Ativistas detidos durante protestos em Benguela e Luanda

Em Benguela, 13 ativistas foram detidos minutos depois de começarem a protestar. Em Luanda também houve detenções. Os manifestantes exigiam o fim das perseguições e assassinatos políticos no aniversário do 27 de maio.

O protesto em Benguela, no centro oeste de Angola, juntou cerca de duas dezenas de pessoas e foi repelido pela polícia em colaboração com agentes à paisana que se supõe pertencerem aos serviços secretos.

"Depois de caminharmos cerca de 300 ou 400 metros apareceu a primeira carrinha [da polícia] a interpelar os manifestantes. A marcha foi desviada para outro sítio e outras carrinhas surgiram da frente, de trás e dos lados do protesto", contou Joaquim Namassala, um dos manifestantes.

Polícia repeliu manifestantes em Benguela

Treze ativistas, pertencentes ao chamado "Movimento Revolucionário", foram detidos, tendo sido levados para a primeira esquadra do Comando Provincial de Benguela. Há relatos de que dois manifestantes desapareceram.

Eduardo Ngumbe, outro manifestante que escapou à detenção, responsabiliza, desde já, o Presidente José Eduardo dos Santos por tudo o que vier a acontecer aos manifestantes levados pela polícia: "Ele é que será sempre o culpado, porque, no final de contas, a Constituição autoriza a manifestação."

Protesto em Luanda

Em Luanda, mais de dez ativistas, incluindo Adolfo Campos, foram detidos. Eles também tentaram realizar um protesto, no Largo Primeiro de Maio, em memória do massacre iniciado a 27 de maio de 1977. Nessa altura, dezenas de milhares de angolanos morreram às mãos das autoridades, que terão inviabilizado uma alegada tentativa de golpe de Estado contra o regime do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto.

Ao vivo agora
02:43 min
NOTÍCIAS | 27.05.2015

Ativistas detidos durante protestos em Benguela e Luanda

Esta quarta-feira, durante os protestos em Benguela, não houve registo de nenhum tipo de espancamento contra os ativistas. Mas, em Luanda, a Polícia Nacional está a ser acusada de reprimir e espancar brutalmente vários manifestantes.

Até ao momento, ainda não houve qualquer reação das autoridades em relação às detenções dos ativistas em Luanda e Benguela.