamantes de muitos quilates no mesmo local.

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A pedra preciosa mais cara é sul-africana

Em Abril o “pink star” foi vendido pela soma recorde de 71 milhões de dólares. O diamante com 132,2 quilates foi encontrado na África do Sul. A lapidação levou dois anos, e produziu o maior diamante rosa do mundo, com quase 60 quilates. A "estrela rosa" foi leiloada uma primeira vez em 2013. Mas o comprador não conseguiu reunir a soma de 83 milhões de dólares e teve que devolver a pedra.

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Diamonds are a girl's best friend

A atriz Elizabeth Taylor era famosa pelo seu amor aos diamantes. Quando morreu, em 2011, as suas jóias foram leiloadas por quase 140 milhões de dólares. Durante muito tempo, os negociantes de pedras preciosas queixaram-se da queda de preços. Mas desde o ano passado, os preços recomeçaram a subir e a procura pelo diamante bruto cresce, alimentando a esperança de muitos prospectores africanos.

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Nem luxo, nem fascínio

Os prospectores no Zimbabué cavam com pás e com as próprias mãos à procura das pedras preciosas, na esperança de encontrarem um diamante que os redima da pobreza. Mas regra geral os grandes diamantes são encontrados em minas de exploração industrial, onde as máquinas têm a capacidade de peneirar grandes quantidades de minério.