Boko Haram mata onze soldados e três civis no nordeste da Nigéria

Ataque na sexta-feira (27.07) visou um posto militar, dizem residentes e uma fonte do exército, este domingo. Grupo apoderou-se de armas e veículos militares.

Membros do grupo radical islâmico Boko Haram mataram onze soldados e apoderaram-se de armas num posto militar, no mais recente ataque do género no nordeste da Nigéria, na sexta-feira, anunciaram residentes e uma fonte militar, este domingo (29.07).

Homens armados em cinco camiões e motorizadas invadiram o posto de controlo militar na aldeia de Bunari, perto da cidade de Monguni, no estado de Borno, seguindo-se confrontos violentos.

"Chegaram ao final da tarde e atacaram o posto militar e os soldados responderam abrindo fogo", disse o residente Amadu Sheriff à AFP. "Os atacantes dominaram os soldados, que assumiram posições nas trincheiras em torno do posto de controlo, de onde combateram os homens armados do Boko Haram", acrescentou.

Três civis, incluindo uma mulher e o seu filho, moradores de um povoado vizinho, foram mortos por balas perdidas, disse ainda o residente. Os habitantes fugiram no sábado para Monguno, temendo novos ataques.

Amadu Sheriff afirma ainda ter visto "duas ambulâncias transportando soldados mortos" para Monguno, a 8 quilómetros do posto de controlo.

Foto de arquivo (2015): Soldados combatem homens do Boko Haram em Chuogori e Shantumari, no estado de Borno.

Fonte militar confirmou o ataque e a morte de onze militares, bem como o roubo de armamento: "Quatro veículos militares, incluindo um carro blindado de transporte pessoal e um camião carregado de armas, foram levados pelos terroristas", disse a fonte do exército, que pediu para não ser identificada, uma vez que não estava autorizada a falar sobre o incidente.

Os atacantes foram combatidos com o apoio de reforços de Monguno, acrescentou.

Grupo radical mantém a força?

As notícias do ataque surgem apenas este domingo devido à má comunicação na área, onde o Boko Haram destruiu infraestruturas de telecomunicações nos últimos três anos.

Já na quinta-feira, militantes do grupo tinham invadido uma base militar nos arredores de Jakana, uma aldeia a 30 quilómetros de Maiduguri, disparando armas e granadas antes de saquearem e incendiarem uma esquadra da polícia.

Há duas semanas, os jihadistas invadiram uma base militar no estado vizinho de Yobe. A 14 de julho, membros do grupo invadiram uma base na aldeia de Jilli, onde  dezenas de tropas terão morrido ou desaparecido. No dia anterior a este ataque, 23 soldados foram dados como desaparecidos depois de uma emboscada a uma caravana militar na região de Bama, no estado de Borno.     

Os ataques apontam para a continuidade da ameaça do Boko Haram, apesar de repetidos anúncios por parte do exército afirmando que o grupo radical perdeu a sua força.

Reféns do Boko Haram libertados na Nigéria: "Ainda dói"

O sorriso perdido

"O que se percebe imediatamente é que as crianças aqui quase não riem", conta um funcionário do acampamento de Malkohi, na periferia da cidade nigeriana de Yola. Cerca de metade das perto de 300 pessoas que eram mantidas em cativeiro pelo Boko Haram tem menos de 18 anos. Um terço das crianças no acampamento sofre de desnutrição.

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Primeiros dias de vida no acampamento

Lami Musa é mãe da mais recente moradora do acampamento de Malkohi. Deu à luz na semana passada. Um dia depois foi salva por soldados nigerianos. Durante a operação de resgate várias mulheres foram mortas pelos terroristas. "Apertei firmemente a minha filha contra o meu corpo e inclinei-me sobre ela", recorda a jovem mãe.

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Filho perdido durante o cativeiro

Halima Hawu não teve tanta sorte. Um dos seus três filhos foi atropelado enquanto os terroristas a raptavam. Durante a operação de resgate um soldado nigeriano atingiu-a numa perna, porque os membros do Boko Haram usam as mulheres como escudos humanos. "Ainda dói, mas talvez agora o pior já tenha passado", espera Halima Hawu.

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Poucos alimentos para as crianças

Babakaka, de três anos, teve de passar seis meses com o Boko Haram. Só raramente havia algum milho para as crianças, contam antigos prisioneiros. Quando foram libertados pelos soldados, Babakaka estava quase a morrer de fome. Babakaka continua extremamente fraco e ainda não recebeu tratamento médico adequado no acampamento.

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Sobrevivência por um triz

A mãe de Babakaka foi levada para o Hospital de Yola juntamente com cerca de outras vinte pessoas gravemente feridas. Durante a fuga, alguém que seguia à sua frente pisou uma mina. A explosão foi tão forte que a mulher ficou gravemente ferida. Perdeu o bebé que carregava.

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Roupas usadas do Ocidente

Exceptuando algumas doações de roupas velhas, ainda não chegou muita ajuda internacional às mulheres e crianças do acampamento de Malkohi. Aqui há falta de muitas coisas, sobretudo de pessoal médico. Não há qualquer vestígio do médico de serviço no acampamento. Apenas duas enfermeiras e uma parteira mantêm em funcionamento o posto de saúde temporário.

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Dependentes de voluntários

"Não entendo por que motivo o nosso serviço de emergência nacional não faz mais", reclama a assistente social Turai Kadir. Por sua própria iniciativa, Turai Kadir chamou uma médica para tratar das crianças mais desnutridas. Na verdade, essa é a tarefa da NEMA, a agência nigeriana de gestão de emergências, que está sobrecarregada.

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"Incrível capacidade de resistência"

Regina Musa voltou há poucos meses dos Estados Unidos para dar aulas de Psicologia na Universidade de Yola. Agora, a psicóloga presta aconselhamento psicológico a mulheres e crianças. "As mulheres têm demonstrado uma incrível capacidade de resistência", diz Musa. Durante o período traumático, muitas delas também se preocupavam com os filhos de outras pessoas. Autor: Jan-Philipp Scholz (em Yola)