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Cabo Delgado: Insurgentes usam pessoas como escudos

Lusa
30 de maio de 2020

Atacantes estarão a usar pessoas como escudos em vila ocupada em Cabo Delgado, dificultando o trabalho das Forças de Defesa e Segurança, dizem testemunhas. Grupo armado saqueou várias lojas, indiciando a sua retirada.

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Symbolbild < Im Norden Mosambiks sind 50 Zivilisten von Dschihadisten ermordet worden
Foto: AFP/J. Nhamirre

O grupo armado que desde quinta-feira (28.05) ataca a vila de Macomia, em Cabo Delgado, saqueou vários estabelecimentos comerciais até a manhã deste sábado, indiciando a sua retirada, dizem testemunhas citadas pela agência Lusa.

"Eles despojaram vários estabelecimentos comerciais e tudo indica que eles querem carregar aquilo para as suas bases. Parece-nos que estão a preparar-se para uma retirada", disse uma fonte local, com base no testemunho de residentes escondidos no mato.

Parte considerável das populações da vila, principal ponto de encontro a meio da estrada asfaltada que liga o norte ao sul da província, estão no mato, mas há quem arrisque um regresso ao centro da vila para procurar mantimentos.

Segundo a fonte, as Forças de Defesa e Segurança foram avistadas no terreno, mas a situação esta a "complicar porque os insurgentes estão a usar as pessoas como escudos".

Pemba continua a receber pessoas em fuga

Em contacto com a Lusa, Luiz Lisboa, bispo de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, disse ter acolhido, desde sexta-feira, algumas pessoas que fugiram das confrontações na vila de Macomia em direção à capital provincial, uma distância de cerca de 179 quilómetros.

"Eles conseguiram sair da vila pela mata e chegaram a estrada principal. De lá apanhar boleia e conseguiram chegar até aqui. Tivemos um jovem que chegou aqui na noite de sexta-feira com a sobrinha e perdeu o restante da família. Recebemos também uma senhora funcionária pública que trabalha em Macomia. Ela estava com os pés todos feridos por andar pelo mato", disse Luiz Lisboa.

A funcionária foi levada para casa da sua família em Pemba e o jovem foi abrigado na igreja, afirmou o bispo de Pemba, acrescentando que há dificuldades em manter contactos com membros da igreja em Macomia.

A vila de Macomia é o principal ponto de encontro a meio da estrada asfaltada que liga o norte ao sul da província, tem uma agência bancária, vários serviços, estabelecimentos comerciais e é sede de um distrito com cerca de 100 mil habitantes.

Uma fonte do Ministério da Defesa Nacional moçambicano disse à Lusa que a situação em Macomia estava a ser analisada pelo comando conjunto das FDS, que é dirigido pelo Ministério do Interior, mas até agora ainda não foi prestada nenhuma informação pelas autoridades.

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