Críticas à remodelação de edifício governamental em Luanda

Em Angola está a gerar controvérsia a decisão do Governo de gastar o equivalente a mais de 17 milhões de euros para remodelar o edifício do Conselho de Ministros. Os fundos poderiam ser melhor empregues?

O despacho que autoriza o contrato da empreitada foi assinado há poucos dias pelo Presidente angolano, João Lourenço. Para o analista político Augusto Báfuabáfua, foi a questão da segurança que ditou a remodelação, especialmente no âmbito do combate à corrupção e à impunidade.

"É preciso evitar que a sala esteja exposta a alguma espécie de infiltração ou aparelho de escuta", disse o analista à DW África. "O Presidente João Lourenço está a desmantelar muitos interesses instalados. Então, é normal que estas pessoas possam ter deixado ou queiram montar algum aparelho de escuta para que possam ter informações privilegiadas sobre o que é decidido", explica.

Infraestruturas degradadas

Ainda assim, e em tempos de crise, Augusto Báfuabáfua entende que também é preciso investir no setor social. Defende, por exemplo, que nos próximos orçamentos haja uma fatia maior para os setores geradores de emprego e enumera as falhas.

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NOTÍCIAS | 30.11.2018

Críticas à remodelação de edifício governamental em Luanda

"Há setores tão necessitados como a assistência social, família e promoção da mulher, a própria educação e a saúde, de alguma forma agricultura e o turismo são grandes geradores de emprego e também precisam de dinheiro", sublinha o analista.

O ativista cívico Jeremias Benedito, um dos integrantes do conhecido caso 15+2, vive na província angolana do Moxico. E diz que a situação na região leste do país é lastimável, principalmente no que diz respeito às estradas. 

Falsas prioridades

"Temos vários problemas. A estrada que liga Luanda, Saurimo, e Lunda Norte está totalmente degradada", disse Benedito à DW África, lembrando que "é a construção de infraestruturas que irá permitir que investimentos".

Por isso, Jeremias Benedito gostava de ver o dinheiro investido noutros setores e não na remodelação do edifício do Conselho de Ministros. "Esse dinheiro serviria para a requalificação das estradas ou para ajudar os camponeses, por exemplo. Temos problemas de iluminação pública, temos problemas de infraestruturas, de falta de escolas, falta de livros no país, falta de carteiras e falta de professores", disse o ativista.

Economia

Lama no cotidiano

O bairro Cazenga é o mais populoso de Luanda – ali, vivem mais de 400 mil pessoas numa área de 40 quilômetros quadrados. Em outubro de 2012, chuvas fortes obrigaram muitos habitantes a andar na lama. Do Cazenga saíram muitos políticos do partido governista angolano MPLA. "Uma das prioridades de políticos pobres é a riqueza rápida", diz o economista angolano Fernando Heitor.

Economia

Dominância do MPLA

Euricleurival Vasco, 27, votou no MPLA nas eleições gerais de agosto de 2012: "É o partido do presidente. Desde a guerra civil, ele tenta deixar o poder, mas a população não deixa". Críticos dizem que José Eduardo dos Santos não cumpriu nenhuma promessa eleitoral, como acesso à água e à eletricidade. Mas o governo lançou um plano de desenvolvimento em novembro para dar esses direitos à população.

Economia

Economia informal em Angola

Muitos angolanos esperam riqueza do chamado "boom" do petróleo. Mas grande parte da população é ativa na economia informal, como estas vendedoras de bolachas na capital, Luanda. Segundo a ONU, 37% da população vivem com menos de um dólar por dia. Elias Isaac, da organização de defesa dos direitos humanos Open Society, considera este um "contrassenso" entre "crescimento e desenvolvimento".

Economia

Uma infraestrutura de fachada?

A capital angolana Luanda é considerada uma das cidades mais caras do mundo. Um prato de sopa pode custar cerca de 10 dólares num restaurante, o aluguel de um apartamento mais de cinco mil dólares por mês. A Baía de Luanda é testemunho constante do "boom" do petróleo: guindastes e arranha-céus disputam quem é mais alto.

Economia

O "Capitólio" de Angola

Próximo à Baía de Luanda, surge a nova sede do parlamento angolano. O partido governista MPLA vai ocupar a maior parte dos 220 assentos: elegeu 175 deputados em agosto de 2012. Por outro lado, o MPLA perdeu 18 assentos em comparação à eleição de 2008. A UNITA, maior partido da oposição, ganhou 32 assentos em 2012 – mas tem pouco espaço...

Economia

O presidente no cotidiano de Luanda

…porque, segundo críticos, o presidente José Eduardo dos Santos (numa foto da campanha eleitoral) "domina tudo": o poder Executivo, o Judiciário e o Legislativo, diz o economista Fernando Heitor. José Eduardo dos Santos também parece dominar muitas ruas de Luanda: em novembro de 2012, quase todas as imagens eram da campanha do partido no poder, o MPLA.

Economia

Dormir nos carros

Os engarrafamentos são frequentes em Luanda. Por isso, muitos funcionários que moram em locais mais afastados já partem para a capital angolana de madrugada. Ao chegarem em Luanda, dormem nos carros até a hora de ir trabalhar – juntamente com as crianças que precisam ir à escola. A foto foi tirada às 06:00h da manhã perto do Palácio da Justiça em novembro de 2012.

Economia

A riqueza em recursos naturais de Angola

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África, mas também tem potencial para se tornar um dos maiores exportadores de gás natural. A primeira unidade de produção de LNG – Gás Natural Liquefeito, em inglês – foi construída no Soyo, norte do país, mas ainda está em fase de testes. A fábrica tem uma capacidade de produção de 5,2 milhões de toneladas de LNG por ano.

Economia

Para acabar com a dependência do petróleo...

A diversificação da economia poderia ser uma solução, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo angolano criou um fundo soberano do petróleo para investir no país e no estrangeiro, e para ter uma reserva caso haja oscilações no preço do chamado "ouro negro". Uma alternativa, segundo especialistas, poderia ser a agricultura, já que o petróleo só deve durar mais 20 ou 30 anos.

Economia

Angola atrai estrangeiros

Vêem-se muitas placas em chinês e empresas chinesas em Angola. Os chineses são a maior comunidade estrangeira no país. Em seguida, vêm os portugueses, que em parte fogem à crise económica europeia. Depois, os brasileiros, por causa da proximidade cultural. Todos querem uma parte da riqueza angolana ou investem na reconstrução do país.

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Homem X Asfalto

Para o educador Fernando Pinto Ndondi, o governo angolano deveria investir "no homem e não no asfalto". Há cinco anos, Fernando e sua famíla foram desalojados da ilha de Luanda por causa da construção de uma estrada. Agora vivem nestas casas precárias. O governo constrói novas casas para a população. Porém, os preços, a partir de 90 mil dólares, são altos demais para a maior parte dos angolanos.

Economia

Para onde vai o dinheiro?

O que aconteceu com 32 mil milhões de dólares lucrados pela empresa petrolífera estatal angolana Sonangol entre 2007 e 2011? Um relatório do FMI constatou, em 2011, que faltava essa soma nos cofres públicos. A Sonangol diz ter investido o dinheiro em infraestrutura. Elias Isaac, da Open Society, diz que o governo disponibiliza mais informações – o que "não é sinônimo de transparência".

 

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