Congoleses tentam comprar comida e fazer negócio em Angola

Os produtos da cesta básica de Angola continuam a atrair cidadãos da República Democrática do Congo (RDC) que todas as semanas se dirigem ao posto fronteiriço do Luvo, na província do Zaire, para fazer compras.

O mercado do posto fronteiriço do Luvo funciona semanalmente de forma intercalada. Sábado é o dia oficial das trocas comerciais na feira e os portões da fronteira abrem às oito horas da manhã. Os camiões com as mercadorias chegam antes, à quarta-feira, a tempo de resolver questões relacionadas com a alfândega.

Centenas de pessoas tentam fazer negócio em Luvo, face à escassez de produtos de primeira necessidade na República Democrática do Congo

A DW esteve na zona de comércio no dia em que a praça esteve do lado da RDC. Camiões e motorizadas seguem para este país vizinho carregados de produtos da cesta básica: arroz, óleo vegetal, açúcar, farinha e peixe.

O congolês Kalongo Jean vende roupa no Luvo há mais de cinco anos. O comerciante diz que encontrou uma oportunidade de negócio no posto fronteiriço, mas ultimamente as vendas baixaram. "As nossas vendas reduziram porque os clientes estão com dificuldades devido à crise. Mesmo assim estamos a resistir, dormindo aqui na barraca. Estou aqui há um mês porque o Congo está mesmo mal e nós estamos a safar-nos aqui", disse.

Revender em Kinshasa

Com o dinheiro da venda da roupa, Kalongo Jean compra produtos da cesta básica de Angola para a esposa revender em Kinshasa, capital da RDC. "Depois de vendermos os vestuários, compramos alimentos como óleo, arroz, leite, feijão e açúcar para consumo e também para revender. Também compro outras peças de roupa para vender aqui", explicou o congolês.

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NOTÍCIAS | 05.01.2019

Congoleses tentam comprar comida e fazer negócio em Angola

O vendedor de rádios e acessórios de telemóveis Kamis afirma que os preços altos dos produtos estão a dificultar a vida dos comerciantes da RDC. "As coisas estão difíceis agora. O preço da taxa de travessia aumentou e o dos produtos também está a subir cada vez mais. Vendo rádios que compro em Kinshasa, mas também compro o que vem de Angola e revendo mesmo aqui na fronteira. O negócio rende-me 500 ou 1000 francos congoleses", cerca de 0,26 ou 0,54 euros, lamenta Kamis, que espera que os produtos fiquem mais baratos para que os seus lucros aumentem.

Angola sai beneficiada, diz um comerciante

Angola é quem mais lucra com as trocas comerciais no mercado transfronteiriço do Luvo por causa das grandes quantidades de produtos que saem do território angolano, lembra o comerciante Pedro dos Santos. "Quando o mercado está aqui no nosso lado, os congoleses vêm vender telefones, panos, plásticos e tigelas térmicas. De Angola sai muita coisa. Sai comida e bebidas", afirmou.

Em 2016, o Governo angolano colocou restrições à exportação de produtos de primeira necessidade

Muitos angolanos como Pedro dos Santos compram as mercadorias nas grandes superfícies comerciais de Luanda. "Compro a mercadoria na zona da Estalagem, no município de Viana. Lá compro feijão para revender aqui. Chego aqui quinta-feira e volto no sábado", relata.

A maior parte dos produtos da cesta básica que são vendidos no Luvo não podem ser exportados, segundo um decreto presidencial de 2016. Ainda assim, o contrabando é frequente.

Recentemente, as autoridades angolanas confiscaram quantidades consideráveis de produtos alimentares que estavam a ser levados para a RDC através do posto fronteiriço do Luvo.

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Crise na RDC: Congoleses procuram alimentos em Angola

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