Cabo Verde: Alunos aprendem com manuais cheios de erros

Ministério da Educação contabiliza mais de 260 erros em manuais de várias disciplinas. Linguista Manuel Veiga considera situação inadmissível, e PAICV exige retirada dos manuais de circulação nas escolas.

Os erros começam logo na capa dos manuais. Por exemplo, "Matimatica Manual" em vez de "Manual de Matemática" é como se apresenta o livro da disciplina para o 1º e 2º anos. Há ainda indicação de meses com o número de dias errado (como dezembro com apenas 30 dias). São mais de 260 erros de linguística e também científicos já reconhecidos pelo Ministério da Educação.

"Acho que a nação inteira, neste momento, está de boca aberta com o que se passou, porque não era admissível", afirma Manuel Veiga, linguista cabo-verdiano e professor universitário jubilado.

Perante o cenário "ou houve incompetência ou houve negligência ou ambas as coisas. Não é admissível que no material didático haja erros", acrescenta Manuel Veiga.

A contestação dos encarregados de educação surgiu primeiramente nas redes sociais. A diretora nacional da Educação, Adriana Mendonça, também responsável pela revisão, admitiu, os erros dos manuais editados por uma empresa sueca.

Ouvir o áudio 02:44
Ao vivo agora
02:44 min
NOTÍCIAS | 03.10.2017

Cabo Verde: Alunos aprendem com manuais cheios de erros

"Tem erros no segundo ano de escolaridade, no terceiro ano de escolaridade, em todos os outros manuais que já estão em curso há algum tempo", afirmou Adriana Mendonça.

Manuel Veiga questiona a conduta do Ministério da Educação: "Não dá para perceber como é que o Ministério da Educação, depois de todos os avanços que houve em matéria de educação em Cabo Verde, põe de parte toda a experiência adquirida num passado recente e vem fazer isto com um gabinete estrangeiro, sueco, que não domina o português e sem participação nacional competente", contesta o linguista cabo-verdiano.

Ministério da Educação não retira livros

Adriana Mendonça disse que estão a ser produzidas erratas e garantiu que os manuais escolares não serão retirados. "Enquanto educadora e enquanto responsável, não me parece que seja de todo pertinente retirar estes manuais do mercado, como os de Língua Portuguesa, Ciências, Matemática, por aí além, e deixar as crianças sem livros", entende a diretora nacional da Educação e responsável pela revisão dos livros.

Para o linguista Manuel Veiga, essa decisão é "inadmissível". Adriana Mendonça "devia ser responsabilizada pela observação que fez", acrescenta o professor universitário jubilado. "Depois um aluno vai ao exame e reproduz os erros. Como é que esse aluno vai ser avaliado negativamente?", questiona Manuel Veiga.

"Portanto, o material tem que ser retirado de circulação e colocados os manuais antigos ou então novos manuais – ainda há possibilidade de se fazer novos manuais", defende o linguista cabo-verdiano.

PAICV ataca

Kapverdische Inseln Unterstützer PAICV mit Fahnen

PAICV exige a retirada dos livros com erros

Também Nuías Silva, vice-presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), na oposição, entende que "a única solução que se vislumbra é a sua substituição por outros feitos de forma responsável, mediante acompanhamento, coordenação pedagógioca, correção, revisão e seguimento por parte do Governo de Cabo Verde, através do Ministério da Educação".

Assuntos relacionados

Em conferência de imprensa, Nuías Silva disse que "são erros de tal forma graves que colocam o país numa situação ridícula".

Está já a circular na internet uma petição que exige ao Ministério da Educação a retirada do mercado dos manuais com erros.

Educação

Aprender a escrever a própria língua

No noroeste dos Camarões, os alunos costumam ter aulas em inglês, apesar de não dominarem a língua. As crianças têm de aprender a ler e a escrever uma língua estrangeira a partir da primeira classe - é um desafio enorme. Por isso, em algumas escolas, os professores começaram a ensinar em kom, a língua materna dos alunos.

Educação

Histórias do dia-a-dia

Com as aulas na língua materna, os alunos fazem progressos muito mais rapidamente do que noutras escolas. Vários linguistas fizeram livros na língua local, que incluem expressões da região e histórias que os alunos conhecem do seu dia-a-dia. Assim, compreendem mais facilmente o que aprendem na escola.

Educação

Inglês como língua estrangeira

As crianças começam a aprender inglês na segunda classe. Nessa altura, já sabem ler e escrever em kom. O inglês só tem algumas letras diferentes da língua local.

Educação

O despertar da curiosidade

As crianças que aprendem inglês na segunda classe participam muito mais ativamente nas aulas do que os que começaram a aprender logo na primeira. Percebem as perguntas e não têm medo de dar respostas erradas. Nota-se que os alunos têm vontade de aprender e lêem tudo o que lhes passa pelas mãos.

Educação

Sem medo da vara

Quem se diverte nas aulas aprende mais, e quem aprende mais diverte-se mais nas aulas. "Com as aulas na língua materna, os professores batem muito menos nos alunos", diz Kain Godfrey Chuo, coordenador do projeto. Os castigos corporais são comuns nos Camarões. Se os alunos se portam mal, arriscam-se a que os professores lhes batam com uma vara.

Educação

Competências dos professores

Muitos professores da região também não falam inglês corretamente, e isso prejudica as aulas. Ensinar na língua local é, também por isso, uma mais-valia.

Educação

'English first" a partir da quarta classe

Só a partir da quarta classe é que as aulas começam a ser só em inglês. Os alunos têm até essa altura para compreender as bases da matemática, bastando apenas traduzi-la para inglês. Isso faz com que os alunos resolvam os problemas muito mais depressa do que se tivessem, primeiro, aprendido a fazer contas numa língua estrangeira.

Educação

Uma base sólida

Seis anos depois, ao terminar a escola primária, os alunos que tiveram aulas na língua materna costumam ter melhores notas do que aqueles que começaram a aprender em inglês na primeira classe. As aulas na língua materna criam uma base sólida para ter sucesso na escola e, mais tarde, na vida profissional.

Conteúdo relacionado